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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Doping, drogas e deuses - Reflexões de Roberto Emmanuel Nascimento Santos

Colegas do blog!
Segue, abaixo, as reflexões do acadêmico Roberto Emmanuel Nascimento Santos, do curso de Música, aqui da Universidade Federal de Sergipe, que juntou-se a nós para discutir mídia esportiva.

As opiniões de vocês são sempre bem-vindas ao debate!

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Doping, drogas e deuses - Roberto Emmanuel Nascimento Santos



Uma receita básica para atrair e colher os frutos da mídia é transformar o esporte em um espetáculo, onde os princípios básicos fundamentados são amplamente esquecidos. O mais difícil nessa receita é fazer com que essa “transformação” não seja perceptiva aos olhos do público, que, em tese, deve continuar a ter uma visão romântica sobre um esporte em que exemplos de princípios morais são construídos.

Tudo isso nos gera um paradoxo, onde o esporte se transforma em um espetáculo formado por atores que interpretam “deuses”, onde o script o qual preza os conceitos morais da sociedade deve ser sempre seguido. Mas irei lhes mostrar que interpretar durante uma vida inteira é impossível.

Doping no esporte de forma simplificada: uma substância proibida, altamente julgada pela sociedade e usada por quase todos atletas de elite.  Recentemente, foi divulgado na mídia diversos atletas pegos no exame antidoping, entre eles o ex-recordista mundial Asafa Powell e Tyson Gay, este último detentor das 3 melhores marcas do 100 metros em 2013. Com essa oportunidade de audiência, escândalo e espetáculo diferenciado em mãos, a mídia não perdeu tempo em destruir a imagem daqueles que um dia glorificaram como “deuses” esportivos. Basta um trecho de “Versos Íntimos”, de Augusto dos Anjos, para exemplificar essa relação de altos e baixos entre a mídia e o esporte: “O beijo, amigo, é a véspera do escarro. A mão que afaga é a mesma que apedreja”.

Para ser mais especifico em relação aos dados, na corrida dos 100 metros rasos, entre os atletas das 10 melhores marcas, os exames antidoping de 7 deles deram positivos. Enquanto aos atletas do ciclismo da famosa “Volta da França”, 16 atletas dos 21 que ocuparam o pódio foram pegos no exame antidoping. Diversos jogadores idolatrados, entre eles Giba (vôlei) e Maradona (futebol), alimentaram o tráfico de drogas como maconha e cocaína.

A conclusão é que a mídia tenta mover nossa sociedade aderindo discípulos que glorificam a imagem de atletas, atores de novela, apresentadores de televisão, músicos, celebridades instantâneas, entre outros: não julgo a espetacularização que é formada por ela (mídia), mas a hipocrisia que gera todo esse processo, onde não só os esportistas, mas todos que estão nesse meio são doutrinados a criar uma falsa imagem sobre si próprios, transmitindo para os mais críticos ou reflexivos, uma falta de credibilidade a todo esse sistema.

Porém, somente criticar a mídia não é suficiente, devemos compreender que todo esse sistema midiático e apelo dos atletas para o uso de substâncias proibidas é apenas um reflexo de nossa sociedade, onde no trabalho, relacionamento, escola ou vida social em geral, somos sempre cobrados pelo sucesso, vitória e imponentes resultados. Para enfrentar essa rotina cansativa cotidianamente encontramos a importante companhia de um aliado em substâncias como: cafeína, ácido acetilsalicílico (aspirina), antidepressivos, estimulantes sexuais, cannabis, bebidas alcoólicas, entre outras. Tanto o atleta quanto qualquer indivíduo que tenta seguir essas expectativas, prefere pagar o preço deixando a margem sua saúde física/mental e os seus controversos princípios morais formados em sua vida.