terça-feira, 1 de julho de 2014

“Diálogos Sobre Esporte e Mídia”


Olá pessoas, segue mais um texto produzido pelos alunos da disciplina Educação Física, Esporte e Mídia. Fiquem a vontade para críticas, sugestões e diálogos...


“Diálogos Sobre Esporte e Mídia”
Ana Luíza S. Nascimento
Valéria S. Chaves

No exercício de historização do esporte percebemos que ele surge com a Revolução Industrial – nasce com as características da modernidade - e os praticantes eram os filhos de burgueses, a partir daí, já podemos perceber que há uma elitização de sua prática e que desde este período até os dias de hoje a ideia de sociabilização, através dele, é uma falácia: esporte para todos? Com o passar do tempo surge os amadores e profissionais do esporte o que vai levar a competição e a criação de mais regras para atender outros fins como o da mercadorização e da espetacularização do esporte. Nesta perspectiva é que questionamos a importância do esporte: esporte é saúde ou economia, ou seja, fonte de renda..., é mercadoria?
O esporte moderno é tido como práticas corporais importantes para a saúde de qualquer indivíduo. Quando ligado à educação, esse é o conceito mais utilizado porque está relacionado à qualidade de vida, mas, quando percebemos a relação dele com a mídia a ideia muda, o conceito de ser importante para a saúde é escondido e o que vai prevalecer é a sua mercadorização, ou seja, tornar o esporte um produto para ser comercializado.
         Um exemplo da mercadorização pode ser visto nos atletas, principalmente do futebol (no caso do Brasil) que viram “mercadorias” no mercado esportivo. Além do valor adquirido pela compra e venda de jogadores, outra fonte rentável é quando se estabelece laços com a mídia, ou seja, a transmissão do esporte, como é visto no futebol, basquetebol, vôlei, entre outros, em que redes de televisão comercial, como a Rede Globo, assumem o monopólio nas transmissões das partidas, apenas com um único objetivo, que é a apropriação para obtenção de lucro.  
Mas a ideia de esporte como saúde não foi completamente escondida, por esse motivo, há uma preocupação na maioria das escolas de se praticar esporte na disciplina Educação Física. Foi visto em documentários que alunos que praticam esportes são mais responsáveis e disciplinados e isso é refletido na convivência familiar. Ainda, esta questão de disciplina, pode se abranger para outras áreas, como dentro de uma empresa, na qual os melhores funcionários são os mais disciplinados. Estas correlações exemplificam a perspectiva da funcionalização do esporte (conforme o alertou o Professor Giovani De Lorenzi Pires no texto “Breve Introdução ao Estudo dos Processos de Apropriação Social do Fenômeno Esporte” (REVISTA DA EDUCAÇÃO FÍSICA/UEM 9(1):25-34, 1998), no entanto, esconde as contradições da própria sociedade como: a falta de empregos; a má distribuição de renda; a miséria; a fome etc.,
Outra relação do esporte com a mídia pode ser percebida em uma reportagem recente, na qual um torcedor atira uma banana para o jogador Daniel Alves. A ideia é que se fosse com qualquer outro indivíduo que não tem interesse para a mídia, nem sairia em uma reportagem sobre preconceito, mas como “mexeu” com o futebol, com um jogador muito conhecido, seria uma ofensa ao próprio jogador ou ao próprio time se essa notícia não fosse transmitida. Ou seja, a notícia também virou uma mercadoria na relação com o esporte.  
           Portanto, trouxemos reflexões que, para nós agora, aparecem mais nítidas e que muitas vezes ficaram despercebidas. Enfim, a importância maior está no fato de se aprender a interpretar a mídia, de ler uma notícia com “outros olhos”.

JORNAL LABOMÍDIA Nº 22

Olá pessoal, bom dia.

Já está on line o nº 22 do Jornal LaboMídia.

Neste número temos algumas reflexões sobre os estádios da Copa do Mundo FIFA/2014; divulgação do livro "o contexto do futebol no mundo: do senso comum à crítica pedagógica"; congressos que estão por vir no âmbito da Educação Física e áreas afins; nota sobre o documentário "o menino que não queria nascer"; e uma nota sobre a polêmica envolvendo o atacante uruguaio Luis Suaréz.

Segue o link: http://www.labomidia.ufsc.br/Jornal/info22.pdf

Boa leitura e um grande abraço!

