quinta-feira, 25 de julho de 2013

Doping, drogas e deuses - Reflexões de Roberto Emmanuel Nascimento Santos

Colegas do blog!
Segue, abaixo, as reflexões do acadêmico Roberto Emmanuel Nascimento Santos, do curso de Música, aqui da Universidade Federal de Sergipe, que juntou-se a nós para discutir mídia esportiva.

As opiniões de vocês são sempre bem-vindas ao debate!

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Doping, drogas e deuses - Roberto Emmanuel Nascimento Santos



Uma receita básica para atrair e colher os frutos da mídia é transformar o esporte em um espetáculo, onde os princípios básicos fundamentados são amplamente esquecidos. O mais difícil nessa receita é fazer com que essa “transformação” não seja perceptiva aos olhos do público, que, em tese, deve continuar a ter uma visão romântica sobre um esporte em que exemplos de princípios morais são construídos.

Tudo isso nos gera um paradoxo, onde o esporte se transforma em um espetáculo formado por atores que interpretam “deuses”, onde o script o qual preza os conceitos morais da sociedade deve ser sempre seguido. Mas irei lhes mostrar que interpretar durante uma vida inteira é impossível.

Doping no esporte de forma simplificada: uma substância proibida, altamente julgada pela sociedade e usada por quase todos atletas de elite.  Recentemente, foi divulgado na mídia diversos atletas pegos no exame antidoping, entre eles o ex-recordista mundial Asafa Powell e Tyson Gay, este último detentor das 3 melhores marcas do 100 metros em 2013. Com essa oportunidade de audiência, escândalo e espetáculo diferenciado em mãos, a mídia não perdeu tempo em destruir a imagem daqueles que um dia glorificaram como “deuses” esportivos. Basta um trecho de “Versos Íntimos”, de Augusto dos Anjos, para exemplificar essa relação de altos e baixos entre a mídia e o esporte: “O beijo, amigo, é a véspera do escarro. A mão que afaga é a mesma que apedreja”.

Para ser mais especifico em relação aos dados, na corrida dos 100 metros rasos, entre os atletas das 10 melhores marcas, os exames antidoping de 7 deles deram positivos. Enquanto aos atletas do ciclismo da famosa “Volta da França”, 16 atletas dos 21 que ocuparam o pódio foram pegos no exame antidoping. Diversos jogadores idolatrados, entre eles Giba (vôlei) e Maradona (futebol), alimentaram o tráfico de drogas como maconha e cocaína.

A conclusão é que a mídia tenta mover nossa sociedade aderindo discípulos que glorificam a imagem de atletas, atores de novela, apresentadores de televisão, músicos, celebridades instantâneas, entre outros: não julgo a espetacularização que é formada por ela (mídia), mas a hipocrisia que gera todo esse processo, onde não só os esportistas, mas todos que estão nesse meio são doutrinados a criar uma falsa imagem sobre si próprios, transmitindo para os mais críticos ou reflexivos, uma falta de credibilidade a todo esse sistema.

Porém, somente criticar a mídia não é suficiente, devemos compreender que todo esse sistema midiático e apelo dos atletas para o uso de substâncias proibidas é apenas um reflexo de nossa sociedade, onde no trabalho, relacionamento, escola ou vida social em geral, somos sempre cobrados pelo sucesso, vitória e imponentes resultados. Para enfrentar essa rotina cansativa cotidianamente encontramos a importante companhia de um aliado em substâncias como: cafeína, ácido acetilsalicílico (aspirina), antidepressivos, estimulantes sexuais, cannabis, bebidas alcoólicas, entre outras. Tanto o atleta quanto qualquer indivíduo que tenta seguir essas expectativas, prefere pagar o preço deixando a margem sua saúde física/mental e os seus controversos princípios morais formados em sua vida.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

“Uma viagem pela política e o esporte” - Laise Matos Lima

Colegas do blog,
Apresentamos o primeiro texto da disciplina de "Educação Física, Esporte e Mídia" (Licenciatura em Educação Física/UFS) deste primeiro semestre de 2013. Quem estreia por aqui é a Laise Matos Lima, com suas reflexões sobre esporte e política.

