sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O UFC, a mídia e a sociedade do espetáculo - algumas reflexões

Colegas do blog!
Segue texto dos acadêmicos/a Eduardo, Álax, Gabriel, Suely e Flávio!


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A partir das definições feitas pelos alunos da disciplina Educação Física, Esporte e Mídia, ministrada Pelo Prof. Msc. Cristiano Mezzaroba, sobre a sociedade do espetáculo, pretendemos aqui trazer algumas questões sobre este conceito, ampliando o olhar sobre o esporte, a partir de considerações feitas nas discussões em sala de aula.

Do conceito de “sociedade do espetáculo”, às modificações no UFC (Ultimate Fighting Championship) com a mídia em pauta: as descontinuidades presentes nos esportes e o seu discurso contraditório.

Partindo das definições dos acadêmicos da Educação Física (EF) da Universidade Federal de Sergipe (UFS), tentaremos chegar aqui ao consenso dos conceitos apresentados sobre a Sociedade do espetáculo, cunhado por Guy Debord na década de 60. Em seguida faremos uma breve apresentação das possíveis contradições presentes no discurso midiático sobre o esporte e as contribuições do espetáculo para tal discurso.
 Nas discussões iniciadas com a leitura do texto de Douglas Kellner, “A cultura da mídia e o triunfo do espetáculo”, foram apontados durante as aulas elementos que caracterizam o espetáculo. Considerando que as discussões pautaram-se mais nas questões esportivas e a forma como a espetacularização faz com que os esportes perpassem as fronteiras sócio-culturais, apresentaremos aqui as definições conforme as aproximações com os textos já tratados na disciplina.
Todos os grupos definiram este conceito a partir do que diz Kellner (2004, p.5):
espetáculos são aqueles fenômenos de cultura da mídia que representam os valores básicos da sociedade contemporânea, determinam o comportamento dos indivíduos e dramatizam suas controvérsias e lutas, tanto quanto seus modelos para a solução de conflitos. Eles incluem extravagâncias da mídia, eventos esportivos, fatos políticos e acontecimentos que chamam muito a atenção, os quais denominamos notícia – fenômenos que têm se submetido à lógica do espetáculo e à compactação na era do sensacionalismo da mídia, dos escândalos políticos e contestações, simulando uma guerra cultural sem fim. (Grifos nossos)
Observando que todos concordaram com os apontamentos de Kellner (2004) sobre o espetáculo, pretendemos agora exemplificar algumas contradições no discurso esportivo que tentam naturalizar os fatos, bem como, se utilizam do seu discurso para estabelecer relações anacrônicas descontextualizando o esporte.
Por que não prestarmos atenção às comparações feitas pela mídia sobre a prática esportiva e o contexto social? Os sensacionalismos da mídia com relação aos fenômenos sociais são passiveis de discussão e devemos pelo menos fazer essas discussões no contexto acadêmico. Entender o processo como o esporte veio e vem se estabelecendo no contexto social, talvez seja a melhor forma de conseguir desmistificar algumas questões trazidas pela mídia sobre o âmbito esportivo.
Aproveitando e fazendo a relação com as primeiras discussões trazidas na aula sobre o espetáculo, mais especificamente sobre o espetáculo no contexto esportivo, utilizaremos aqui alguns apontamentos feitos sobre o evento UFC e o discurso que a mídia faz a partir dele, porém as discussões apresentadas aqui não se restringem apenas a um olhar sobre este evento. Sendo possível assim, enxergarmos o esporte como um todo a partir das questões aqui apontadas.
As questões estruturais são as mais percebidas, em comparação com o início do evento quando se tinha um mesmo plano para que os espectadores assistissem os eventos, verificamos que hoje não é mais da mesma maneira. Os locais onde ocorrem os eventos foram completamente modificados, atendendo às expectativas da mídia, que com suas sofisticações tecnológicas, fez com que este evento se modificasse. Atendendo às exigências midiáticas e partindo para a lógica do espetáculo, o UFC, que no início foi criticado por autoridades públicas, ao adotar características de outros eventos da mídia passou a ser reconhecido de forma diferente. O evento fez projetos que aderiram aos mecanismos publicitários, e dessa forma conseguiu se tornar mais um produto da mídia. Dessa forma, passou a ser visto como os outros “esportes”, já que este agora seria a partir da mídia, levado à sociedade de maneira diferenciada, onde as críticas são camufladas por discursos persuasivos que conforme Betti (2002) foca nas emoções dos expectadores e telespectadores e não na razão.