A40

sábado, 14 de junho de 2014

A influência da Copa do Mundo de futebol nas escolas

Olá Pessoas, dando sequencia ao que foi iniciado por Diego e Cris, estamos trazendo algumas reflexões dos alunos da Disciplina Educação Física Esporte e Mídia do DEF/UFS.
Este texto foi produzido por Brenda karoline dos Santos e Viviane M. M. Barreto...fiquem a vontade para as críticas, pitacos e comentários...
abração
Sérgio Dorenski




A influência da Copa do Mundo de futebol nas escolas
 Brenda karoline dos Santo
 Viviane M. M. Barreto

Levando em consideração o evento da Copa do Mundo de Futebol que será realizado no Brasil neste ano, 2014, refletimos sobre a influência que a mesma causa nas escolas e nas aulas de Educação Física e sobre o efeito da forma como a mídia informa sobre tal fato. Ao se aproximar da data do evento, notamos as escolas sendo arrumadas com as cores da seleção e o futebol sendo o principal assunto discutido entre os alunos e professores. Essa exaltação ao futebol é o reflexo de como a mídia transmite as informações sobre o esporte mais popular do país.
Levando em consideração também os problemas em que a realização da Copa do Mundo de Futebol acabou trazendo para o Brasil como, por exemplo, toda a corrupção e a isenção de imposto para a FIFA (realizadora do evento), o que fez com que a copa deste ano fosse a que mais garantisse lucro para a FIFA (cerca de 15 bilhões, segundo o site www.esportemaior.com.br) e a que mais custou para os cofres públicos do país sede, uma porcentagem significativa da população se mostra contra a sua realização, com o lema “Não vai ter copa”. Porém apesar de todos esses problemas, notamos que a maioria das pessoas e principalmente as crianças estão vivendo um momento de encanto ao ver um sonho se realizando por ter uma Copa do Mundo no seu país. Este fato mostra como a mídia, apesar de informar sobre o problema das manifestações, se faz presente firmemente ao tentar animar e cativar a população lembrando-a da sua grande paixão pelo esporte. Porém, todo esse trabalho está ligado a fazer os telespectadores a darem audiência nos dias dos jogos e assim, por meio de reportagens e propagandas, a Copa do Mundo de Futebol no Brasil está sendo mostrada como um evento de pura felicidade, amor ao país e à seleção e paixão pelo futebol.
A valorização do patrimônio cultural é um tema passado na maioria das escolas e, com o futebol sendo um dos nossos patrimônios não podia ser diferente. Atualmente, as crianças estão sendo colocadas a praticarem educação física desde muito cedo e um dos papeis desta disciplina (ou atividade) é justamente educar o pequeno cidadão a preservar sua cultura e ainda aproveitar o momento de lazer proposto com os jogos.
É necessário que as escolas, aproveitando o evento e as discussões sobre o futebol, organizem formas de fazer as crianças e adolescentes entenderem o verdadeiro sentido do esporte na vida da população em geral. Com o diálogo entre professores e alunos, apresentando os valores do esporte como o respeito pelo colega, a ética, a resolução de problemas por meio de conversas e a extinção do preconceito devem ser passados e entendidos para que os cidadãos e atletas do futuro tenham valores “do bem” definidos para o esporte e para a vida.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

VERISSIMO NA COPA - COMO AJUDAR A SELEÇÃO

Colegas do blog!
Texto do Luis Fernando Veríssimo publicado hoje no Zero Hora!
Boa leitura, boas reflexões...

12 de junho de 2014 | N° 17826

VERISSIMO NA COPA

  • VERISSIMO NA COPA COMO AJUDAR A SELEÇÃO

    Você não pode entrar em campo, hoje, mas pode ajudar a Seleção a derrotar a Croácia de varias maneiras. Para começar, espero que você tenha saído da cama com o pé direito. Se não saiu, volte para a cama e saia com o pé certo. Se sua escova de dentes não estava alinhada com o Marco Zero de Brasília e/ou o Cruzeiro do Sul volte lá, corrija sua posição e escove os dentes de novo. Você deveria ter prestado atenção no sabonete que usou no banho, ele poderia ter uma carga negativa que influenciaria todos os acontecimentos do dia, culminando com um gol contra do David Luiz. Se não fez isso, e não passou a manteiga no pão da esquerda para a direita cantando o hino nacional, anule as más vibrações e redima-se dando três voltas na mesa do café gritando “Mizifum, mizifum, mizifum!” Eu não sou supersticioso – inclusive porque li que superstição dá azar –, mas vou usar a mesma cueca que usei em todos os jogos da Copa das Confederações no ano passado e me recusei a lavar, apesar dos protestos da vizinhança. Em cueca que está ganhando não se mexe.

    Outra maneira de ajudar a Seleção é contatar telepaticamente o Felipão antes do jogo e instrui-lo a ignorar toda essa discussão sobre quatro-três- três, três-cinco-dois, quatro-quatro-dois e entrar com quatro-quatro-quatro. Isso dá 12, eu sei, mas até o juiz se dar conta que tem jogador demais em campo nós já teríamos marcado três.