Boa leitura e que o diálogo se intensifique!

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“Uma viagem pela política e o esporte”
Laise Matos Lima

Uma relação entre a vitória da seleção da brasileira de futebol na Copa das Confederações e as manifestações populares no Brasil no ano de 2013

O futebol é um dos esportes mais praticados e conhecidos no mundo. Este é um esporte de fácil acesso, uma vez que, basta se ter uma bola, equipes para jogar e traves, que em qualquer lugar crianças e adultos podem se divertir com o futebol. O Brasil é conhecido como “o país do futebol” e não é à toa. É o único país que esteve presente em todas as Copas do Mundo, sendo também o recordista em conquistas (cinco); seus jogadores são reconhecidos e admirados mundialmente; e as torcidas fanáticas enchem os estádios com muita festa e música. Assim, o futebol no Brasil passa a se tornar como um elemento de identidade do brasileiro.

No ano de 2013 acontece algo inesperado. Revoltosos com o descaso do serviço público e inconformados com os gastos do dinheiro público para a Copa das Confederações da FIFA, eis que o povo sai às ruas do país para fazer manifestações. Pessoas resolvem fazer manifestações por todo o país reivindicando contra o aumento das passagens de ônibus, contra a PEC 37 que pretende limitar o poder de investigação criminal a policias federais e civis retirando-o do Ministério Público dentre outras organizações, contra o empobrecimento dos serviços públicos (saúde, educação, transporte público), e principalmente contra a corrupção no Brasil.

O que marcou a Copa das Confederações no Brasil foram as manifestações populares que, a cada dia que passava, tomaram mais e mais conta das ruas das cidades brasileiras.
Enquanto há duas semanas antes da Copa das Confederações a seleção brasileira de futebol era completamente desacreditada - com o país totalmente tomado por manifestantes contra a política no Brasil, contra os descasos no país – na final da Copa, no Maracanã, eis que a seleção é campeã. Coincidência ou não? Teria o resultado final do jogo sido manipulado? Como ficaria a situação do governo caso a seleção brasileira de futebol perdesse esse jogo? Já parou para pensar nisso?

É preciso ter uma visão crítica dos acontecimentos para não cair, muitas vezes, nas armadilhas expostas pela mídia, pelo governo. O papel da mídia não é somente levar informação ao povo, mas também levar ao povo aquilo que os poderosos querem que seja levado. A mídia passa pelo processo de manipulação, tanto que, por exemplo, certa emissora de TV só vai transmitir o que eles acham conveniente, o que eles tem permissão do governo para transmitir e não o que acontece de fato por todo país – enquanto eles transmitem as manifestações, percebe-se que o foco da transmissão está nos vandalismos feitos por poucos, e não na manifestação em si. Este é um exemplo muito simples para ver que existe uma manipulação dos conteúdos sim.

E no esporte, seria isso diferente? Tendo o governo direta/indireta influência nos acontecimentos do país como um todo, ele bem que possui poder suficiente para alterar, para manipular o resultado final de jogo, da mesma forma que faz com a mídia.
Pensando na influência que o futebol exerce sobre a população brasileira, fazendo correlação com a influência do governo na mídia, com as manifestações que aconteceram durante toda a Copa das Confederações ocorridas no Brasil, pensando no que teria acontecido entre governo e povo, caso a seleção brasileira de futebol perdesse a final da Copa para a seleção espanhola, eis que fica a questão: O resultado final do jogo teria sido manipulado ou não?

sábado, 6 de julho de 2013

A pauta das redes sociais vem da mídia tradicional? Segundo os gigantes... sim!

Observadores midiáticos,

A Folha publicou nessa semana que passou uma interessante estatística sobre a pauta que andou circulando nas redes sociais durante o acontecimento das manifestações por todo o Brasil. Segundo levantamento de agências especializadas em estatísticas do mundo virtual 80% das postagens vinculadas aos protestos no Twitter durante os dias de fervor vieram da mídia tradicional brasileira. Abaixo um pouco dos dados que eles publicaram na reportagem:

Esses dados nos dão um mínimo indicativo de quem, de certa forma, induz a pauta social e de que maneira ela pode ser interpretada e entendida pela rede de sentidos atribuídos pelos sujeitos.