Adentrando as características percebidas, observamos a sobrevalorização da forma em relação ao conteúdo e a falação esportiva como características mais presentes nos esportes da mídia, conforme cita Betti (2002). Não diferente ocorreu com o UFC, este ao priorizar os mecanismos tecnológicos, valorizando a imagem, bem como a linguagem audiovisual, vem principalmente pelo discurso televisivo se estabelecendo no contexto social. Agora a nova “febre nacional”, sendo até citado por alguns como a segunda prática mais famosa, perdendo apenas para o futebol, ou seja, cresce sem que sejam feitos questionamentos.
Portanto, considerando os questionamentos amplos que se estendem a todos os esportes, tentaremos agora olhar para estes, de forma mais abrangente. Será que o esporte hoje é evolução das antigas práticas? Será que o papel social do atleta é o mesmo de outrora? O discurso da mídia fazendo relações com as antigas práticas deixa claro toda essa “evolução” do esporte? Será que o esporte é e sempre foi uma prática acessível a todos? Podemos realmente fazer relações dos atletas/lutadores do UFC, como os gladiadores, considerando esses novos como os “gladiadores do novo milênio”?
Acreditamos que não, não podemos afirmar nenhuma dessas perguntas, do mesmo modo que não poderemos aqui trazer um ponto de vista que negue tudo isso, fazendo apenas críticas sem esclarecer os fatos. Porém, podemos sim, trazer a essa discussão elementos teóricos considerando o esporte no contexto histórico-social, relacionando características, discursos e questões históricas, econômicas, políticas e culturais, entre outras, que possam ampliar o olhar para o esporte.
Sendo assim, devemos perceber que as práticas esportivas eram práticas de classe. Se direcionarmos nossos olhares para o contexto da Inglaterra onde o que consideramos hoje esporte surge, perceberemos que é em meio ao processo de industrialização da sociedade que o esporte passa a abranger outras classes sociais. Anterior a isso, era apenas os sujeitos ligados à nobreza que tinham direito às práticas e, é a partir de tal processo que o esporte, estabelecendo um caráter funcionalista atendendo os interesses da sociedade na época, passa a ser acessível a outros grupos sociais. Seguindo o raciocínio, queremos dizer também que este é considerado descontínuo principalmente por suas características advindas da modernidade. Então fazer relações entre as antigas práticas é uma forma de descontextualizá-lo, já que este não era praticado da mesma forma por sujeitos de épocas distintas.
Os antigos gladiadores, diferente dos lutadores de MMA (Mixed Martial Arts/ Artes Marciais Mistas), eram escravos, então não podemos simplesmente classificá-los da mesma forma. Porém, podemos a partir disso pensar se há ou não uma tentativa da mídia em se apropriar da lógica do “pão e circo” para o entretenimento da sociedade.
Dando continuidade, podemos pensar em outras questões presentes no contexto esportivo atual. Esclarecendo que antigamente não existiam quantificações dos resultados, busca por recordes, especialização de papeis entre outras características que observamos hoje no esporte espetecularizado. O esporte nos dias atuais, com o auxílio da mídia, busca reproduzir as desigualdades presentes no contexto social, a mídia passa a sensação de que todos são “iguais”, vemos isso durante uma partida de futebol onde os dois times começam no zero a zero, ou então numa prova de atletismo onde todos largam e correm juntos; tem espaços e tempos próprios a exemplo dos ginásios, pistas e estádios, além de possuir regras uniformes que permite universalizar a sua prática.
O esporte também torna o esportista um novo tipo de trabalhador conforme afirma Jean-Marie Brohm ao falar sobre as vinte teses sobre o esporte, tal esportista é considerado um homem que atende aos mecanismos publicitários. Seguindo com as afirmações desse autor, vimos que o além de esconder as desigualdades sociais, o esporte cria uma falsa ilusão de ascensão social. Será que isso é verdade? É possível que todos ao praticar esportes buscando o sucesso, conseguirão o que desejam? 
Acreditamos que essa nova sociedade espetecularizada nos faz cair nessa possível contradição, principalmente se considerarmos a forma atraente como a mídia traz alguns conteúdos. No caso do esporte observamos uma relação recíproca, onde o esporte alimenta o espetáculo comercializando principalmente mercadorias humanas explorando ao máximo destas mercadorias (direitos de imagem, padrões de vestimenta entre outras coisas).

Não me tomem por exibido,...


Mas sou do Alegrete !



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Adeus ao Lazer ! (?)