    Reze. Deus é neutro, certo, ou no mínimo desinteressado, mas tente convencê-lo da importância de uma vitória do Brasil neste momento tão difícil da nacionalidade, cite as estatísticas sobre a religiosidade do nosso povo e a Sua popularidade entre nós (e alguns números da nossa economia para comovê-Lo) e apele para o “fair play” divino, lembrando-O que uma vitória da Croácia significaria pouco para o seu povo, alguns vivas na rua, alguns brindes a mais com cerveja e só, enquanto que para nós a derrota significaria o abismo. E, se nada mais der certo, ofereça algum por fora.

    Acima de tudo, mantenha a calma. Se tiver que roer as unhas, roa as suas e não avance nas do vizinho. Lembre-se que, no curso natural das coisas, uma vitória do Brasil é inevitável. E não retruque, perguntando quando é que as coisas tem seguido seu curso natural, ultimamente.


sábado, 31 de maio de 2014

Cláudia Laitano (Zero Hora) - Que bonito é

Colegas do blog,
compartilho aqui um pequeno e interessante texto da cronista do Zero Hora, Cláudia Laitano, já que estamos às vésperas da Copa do Mundo... a "nossa" Copa!
boa leitura e boas reflexões!

QUE BONITO É - Cláudia Laitano (31 de maio de 2014)

Dois argumentos a favor da paixão pelo futebol sempre comoveram este mole coração ateu. O primeiro é aquele da memória de infância, do guri levado pela primeira vez ao estádio pelo pai e que aprende a associar a paixão pelo clube àquela experiência original de afeto e inserção familiar. O segundo é o da utopia de um repertório afetivo comum a ricos e pobres, intelectuais e analfabetos, jovens e velhos. O futebol como um Google Tradutor instantâneo de afinidades esteja você na Ucrânia, na África ou no interior do Ceará, seja você operário ou patrão. Que bonito é.

É possível que o futebol como legado de pais para filhos nunca tenha sido tão importante quanto nos dias de hoje. São escassos os patrimônios simbólicos suficientemente estáveis a ponto de criarem a percepção de que podem sobreviver de uma geração para a outra. Valores morais, convicções políticas ou religiosas e tradições familiares tornaram-se fluidas e cambiantes. O time de coração, por sua vez, ainda sugere permanência, passagem de bastão, afirmação de identidade. Não é de se espantar que os pais se apressem a pendurar a camiseta do clube na porta do quarto da maternidade. Não haveria muitos outros símbolos para exibir ali com tanta convicção.

A fantasia de que a paixão pelo futebol permanece acima da divisão de classes, por sua vez, anda cada vez mais difícil de ser sustentada no mundo real das arenas padrão Fifa. Em sua palestra no Fronteiras do Pensamento na última segunda-feira, o americano Michael Sandel, professor de ética em Harvard, lembrou o tempo em que a diferença de preços dos ingressos nos estádios de beisebol não passava de US$ 3. O patrão e o empregado sentavam lado a lado, enfrentavam a mesma fila nos banheiros e comiam o mesmo cachorro-quente gordurento. Nos últimos 30 anos, observa Sandel, lá como aqui, os estádios passaram a reproduzir a lógica do apartheid social de escolas, shoppings, hospitais, parques. Ricos para um lado, pobres (se chegarem lá) para o outro. A falta de espaços de convivência entre pessoas de diferentes origens e perfis, sustenta o filósofo, estaria corroendo um dos fundamentos da democracia: a percepção de que, mesmo que alguns cheguem ao estádio de ônibus e outros de carro importado, todos fazem parte da mesma torcida/nação – e se reconhecem uns aos outros.

É possível que a divisão dos brasileiros em relação a esta histórica Copa do Mundo, embretados entre a paixão nacional e a indignação com tudo o que não dá certo no país, esteja refletindo não apenas a crise de um sistema que favorece a descrença na representação política, mas também, em alguma medida, a nostalgia dos tempos em que o estádio de futebol era o último espaço onde ainda era possível sonhar com um país um pouco menos desigual e cindido.