Não prometo conseguir, mas todos os esforços da pesquisa que estou desenvolvendo nesse momento com alunos da graduação em Educação Física aqui da UFSC serão direcionados para tentar entender os sentidos que estes alunos, navegantes das redes sociais, especificamente do Facebook, atribuem ao conteúdo veiculado pela mídia e aos fatos sociais, no nosso caso no que diz respeito aos manifestos sobre a Copa no Brasil.


Seguimos observando!

"Depois do apito final" na TV UFSC

Aproveitando o ensejo para reflexões sobre o que foi no Brasil a Copa das Confederações e o que promete vir a ser a Copa do Mundo de 2014, amanhã será exibido na TV UFSC o documentário "Depois do apito final", que assistimos oportunamente em uma de nossas reuniões do grupo em Florianópolis. Trata-se de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) produzido por Carolina Dantas e Gian Kojikovski, do curso de Jornalismo da UFSC, que pretende mostrar as várias faces da mesma moeda do megaevento esportivo "padrão FIFA" que teve como sede em 2010 a África do Sul. O documentário aborda por meio de entrevistas o pós-evento, como os impactos na população, os interesses econômicos, expectativas, frustrações e explorações. Para quem tem acesso à TV UFSC, pode ser uma boa substituição aos programas dominicais noturnos.

Mais informações sobre a programação em http://www.tv.ufsc.br/

sábado, 22 de junho de 2013

Continuem vaiando, Brasil!

Apenas para não deixar passar em branco, vejam mensagem de Andrew Jennings aos brasileiros, a respeito das manifestações públicas recentes em cuja pauta se inclui a contrariedade de parte do nosso povo com as exigências da FIFA e os custos bancados pelo governo:

http://www.apublica.org/2013/06/andrew-jennings-continuem-vaiando/

sexta-feira, 21 de junho de 2013

domingo, 16 de junho de 2013

Os tigres desdentados, mas sempre tigres!

A propósito da mensagem anterior, do Diego, alertando para o processo violento e repressor que o Estado nacional vem promovendo nas ultimas semanas, incluídos aí os protestos contra os gastos publicos com a Copa (discordar é proibido?), transcrevo abaixo um artigo do Marcos Rolim, publicado na Zero Hora (acesso não disponível).
Giovani



ZH, 16 de junho de 2013 | N° 17463
ARTIGOS
A democracia e os tigres, por Marcos Rolim*
O Brasil vive seu mais longo período democrático. Desde a Constituição de 1988, são 25 anos ininterruptos de liberdade política. Antes disto, tivemos a ditadura e uma sucessão de golpes e crises políticas que acompanharam todo o percurso republicano. Com a régua da história, 25 anos é um piscar de olhos. Tempo muito curto para que uma tradição de tolerância se firme e os valores da paz se disseminem. Também por isso, não temos cultura democrática.

A democracia não é o “regime da maioria”, mas o regime das diferenças e do seu contraste público. O que faz a ordem democrática são os debates criteriosos e as manifestações. A lógica das liberdades, afinal, é aquela fundada na divergência, não no consenso. Aliás, quanto mais completa for a dominação e quanto mais totalitário for o regime político, maior será o “consenso” aparente entre os dominados. Nestes casos, medo e alienação se somam, consagrando a postura dos súditos (como na Coreia do Norte, por exemplo). As Repúblicas democráticas, pelo contrário, produzem cidadãos.

Nelas, o soberano não é o rei, o “Generalíssimo” ou o “Guia Infalível dos Povos”, mas o povo. Por isso, a primeira divergência que instaura a democracia é aquela das minorias diante da lei ou das opções políticas dos governantes. Afinal, um povo que não se dispõe a lutar pelo que entenda ser o seu direito é pouco mais que um ajuntamento, uma reticência, uma perplexidade em si.

