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terça-feira, 6 de julho de 2010

Eduardo Galeano, Uruguai...povo, esporte e identidade!

Daqui alguns instantes o Uruguai estará jogando contra a Holanda, decidindo uma das vagas na final desta Copa da África do Sul. Me parece que o Brasil inteiro está de olho nesse jogo, a população de 3,5 milhões de habitantes (uruguaios) soma-se a de 190 milhões de brasileiros. Há, talvez pela primeira vez em se pensando em grande evento esportivo, uma "união sul-americana", com o Brasil "não dando as costas aos seus vizinhos", torcendo junto.
Talvez seja novamente aquela história do esporte unindo povos (?), mesmo que temporariamente... ainda mais vizinhos!

Vi esta entrevista do Eduardo Galeano a um repórter do jornal Zero Hora e copio abaixo o link para quem se interessar. Penso que vale a pena a leitura, e fica aqui como uma homenagem à nossa mais nova colega urugaya, Vero!


Trechos da entrevista:
ZH – Há uma conexão desta celebração com o bom momento político e econômico vivido pelo país?
Galeano – Pode ser. A vitória da Frente Ampla, há alguns anos, abriu perspectivas de mudanças. Mas a verdade é que o nosso país é futebolizado. Os nenês nascem gritando gol. Por isso nossas maternidades são tão barulhentas.

ZH – O que é o futebol para um uruguaio?
Galeano – É uma religião nacional. A única que não tem ateu. Somos poucos: 3,5 milhões. É menos gente do que um bairro de São Paulo. É um país minúsculo. Mas todos futebolizados. Temos um dever de gratidão com o futebol. O Uruguai foi colocado no mapa mundial a partir do bicampeonato olímpico de 1924 e 1928, pelo futebol. Ninguém nos conhecia.

ZH – É possível ser campeão do mundo de novo?
Galeano – Tenho um amigo técnico que me disse certa vez uma frase inesquecível: o futebol é um reino mágico, onde tudo pode acontecer. Então o Uruguai pode ganhar da Holanda e depois vencer da Espanha ou Alemanha. Seria maravilhoso, porque o bom que a vida tem é a capacidade de sofrer. Se fosse tudo previsível não teria graça.

Salve a Celeste...