Que bonito era.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Jornal.Nº 21. LaboMídia/UFS


Olá Pessoas, segue o link do Jonal LaboMídia nº 21...
boa leitura
http://www.labomidia.ufsc.br/Jornal/info21.pdf

domingo, 18 de maio de 2014

VI SEMINÁRIO DE EXTENSÃO - Cinema, Corpo e Copa do Mundo


Colegas do blog,
aproveito o espaço para divulgar a realização do VI Seminário de Extensão - Cinema, Corpo e Copa do Mundo, a ser realizado no Auditório da Reitoria da Universidade Federal de Sergipe, nos dias 09, 10 e 11 de junho, com início às 14hs.
Os filmes que serão exibidos e debatidos, desta vez, são "Um time show de bola", "A bola da vez" e "Pra frente, Brasil", com discussão, respectivamente, dos professores do DEF/UFS, José Américo Santos Menezes, Sérgio Dorenski Dantas Ribeiro e Benedito Carlos Libório Caires Araújo.
Acessem o blog com todas informações, inclusive sobre as inscrições:
http://viseminariodeextensaocinema.blogspot.com.br/


sábado, 10 de maio de 2014

Um olhar ao acaso ao agendamento nada despretensioso: um dia de "Felipão" na nossa vida a partir da Globo

O texto que segue aqui é apenas um exercício de tratar no blog de algumas reflexões um tanto inevitáveis depois de acompanhar um dia vendo televisão - mais especificamente a Rede Globo - numa noite que culminou com o Globo Repórter que tratou do "nosso comandante" Felipão!
Antecipo que o texto não tem pretensões acadêmicas apesar de utilizar um conceito acadêmico, neste caso, o conceito de agendamento midiático-esportivo (já tratado por mim, empiricamente, na minha monografia, na minha dissertação e em várias outras pesquisas).

Acredito que seja parte do cotidiano de todos/as nós ver propagandas em que o protagonista que vende determinados produtos seja Luís Felipe Scolari, técnico da seleção brasileira que tentará o hexacampeonato logo mais, na Copa no Brasil. Durante o dia de hoje, sexta-feira, dia 09 de maio, constatei, num simples exercício de "ver tv", várias propagandas em que ele foi a figura-chave de determinados produtos. Lembro-me aqui das propagandas da Sadia, dos anúncios de supermercados como Big e Nacional, dos carros da Pegeout. Confesso que não lembro se já havia visto um programa que se dedica a questões de informações científicas como é o Globo Repórter que abordasse uma figura esportiva, como foi o programa da noite de sexta-feira,que em síntese, dedicou-se a mostrar a trajetória de "nosso" técnico, seu jeito, seu estilo, seus gostos, sua história de vida, seus amigos, suas conquistas, sua maneira de trabalho como comandante da seleção brasileira... apenas um lado - vitorioso - de uma figura humana, o que já permite pensar no aspecto de 'mitificação' do sujeito.

Mas, lembremos, pouco mais de um mês para a Copa... tudo é válido para mobilizar as atenções e a torcida dos brasileiros e brasileiras... portanto, nada tão "neutro" assim...

Se o conceito de agendamento - agenda-setting - nos permite pensar na maneira como a mídia opera a pauta do dia, a partir não só de seus interesses, mas interligados com o próprio contexto social, cultural, político, econômico, esportivo, vemos aí um excelente exemplo de constatar a maneira explicita como somos mobilizados a acompanhar e a enquadrar certas questões em nosso cotidiano. Não bastasse a própria função de técnico da seleção brasileira de futebol, além de todos anúncios publicitários que vinculam sua imagem, Felipão passou a ter, nesses últimos dias, uma ênfase midiática talvez pouco vista/percebida/utilizada. Há nem dois dias, a divulgação dos jogadores convocados. No dia seguinte, um programa dedicado a ele.

No primeiro bloco, como tudo começou. A origem de seu trabalho no interior gaúcho, sua relação com o primeiro emprego, com a Educação Física, com a escola. No segundo bloco, de maneira muito resumida, a origem do futebol na Inglaterra (sem nenhuma explicação sócio-histórica para tal, como se fosse um surgimento ao acaso) e sua vinda para  o nosso país, onde, em pouco tempo, se tornou uma paixão, inclusive mostrando países improváveis apaixonados pelo nosso "estilo" futebolístico.  Entre um bloco e outro, propagandas do Big e do Nacional (redes de mercados), propaganda que utilizaram o verde-amarelo, como dos Correios... e também propaganda da Centauro, onde o primeiro produto veiculado foi... a camiseta da seleção brasileira.
Ainda pensando na ideia de personificação, que se liga à maneira como o agendamento constrói seu discurso no jogo de imagens, sons, texto, Neymar como o atleta que segundo Felipão fará muito sucesso nos próximos 10 anos. Seria o garoto da Copa? Desde que o Brasil vença a Copa... senão...

Um giro pelo Brasil e alguns estádios da Copa são mostrados... a grama... O Castelão em Fortaleza, o Mineirão em BH, o Beira-Rio em Porto Alegre e o Maracanã no RJ. Faz parte do agendamento, sutilmente, ir acostumando os telespectadores (público, consumidores?) aos locais onde os acontecimentos se realizarão!