No Brasil, é comum que os tigres comecem a rugir quando os de baixo se movem. Eles pedem que o Estado reprima os movimentos sociais porque, afinal, as coisas “já estão demais”. O Estado que temos – avesso da experiência democrática – é sensível a esse tipo de apelo e não lhe faltam jagunços para ordenar o espancamento, a humilhação ou o disparo contra pessoas desarmadas como acabamos de ver em São Paulo. Entre os manifestantes, por seu turno, há pequenos grupos irresponsáveis que se imaginam “revolucionários” quando quebram vidraças. Eles não são os movimentos, entretanto, e não representam mais do que seus próprios pesadelos.

Um regime democrático não deve tolerar jagunços, nem irresponsáveis. O primeiro passo para isto é não confundir os policiais com os violadores, nem os manifestantes com os vândalos. Uma polícia profissional e cidadã protege o direito público à manifestação e intervém criteriosamente para assegurar os direitos de todos, inclusive daqueles que não estão na manifestação. Manifestantes comprometidos com a democracia, por seu turno, devem isolar os que se aproveitam dos movimentos sociais e que, por ausência de pensamento, portam-se como agentes provocadores.

É a carência de cultura democrática – não o “excesso de democracia” – o que explica os absurdos que se repetem, o que não significa falta de novidades, vide as prisões por “porte de vinagre” em SP. No Brasil, quando a violência se instaura, só os tigres são felizes. É preciso estar alerta para identificar seus sorrisos desdentados.

*Jornalista, Advogado e Professor

sábado, 15 de junho de 2013

Protestos e presos: Começa a Copa da Confederações no Brasil

Neste exato momento, 13:00h, menos de duas horas para iniciar a primeira partida das Copas das Confederações no Brasil, em frente ao Mané Garrincha, em Brasília, manifestantes protestam contra os gastos públicos com estádios. Ontem, segundo blog do Juca, os primeiros presos da Copa foram contabilizados, também em Brasília, após manifesto promovido por integrantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) que protestam contra as desapropriações ocasionadas em todo país em função das obras para Copa, financiadas quase que exclusivamente pela iniciativa pública. Observemos agora como nossos policiais e políticos lidarão com os manifestos, como a mídia(local e internacional) noticiará ou silenciará tais ações populares e, por fim, quais serão os gritos e ordens da Fifa aos nossos governantes. É Brasil, já dizia a canção: "Mostra tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim. Qual é o teu negócio? Qual o nome do teu sócio?"

Observemos...

Notícia sobre os primeiros presos da Copa http://blogdojuca.uol.com.br/2013/06/o-primeiros-presos-da-copa/

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Atletas na escola a caminho da Copa (e dos Jogos Olímpicos)?



O professor Giovani, em comentário sobre o post anterior que tratava das "amnésias" que pairam sobre os megaeventos esportivos no Brasil, deu a dica de dois elementos importantes que contribuem para a formação de uma consciência mais crítica a respeito deste cenário atual.

O primeiro deles é o vídeo "A caminho da Copa", que trata da remoção das famílias para as obras no Rio. O vídeo pode ser assistido abaixo.




O segundo, são os absurdos do programa do Ministério da Educação chamado "Atleta na Escola". O próprio prof. Giovani refletiu aqui no blog de maneira profunda e indignada quando do lançamento oficial do programa em maio/2013. (Confira o post aqui).

Novamente voltamos às discussões sobre o que é o esporte "na" escola (o modelo da forte instituição esportiva com seus códigos e valores reproduzido nas instituições escolares), proposta retrógrada que cheira a naftalina e é a base do "Atleta na Escola"; e o esporte "da" escola (o esporte como um importante conteúdo cultural que deve ser pedagogizado e caminhar com os propósitos da escola). 

O esporte é um dos importantes conteúdos da Educação Física (e de outras disciplinas). Precisamos pedagogizá-lo considerando suas múltiplas dimensões (e relações). Ensinar e aprender sobre o fenômeno esportivo é praticá-lo, conhecer técnicas, regras, táticas. Mas é também reconhecê-lo como uma possibilidade de lazer, buscar entender suas associações com os discursos de saúde, com interesses políticos, econômicos, ideológicos. É compreendê-lo como produto midiático. É refleti-lo criticamente discutindo, por exemplo, as implicações da organização de um megaevento esportivo que segrega uma considerável parcela da população ao mesmo tempo em que, de forma estrondosa, onera os cofres públicos em benefício de interesses privados.