Tendo em vista o que discutimos aqui no blog, numa postagem sobre o handebol, a mídia e os interesses comerciais - aludindo à questão do Bco. do Brasil - sugiro a leitura do comentário de Fernando Mascarenhas, em seu blog:   http://blogdomasca.blogspot.com.br/2013/02/adeus-ao-lazer.html

Excelente!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Mestra Paula Aragão!

Na última segunda, dia 18/2, nossa colega de LaboMidia, Paula Aragão, defendeu sua dissertação de mestrado junto ao PPGEF/UFSC.
O trabalho, intitulado "Lazer sobre Rodas no Cartão Postal: indentidades e socialização no Skatepark de Aracaju/SE", foi aprovado e bastante elogiado pela banca, formada pelos professores Juliana P. Rodrigues (EACH/USP), Mauricio Roberto da Silva (DEF/UFSC e UNOCHAPECO) e Alcyane Marinho (CEFID/UDESC e PPGEF/UFSC).
Em breve, teremos a versão final do texto, que será disponibilizada, como sempre, na pagina do grupo.
Aproveito para dividir o mérito pelo trabalho de orientação com outros grandes "formadores" da pesquisadora Paula, os camaradas Sergio Dorenski, Cristiano Mezzaroba e Diego Mendes, além, é claro, dos colegas do LaboMidia de Aracaju, da UFSC e dos demais núcleos - e pensar que tudo começou naquele almoço no Aulu´s, hen??
Estamos todos de parabéns por mais uma mestra formada no grupo!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Jornal LaboMidia - número 13

Pessoal que acompanha o blog,
é com alegria que divulgamos o Jornal LaboMídia/UFS, agora na sua décima terceira edição!

Confiram no site:
http://labomidia.ufsc.br/Jornal/info13.html

Comentários, sugestões e críticas são sempre bem vindas! Em abril, a 14a edição! Aguardem!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O handebol e sua relação (?) com a mídia

Colegas do blog!
No exercício, ainda, da disciplina "Educação Física, Esporte e Mìdia", turma A, os acadêmicos Artur Alves e Jéssica Lorena trazem seu texto tematizando o handebol brasileiro e suas relações com a mídia, mais especialmente, a televisiva. Leiam e sintam-se convidados a participar do debate, comentando... concordando, discordando, trazendo mais elementos, novos olhares, outros posicionamentos sobre o mesmo tema!

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Por que será que o Handebol não é um esporte tão divulgado pela mídia brasileira (televisão, jornais, revistas, etc.)? Mesmo sabendo que pode se tornar um esporte popular, adequando-se a variados espaços para execução, ele não recebe muita atenção para que se realize tal fato. Além de que, diz-se, é o esporte que está mais presente nas escolas brasileiras. Percebemos assim que o esporte mais monopolizado no Brasil é o futebol, o qual recebe cotidianamente destaques em toda a mídia, seja ela impressa, televisionada, digital, entre outros, ou seja, reforça a ideia da monocultura do esporte brasileiro.
No entanto, alguns canais de televisão tentaram e tentam ir “contra a maré”, assim como ocorreu com a TV Bandeirantes que transmitia alguns jogos das seleções brasileiras, logo no início dos anos 2000. Em seguida, veio a ESPN Brasil (canal fechado), com as transmissões dos mundiais e do Campeonato Brasileiro até o ano de 2011.
Hoje o Handebol é transmitido exclusivamente no Brasil pelo canal Esporte Interativo, um canal aberto, no qual conseguiu a exclusividade de transmitir os últimos mundiais, masculino e feminino. Mas isso sabemos que contam interesses principalmente financeiros na troca de canais de transmissão, tantos dos patrocinadores quanto do valor pago pela Confederação.
Voltando à pergunta inicial desse texto, fica fácil responder com alguns pontos que destacamos abaixo:
1-     O handebol não possui um ídolo nacional assim como o Falcão no futsal e o Giba no voleibol. Mesmo tendo atletas como Bruno Souza que em 2003 foi o 3° melhor do mundo e Alexandra Nascimento eleita agora no começo de 2013 como a melhor atleta mundial em 2012;
2-     No caso brasileiro, a modalidade nunca conquistou um ouro em Mundiais ou em Olimpíadas (como já ocorreu com o futebol, o vôlei e o basquete);
3-     A Confederação não se comunica como deveria com suas Federações na organização de torneios, campeonatos e eventos. E mesmo sua sede estando em Sergipe (que não passa apenas de um “jogo político”) não traz nenhum benefício para o esporte nem nacionalmente nem ao menos na região;
4-     E por fim, o esporte não é telespetacularizado como é na Europa, com grandes jogos, várias câmeras, com músicas nos intervalos de tempo, contratações milionárias entre os clubes, a entrada dos jogadores segue padrões estilo do UFC.
Deixamos uma pergunta para os colegas: Ao handebol brasileiro, sua situação, na maneira que está, está boa ou será que a modalidade precisa mesmo ser telespetacularizada para se tornar mais um no meio dos outros?