E mais um bloco e volta-se ao discurso construído ainda em 2002, quando, naquele ano, a seleção brasileira, também comandada por Felipão, pouco acreditada, vence a Copa do Mundo do Japão/Coreía, no slogan da "Família Scolari", momento este em que o programa dedica-se a mostrar a relação entre os jogadores, a amizade e a proximidade entre eles.

Finaliza-se, e aí podemos pensar no simbolismo da cena - como nos alerta John Thompson - com a imagem da seleção, na última Copa das Confederações em que o Brasil venceu a favorita Espanha, jogadores perfilados, cantando o hino nacional juntamente com o público no estádio...

Não está em questão, aqui, se Felipão está certo ou não em ser garoto-propaganda...
Não está em questão ser contra ou a favor do esporte (acho que nem  há mais espaço para tal questão...)
Não está em questão gostar ou não gostar do Brasil, da "nossa seleção" (o tempo do "ame-o" ou "deixe-o" já passou, apesar que há pouco mais de um mês lembramos dos acontecimentos da ditadura e vimos que há muita gente com saudades dela...
Não está em questão ser contra ou a favor da Copa, afinal, ela está aí, ela vai acontecer...
Não está em questão considerar apenas uma mera manipulação midiática ou um público completamente passivo a tudo que está acontecendo (acredito que isso já está claro que não ocorre assim, numa relação direta, generalizada, linear...)

O que está em jogo é perceber essa movimentação que agrega mídia, esporte, política, sociedade. Entender - identificar, perceber, refletir - nas múltiplas formas que aos poucos vamos sendo tomados, como brasileiros, como torcedores, quase nunca como cidadãos, por um sentimento positivo (construído, não natural, como tentam nos fazer engolir!) de que é necessário acompanhar tudo sobre o evento, conhecer seus personagens, seus locais, suas curiosidades... e consumir produtos aos quais vinculam valores diversos, como saúde/qualidade de vida, como estilo de vida, sucesso, performance etc. A Copa logo mais estará aí, temos condições de identificar tudo isso ou cairemos, mais uma vez, nesse sentimento coletivo de abdução total ao fenômeno que a cada 4 anos, por meio do futebol, nos consome, nos agrega e nos torna um só? A que fins chegamos ao final de uma Copa, como nação, como povo? O que realmente ganhamos ao sediar uma Copa? Ao mostrarmos nosso "amor" por nosso país quando lá dentro de um estádio está em jogo uma auto-estima nacional/coletiva? É possível, será, aprender alguma coisa nesse processo todo?

terça-feira, 22 de abril de 2014

Motrivivência: indexação (com restrições) ao LILACS !

Com satisfação, informamos a todos os amigos da Motrivivência que recebemos hoje a avaliação e as recomendações para o processo de indexação ao LILACS.
Fomos uma das três revistas que, em 2013, tiveram aprovação do sistema, condição essa sujeita ao atendimento a um conjunto de recomendações feito pelo comitê assessor de avaliação de periódicos.
Temos agora que publicar dois números com incorporação dessas recomendações para que a revista seja novamente revisada e, se aprovada, finalmente indexada ao LILACS.
Essa é uma notícia importante para a continuidade e o aperfeiçoamento do nosso projeto editorial. Por isso, fazemos questão de compartilhar e agradecer a cada um/a dos/as colegas que nos apoiam e nos ajudam a construir a revista.


 

terça-feira, 15 de abril de 2014

Pré-Lançamento de Livros pelo IELA e Vitral/UFSC

O Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA ) e o Vitral Latino-Americano de Educação Física, Esporte e Saúde da UFSC vão lançar, em breve, duas excelentes contribuições para os estudos dos megaeventos esportivos no Brasil.
São dois livros que saem pela editora Insular e IELA, com apoio da FAPESC. Um deles traz as palestras da Jornada Bolivariana de 2013, cujo tema dá nome ao livro: "Megaeventos Esportivos: consequencias, impactos e legados para a América Latina" (org. por Paulo Capela e Elaine Tavares).
O outro livro é a esperada tradução para o português da obra organizada por Eddie Cottle: "A Copa do Mundo na África do Sul - um legado para quem?" Uma coletânea excepcional que desmonta completamente o discurso oficial da FIFA e dos governos dos países que recebem edições da Copa do Mundo.
Duas leituras obrigatórias para quem está interessado em compreender como se constrói um (falso) consenso sobre os megaeventos e os prometidos legados.
Esperamos que o lançamento das duas obras aconteçam logo! Acompanhem pelo site do IELA: http://www.iela.ufsc.br

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Não se fez 
tábula rasa


Pessoal, no site da Carta Capital, tem um artigo muito interessante sobre as consequencias ainda presentes da ditadura militar na escola e na formação de professores. Vale a pena uma visita. Está em http://www.cartanaescola.com.br/single/show/316 .