Atletas são formados com especialização extrema e precoce, com alta tecnologia, com um processo rigoroso de seleção e, consequentemente, exclusão. Que sejam formados nossos atletas futuros heróis nacionais! Mas não nas nossas escolas.


Para nos aprofundarmos nesta discussão sobre o lugar do esporte na escola, vale a pena retomar alguns textos:





quarta-feira, 12 de junho de 2013

As amnésias dos megaeventos esportivos no Brasil: "O Rio esquecido", "Onde está o Mundial?"

Nesta semana de abertura da Copa das Confederações - que também traz a marca dos 365 dias que nos separam do Mundial da FIFA -, dois textos publicados na imprensa nacional são muito oportunos para refletirmos sobre a organização dos megaeventos esportivos no Brasil: seus impactos, legados, efeitos colaterais, absurdos. Em ambos, denúncias de amnésia: a cidade do Rio que tem boa parte da sua população esquecida e posta à margem dos investimentos dos megaeventos; as promessas de um Mundial que não sabemos onde está.

O primeiro texto é a reportagem de capa da Carta Capital: "O Rio Esquecido/Cidade Partida - A vasta porção da metrópole à margem dos investimento da Copa e das Olimpíadas".


A reportagem traz uma análise que aponta o risco iminente (em muito já concretizado) de que os altos investimentos de infraestrutura atendam apenas à parcela da população que mora nas áreas mais ricas da cidade, aprofundando a desigualdade econômica e social do Rio. Por exemplo, a nova linha 4 do metrô, com custo estimado em 8,5 bilhões, ligará a Barra da Tijuca à Zona da Sul. Enquanto isso, a linha 3, que aproximaria o subúrbio da região central da cidade, beneficiando milhões de trabalhadores que gastam até 6 horas por dia em deslocamentos, continua apenas no papel. Nas palavras irônicas de Sérgio Magalhães, presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil, "no Rio, o 4 vem antes do 3". A discrepância continua quando se contrapõem os investimentos feitos pela cidade em saneamento básico, segurança pública, urbanização, moradia, lazer.

O segundo texto é a coluna do jornalista esportivo Antero Greco, publicada no Estado de São Paulo (impresso e site):


Greco nos lembra que estamos a um ano da abertura da Copa (12 de junho de 2014, em São Paulo, às 17 horas, partida Brasil x A2) e coloca a pergunta: "Onde está o Mundial?". Os legados serão tímidos, as obras de infraestrutura quase não aconteceram, orçamentos foram estourados, novos estádios nascem já candidatos à elefantes brancos, a promessa do ex-presidente da CBF de que o evento seria financiado essencialmente pela iniciativa privada se mostrou "conversa para boi dormir". Greco ainda questiona e explicita em tom de denúncia o perfil das pessoas que estão à frente da organização do evento da Fifa:

"Quem comanda os preparativos? Um político de escola ufanista e estacionada nos anos 1970 que carrega a tiracolo pra todo canto seu pupilo e ungido para a sucessão. Um ministro que exalta as benesses do Mundial e não faz as cobranças que a sociedade exige. Um ex-atleta que acumula cargos de integrante do Comitê Organizador, garoto-propaganda, empresário e comentarista. E um francês que dá pitacos como se aqui fosse a casa da sogra".


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Curta: Copa 2014: Quem ganha com esse jogo?

Olá pessoal,



          Estou realizando minha primeira postagem no blog e trago um vídeo sobre o desalojamento de famílias no Rio de Janeiro e publicado no dia 27/05/2013. Como por exemplo, na Copa do Mundo em 2010, realizada na África do Sul, os despejos também aconteceram: “Nós temos que remover essa gente... Na cidade nós apenas precisamos de pessoas que são aptas para pagar” (Conselheiro municipal de Johanesburgo – África do Sul) [1].
      Contudo, podemos tentar compreendê-lo enquanto um campo de pesquisa da Educação Física e principalmente na representação destes eventos no âmbito educacional e social, com isso, outras questões devem ser pensadas quando o tema do debate são os megaeventos.