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O que importa?

Na oportunidade de utilizar o blog do Observatório da Mídia Esportiva como espaço de formação de futuros professores de Educação Física, conforme inciativa do Prof. Cristano Mezzaroba da UFS, iniciaremos essa semana uma sequencia de postagens produzidas por alunos do curso de Licenciatura em Educação Física da UFSJ matriculados na disciplina Mídia e Educação Física, em suas primeiras análises sobre a mídia esportiva.
Vejamos o primeiro texto, de autoria dos acadêmicos: Cristiane Rezende Silva, Ohanys Santos Felippe, Tales Fidelis Falque Vieira, Talita Resende de Andrade e Vinicius Eduardo Leite Batista. 

Boa Leitura... e deixe seu comentário a seguir!

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Título: Mas o que importa?

Em uma publicação que circulou no facebook, realizada pela Pagina da Tv Esporte Interativo, havia uma imagem com a seguinte legenda: “Será que ele é?” (ao lado). A frase foi retirada de um vídeo em que dois jogadores peruanos se acariciavam no local de treinamento do clube. A publicação, além da imagem, continha um breve texto informando que um dos jogadores acabara de ser contratado pelo Vasco da Gama e um link para o vídeocom a matéria completa. Os envolvidos são os jogadores Giancarlo Casas e Yoshimar Yotún, esse último destacado na matéria por sua contratação como lateral esquerdo pelo Vasco da Gama.
Sabemos que a mídia, de forma geral, busca lucros e, para tal, tenta chamar a atenção do público com estratégias premeditadas. Porém, quando nos deparamos com a foto e a legenda da matéria citada, vemos um apelo a opção sexual dos jogadores em maior relevância do que o seu futebol. Um portal que trata de assuntos esportivos substitui o seu papel que seria o de retratar o esporte e passa a dar um grau de importância maior às questões pessoais na busca da atenção do leitor.
Para Pedrinho A. Guareschi, autor do livro "Mídia, Educação e Cidadania", a mídia distorce o conceito de público e privado. O autor destaca que assuntos da esfera privada, por passarem a ser visível e midiatizado, ganham conotação de assuntos públicos, que dizem respeito ao bem comum da sociedade. Dessa maneira, mesmo sendo as cenas do vídeo gravadas em um ambiente público, é discutível se a imprensa esportiva deve retratar algo pessoal do atleta, visto que a função primária deste seria cobrir apenas os acontecimentos esportivos. 
Não é a primeira vez que se polemizam casos de homossexualidade no futebol, podemos citar o jogador Richarlyson que já sofreu inúmeros preconceitos, chegando ao ponto de não ser contratado por um clube devido a homossexualidade. Em outras modalidades esportivas também já houve precedentes, o jogador do Vôlei Futuro, Michel, foi insultado pela torcida adversária, sendo chamado de “bicha” durante a partida, o que repercutiu bastante na imprensa, mas nem sempre com uma avaliação crítica a respeito da homofobia.
 Diante dos fatos, perguntamos: Essa discussão sobre homossexualidade é realmente valiosa quando se refere ao futebol? A mídia necessita usar os pequenos detalhes/descuidos/vida privada dos atletas, para vender o seu material de consumo, que a sociedade absorve, comenta e descarta, sem maiores reflexões. O que importa é o que gera lucro, e as notícias são atualizadas a qualquer custo.
Diante de todos esses fatos deixamos alguns questionamentos: A opção sexual é um pré-requisito para ser jogador de futebol? Quanto a sua carreira profissional esses discursos veiculados pela mídia podem o atrapalhar em sua carreira, assim como o exemplo do Richarlyson? Afinal, o que realmente importa?

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Santa Maria: a dor de todos nós!