Não fala diretamente na Educação Física, mas na foto da matéria, que colei acima, parece que, a qualquer momento, vamos ver um professor de EF, pedindo às moças para acertarem o passo, "direita, esquerda, direita, esquerda..."

Pelé diz que morte de operário e 'normal'

Lutar contra o esquecimento é uma tarefa política o que para o grande “Ídolo” Brasileiro é natural me parece mais uma forma de driblar a verdade, a indiferença parece ser marca do jogador, agora cabe a nós pensar nessa indiferença como algo natural ou cruel.
Confira o vídeo em http://www.politicanarede.com/2014/04/pele-diz-que-morte-de-operario-e-normal.html

terça-feira, 8 de abril de 2014

Depois da cartilha nada mais pode impressionar!

Para aqueles que já assistiram e para aqueles que ainda não assistiram, Os Simpsons não causaram tanto estardalhaço assim, desta vez. Será que a veracidade dos fatos narrados no episódio são tão reais que já caíram na "norma-lidade" do cotidiano de um país que está (mais que atrasado nas obras) às vésperas da copa?
O impacto da repercussão deste pequeno episódio não foi tão forte quanto o filme da família amarela no Brasil pela primeira vez. Mas a crítica sobre o futebol mundial na nova aparição dos Simpsons no país deixa uma sensação ainda mais forte de que tudo isso "é uma grande piada" e  o que vale é o espetáculo "panis et circenses".
O episódio tem como ponto principal o trato ironizado sobre a FIFA, ou melhor WFF, e sua busca pela manipulação de resultados no futebol mundial, cuja imagem reflete escândalos, corrupções e denúncias, mas traz também a reputação do Brasil no exterior, a qual é remetida ao tráfico, mulheres-objeto e corrupção. Nenhuma novidade! Talvez, por isso, a pequena repercussão. Ou o silêncio geral (mídia e críticos) talvez seja estratégia para não dar maior visibilidade ao humor sarcástico dos produtores da animação.
Bem, o episódio, já deixa sua marca registrada quando à busca de um árbitro que não possa ser subornado, o vice-presidente executivo da WFF convida o Homer para apitar alguns jogos da Copa, isso, por ser um símbolo de integridade! Ora! ora!

Para quem ainda não assistiu, aí vai o link. Fica a sensação de já ter visto isso em algum lugar...O nome do episódio é You don't have to live like a referee 
You don’t have to live like a referee:
"Você não precisa viver como árbitro" (tradução livre).
http://www.videosdodia.com/os-simpsons-episodio-completo-da-copa-do-mundo-no-brasil/



domingo, 23 de março de 2014

FIFA LANÇA CARTILHA PARA TURISTAS: " BRASIL PARA INICIANTES "


Caros colegas do blog, 
Segue abaixo postagem referente à reflexões acerca de matéria publicada por revista da FIFA, a "FIFA Weekly", onde a entidade lança cartilha para turistas que vierem à copa no Brasil. Leiam, reflitam a respeito e deixem seus comentários.

    


 FIFA LANÇA CARTILHA PARA TURISTAS: "BRASIL PARA INICIANTES"



Em Reportagem do final do mês de Março, a FIFA Weekly, revista semanal da entidade lançou cartilha para turistas que desejam vir à copa no Brasil. Nesta cartilha, os futuros turistas são alertados sobre como se portar no país da copa, além de, advertir sobre formas de convívio e relacionamento com os brasileiros.
Com título “Brasil para principiantes”, a reportagem alerta aos turistas com precauções em relação ao período que irão passar no Brasil. Filas, contato físico, topless, paciência, são alguns dos tópicos tratados na cartilha. Os pontos da cartilha trazem uma visão preconceituosa a respeito do Brasil, tratando os populares como mal educados. Notamos com isso, que na cartilha há uma generalização comportamental dos brasileiros. Confira a seguir a cartilha com as instruções aos turistas.
1.      Sim nem sempre significa sim
     Os brasileiros são otimistas e nunca começam uma frase com a palavra "não". Para eles, "sim" significa na realidade “talvez”. Quando disserem "Sim, eu te ligo", é melhor que não espere que o telefone toque nos próximos cinco minutos.

2.       Horário flexível
     A pontualidade é um conceito muito flexível no Brasil. Quando marcar com alguém, ninguém espera que estará no lugar combinado na hora exata. O normal é contar com uns 15 minutos de atraso.

3.      Contato físico
      Os brasileiros e as brasileiras não estão familiarizados com o costume da Europa de manter distância como norma de cortesia e conduta. Eles falam com as mãos e não evitam de tocar o interlocutor. Isso pode facilmente se transformar em um beijo se a conversa estiver ocorrendo em uma discoteca, por exemplo.

4.       Fazer fila
      A paciência na hora de esperar não é uma das principais virtudes dos brasileiros. Por exemplo, não existe uma "fila mecânica" como na Inglaterra. Os brasileiros preferem ser inteligentes, sempre se arranjando para chegar na frente.


5.      Moderação
      Quem se animar a ir a uma churrascaria deverá praticar jejum de 12 horas e maneirar na hora de comer, já que as melhores carnes chegam na parte final.


6.       A lei do mais forte
       A regra que dá direito à preferência dos carros no trânsito é simples: o veículo maior passa na frente.


7.       Proibido fazer topless
    A imagem das mulheres com pouca roupa, tão típica no carnaval, pode ser enganosa e é diferente da realidade. É certo que os biquínis brasileiros têm menos pano que os europeus, mas as brasileiras nunca os tiram na praia, onde fazer topless é proibido e pode resultar em prisão.

8.       A língua espanhola não vale
    Os turistas que tentarem se comunicar em espanhol terão a sensação de estar falando com as paredes. A língua nacional do país é o "brasileiro", uma variável do português. Quem falar que Buenos Aires é a capital do Brasil, pode estar seguro de que será deportado imediatamente.


9.       Experimentar o 'açaí'
   As bacias da Amazônia fazem maravilhas: previnem as rugas e têm o mesmo efeito de uma bebida energética. Algumas mordidas podem recuperar o jogador de futebol mais cansado.


10.   Paciência
     No Brasil é muito comum fazer as coisas no último minuto. A recomendação aos turistas é que tenham muita paciência. No final, tudo estará pronto a tempo. Isso pode ser aplicado aos estádios. A filosofia dos brasileiros na vida pode ser resumida com a seguinte frase: "relaxa e aproveita."


Após má repercussão da reportagem, a FIFA retirou a matéria do ar. Neste sentido, podemos notar como aspectos esportivos que evolvem megaeventos estão diretamente ligados a politica, economia, relações internacionais, cultura e etc. Assim, fica evidente  como os discursos políticos giram em torno dos aspectos positivos dos megaeventos, tal como legado da Imagem do Brasil tratado no livro “Legados dos megaeventos esportivos”, uma org. que traz no corpo do texto algumas questões relacionadas aos megaeventos no Brasil. Os legados da imagem do Brasil, tratados no livro dão conta de aspectos como: “projeção da imagem do país; projeção da imagem da cidade-sede dentro e fora do país, considerada como cultura urbana; projeção de oportunidades econômicas e de serviços que o país poderá oferecer; nacionalismo e confiança cívica, bem como o orgulho regional e nacional”(DACOSTA et al., 2008, p.49).  No entanto o que se vê, dentro e fora do país, são críticas relacionadas ao comportamento cultural brasileiro, além de outros aspectos tais como andamento das obras, violência, transporte público/ mobilidade urbana, gastos. Assim, é de conhecimento de todos que a FIFA – entidade organizadora da copa do mundo – vem fazendo duras críticas ao Brasil em relação ao andamento dos estádios, e construções de aeroportos, transporte público e mobilidade, assim não é de se estranhar mais este ataque que a entidade faz ao país sede. Destarte, ficam as reflexões acerca da imagem do Brasil para os turistas que aqui vierem, a considerar esta cartilha e outras que possam surgir até o final da copa aqui no Brasil.


Revista FIFA(reprodução)

terça-feira, 11 de março de 2014

Motrivivência - chamada para seção temática: 10 anos de diretrizes curriculares...