Eu sei que todos devem estar cansados de ver, em todos os meios, a cobertura, ora sensacionalista, ora menos emocional, do incêndio na boate Kiss em Santa Maria, que resultou em mais de 200 mortos, soma que ainda pode aumentar, porque mais de 70 estão hospitalizados com risco de morte.
Mas como alguém que passou pela cidade de Santa Maria na vida universitária, gostaria de dar aqui um depoimento, que poderá ser corroborado por outros tantos que também passaram por lá.
Santa Maria é mais que uma cidade e uma universidade. É um ponto de encontro, um tempo/espaço de transição para a vida adulta, é onde deixamos de ser alunos e passamos a ser profissionais. Os 3, 4 ou 5 anos (as vezes, mais) que se passa lá são aqueles que deixam marcas permanentes na nossa formação humana, cidadã e profissional. É lá que se faz amigos para o resto da vida, ou ao menos temos histórias deles pra contar pelo resto da vida.
Para a Educação Física, de modo especial, então, ainda mais. Há toda uma geração de professores universitários que passou por lá, nos anos 80, quando a UFSM oferecia um dos dois únicos mestrados em EF do Brasil (e o seu curso de graduação também era considerado um dos tres melhores do país). Pra lá acorriam pessoas do Brasil todo para buscar sua formação acadêmica.
Por isso, só mesmo quem viveu essa etapa da sua vida numa cidade caracterizada pela educação, que tem 25% da sua população no ensino médio ou nas universidades, consegue compreender, na sua completude, o que significa essa perda; inexplicável, aliás, a não ser pelas fragilidades da legislação e da fiscalização por parte do poder público.
Desde ontem, estamos todos mais pobres um pouco e mais tristes, como todos os santamarienses, gaúchos e brasileiros que um dia tiveram lá seus ritos de passagem!

O lance do doping

Aos que acompanham nosso blog, segue postagem dos acadêmicos Victor, Saullo, Jussara, Felipe, Fabio e Juliana. Reflexões sobre a questão do doping do "ídolo" do ciclismo mundial, Lance Armsgtrong. Leiam, comentem e nos ajudem a refletir sobre as temáticas tratadas aqui.




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          Dia 29/08/2012. Uma semana depois de afirmar que estava desistindo de lutar contra as acusações de doping, Lance Armstrong aparecia no Congresso Mundial de Câncer, em Toronto, no Canadá, e iniciava seu discurso com a seguinte declaração:

“Considerando os recentes acontecimentos, achei que deveria me apresentar novamente. Meu nome é Lance Armstrong, sou um sobrevivente do câncer. Fui chamado aqui para contar a minha história. Sou pai de cinco, e sim, eu ganhei a Volta da França sete vezes.”

          Era mentira. Em entrevista ao programa Oprah's Next Chapter, exibida mundialmente na quinta-feira (17 de janeiro), Armstrong admitiu que se dopou em todos os anos em que disputou o Tour de France. Antes da confissão, a Agência Antidoping dos Estados Unidos (Usada), já havia retirado todos os seus títulos conquistados entre 1999 e 2005, além de bani-lo de todas as competições esportivas, graças a amostras de sangue em 2009 e 2010, e em depoimentos de outros ciclistas. Como consequência, Lance renunciou ao cargo de membro do Conselho de Administração da sua organização, a Livestrong Foundation (que oferece apoio a pessoas com câncer), com receio que as acusações prejudiquem a imagem da fundação.

          Para muitos, a entrevista à Oprah foi apenas a confirmação do óbvio. Jornalistas e críticos acreditam que o fato dele ter usado o programa da maior apresentadora do Estados Unidos foi uma tentativa de aliviar sua barra com o público, e talvez conseguir uma diminuição nos inúmeros processos que vai receber de agora em diante.

          Seja como for, a confissão de Armstrong foi, sem dúvida, a maior vitória contra o doping na história do esporte. Porém, o fato de que o homem que em outrora foi considerado o maior ciclista de todos os tempos usava substâncias ilícitas para obter expressivos resultados deixa não só o ciclismo, mas todas as modalidades e seus fãs e seguidores tristes.

     Dezesseis anos depois que o mundo viu um sobrevivente de câncer no testítulo - posteriormente pulmão e cérebro - dar a volta por cima e se tornar uma lenda, a verdade veio à tona. O Super Homem não era real: seus superpoderes eram frutos de injeções e transfusões sanguíneas. Ele fez coisas boas (sua fundação seja o melhor exemplo), mas é uma vergonha para o esporte e merece pagar pelas trapaças que cometeu. Lance Armstrong sabe que errou, só que admitiu tarde demais.
 
          Será que essa foi a primeira pedra a cair num efeito dominó do mundo do ciclismo em seus flertes com o doping?