A revista Motrivivência está divulgando uma chamada de artigos para compor a Seção Temática da edição n. 43, com previsão de publicação em dezembro/2014.
Tema: 10 anos das diretrizes curriculares para os cursos de formação de professores e de bacharéis em Educação Física. O que mudou? No que avançamos? Que limites persistem? É possível ir além? O que ainda é preciso fazer? Que embates permanecem?
Submissão: até 30/julho/2014
Ementa: Nos primeiros anos da década passada, foram editadas as Resoluções do CNE nº 01/2002 e 07/2004, que definem, respectivamente, as diretrizes curriculares para a formação de professores da educação básica (entre esses, os licenciados em Educação Física) e as diretrizes dos cursos de graduação (bacharelado) em Educação Física. Naquele momento, grandes embates envolvendo o CBCE, o MEEF e o CONFEF tiveram lugar sob os auspícios do MEC e CNE. Para alguns, uma reforma conservadora; para outros, o avanço possível; para outros mais, a conquista de espaços... E hoje? Passados os primeiros dez anos da definição dessas diretrizes, como os currículos dos cursos de Educação Física as interpretaram e implementaram em seu cotidiano? Quais são os concretos e possíveis avanços? Quais as repercussões destes no cotidiano da Educação Física escolar no ponto de vista do processo ensino-aprendizagem? O que dizem as pesquisas curriculares sobre as consequências das mudanças realizadas? Como os novos perfis profissionais estão sendo buscados e qual sua absorção pelo campo profissional? O que ainda precisa ser feito para a formação de professores e bacharéis mais competentes e críticos, sobretudo do ponto de vista das relações entre teoria e prática? Revisões das diretrizes curriculares são necessárias? Consideramos relevante pensarmos a formação que vimos promovendo nestes últimos dez anos, sob o impacto das novas diretrizes curriculares. Este é o convite que a editoria da Motrivivência faz aos pesquisadores da área para compor sua próxima seção temática.  Aguardamos suas contribuições. São todos muito bem-vindos.

domingo, 9 de março de 2014

O racismo como “habitus”, por Marcos Rolim (Jornalista)

Colegas do blog,
Compartilhando aqui no blog um texto interessante de Marcos Rolim, publicado em Zero Hora!
O esporte sempre mostrando possibilidades para percebermos melhor quem somos nós!
Boa leitura e na esperança de dias melhores...


09 de março de 2014 | N° 17727

ARTIGOS

O racismo como “habitus”, por Marcos Rolim*

Na época da ditadura militar, foi ensinado nas escolas que o Brasil era a maior democracia racial do mundo. A ideologia havia sido formada antes, em outra ditadura, no Estado Novo, já sob o impacto da II Guerra e do nazifascismo. A ideia de que não havia racismo no Brasil era, assim, funcional para projetar nossa imagem em um cenário internacional onde os desdobramentos do racismo e do ódio haviam se tornado evidentes. Os defensores do mito da democracia racial brasileira buscaram argumentos na obra de Gilberto Freyre, talvez o mais influente e prestigiado intelectual em toda nossa história. Tanto quando compreendo Casa Grande & Senzala, não se pode atribuir esta noção a Freyre, embora se saiba que ele próprio a legitimou quando, para infortúnio de sua biografia, apoiou o golpe de 64, denunciou subversivos e manteve cordial relação com os militares. A miscigenação é uma das nossas mais importantes características como nação e parece verdadeiro afirmar que o ódio racial não encontrou entre nós espaços para fenômenos como a Ku Klux Klan ou movimentos de supremacia branca. Não há a menor dúvida, entretanto, que o Brasil é um país racista.

A dificuldade em reconhecer o racismo como um problema central no Brasil deriva do fato de que o tipo de preconceito racial prevalecente em nossa cultura foi recalcado. Todos sabem que o racismo é a expressão de um mal e não há quem sustente sua prática. Entretanto, sempre que brancos ofendem negros, o tema da cor e da etnia emerge em sua linguagem assassina.

Bourdieu explicaria esse tema com o conceito de “habitus”. Para ele, carregamos um sistema de disposições duráveis e, em larga medida, inconscientes, que nos oferece uma matriz de percepções. O processo diz respeito à dinâmica pela qual a sociedade se deposita nos indivíduos – ainda que eles disso não tenham notícia. O resultado é um “filtro” que condiciona nosso olhar sobre o mundo e nossas respostas. No Brasil, temos um “habitus” racista, resultado de três séculos de escravidão. Quando torcedores chamam jogadores e juízes de “macacos”, quando imitam os símios e jogam bananas para os negros, estamos diante de uma matriz histórica pela qual nos identificamos com os capitães do mato e com os feitores. Se perguntados, os agressores não irão se declarar “racistas”. Talvez até acreditem mesmo que não o são e que as ofensas praticadas no estádio de futebol se justifiquem pelo “contexto”.

O contexto verdadeiro, entretanto, é o da vergonha, razão pela qual a postura de pessoas como o árbitro Márcio Chagas e como os jogadores Tinga e Arouca, para citar apenas três vítimas do racismo, deve ser amplamente elogiada. Eles vieram a público para denunciar a imbecilidade e exigir o respeito que todos merecem. Estão com toda a razão. Se aceitarmos esse tipo de prática, o Brasil corre o risco de ser governado por gente como o deputado federal Luis Carlos Heinze (PP) e, então, será tarde demais para quilombolas, índios e homossexuais. A propósito, li que haverá atos “em desagravo” ao deputado. Sugiro Wagner na trilha sonora e marchas com passo de ganso.
*Jornalista
 
http://www.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a4440326.xml&template=3898.dwt&edition=23874&section=1012