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[1] Discurso obtido através da fala do Prof. Gilmar Mascarenhas no XVII CONBRACE – 2011. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=g95_9DBToAg. Acessado em 23/05/2013

Fonte:

Este vídeo foi realizado com partes de vídeos gravados por moradores, videoativistas, mídias independentes e colaboradores da resistência contra a violação de direitos humanos no contexto internacional dos megaeventos.
www.portalpopulardacopa.org.br

terça-feira, 4 de junho de 2013

"vida real"

Intrigado.Ontem a midia televisiva parecia aduzir a ideia de que o “mundo ia parar“ diante da apresentação de Neymar ao barcelona.O poder simbólico, sem sombra de dúvidas,é deveras influente,uma vez que no mesmo momento em que o espetáculo acontecia,quantos anônimos não sucumbiam até mesmo por inanição? De acordo com a FAO(organização das nações unidas para a Agricultura e Alimentação),a cada minuto,12 crianças morrem de fome no mundo. Deve-se ressalvar que pode existir esperança,afinal foram apenas 50 mil espectadores no estadio,ao invés dos 100 mil especulados pela globo.
“Uns preocupados com o concurso mundial de misses.Outros,em tirar os irmãos debaixo das marquizes“.

E aí,com o que se preocupar?

domingo, 2 de junho de 2013

X Semana de Educação Física da UFS - Megaeventos esportivos: tensões e apropriações na Educação Física escolar

Prezados/as colegas que acompanham o blog!

É com satisfação que divulgamos as informações referentes à X Semana de Educação Física da Universidade Federal de Sergipe, com a temática "Megaeventos esportivos: tensões e apropriações na Educação Física escolar".

O evento ocorrerá nas dependências da UFS, campus São Cristóvão/SE, no período de 01 a 04 de julho de 2013, com conferências, mesas redondas, oficinas, lançamento de livros e sessão científica.

Todas as informações sobre o evento poderão ser visualizadas no blog:

http://10semanaedf.blogspot.com.br/

As inscrições são gratuitas e realizadas de maneira on-line. Informações sobre as mesmas na seção "Inscrições" do Blog.

O prazo de envio de trabalhos para a sessão científica é até dia 21 de junho.

Estão todos/as convidados/as!

domingo, 12 de maio de 2013

Seminário “Mapeando Controvérsias Contemporâneas: humanos e não-humanos na antropologia”

Infelizmente é no horário da reunião do LaboMídia/UFSC. Mas fica o registro do evento de amanhã organizado pelo GrupCiber (Antropologia no Ciberespaço).

O Seminário “Mapeando Controvérsias Contemporâneas: humanos e não-humanos na antropologia” será realizado no dia 13 de maio, das 18h às 22h, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH), organizado por Theophilos Rifiotis (Departamento de Antropologia da UFSC) e Jean Segata (bolsista de pós-doutorado do CNPq no PPGAS/UFSC).


Para quem quiser se aproximar das discussões, a página do GrupCiber reúne as produções do grupo e uma "biblioteca" com textos sobre a temática. As aproximações mais recentes com as teorias do Bruno Latour, em especial a teoria "Ator-Rede", abre perspectivas (ou pelo menos indica fronteiras) interessantes para a Educação Física.



Que cheiro de naftalina! Ou: eu nunca pensei que "voces" virariam "eles"! - Parte II

Outra notícia que me causou indignação foi o lançamento do programa Atleta na Escola. O factoide promovido pelo governo essa semana reuniu o ministro-maluquinho (aquele que adora um factoide, o Mercadante), o garoto-propaganda da Nike (o comunista - aí! - Aldo Rebelo) e o representante do Ministério da Defesa (?), general Fernando de Azevedo (mas não podia ter outro nome, que não ofendesse o célebre educador?).
Ora, dos dois ministérios - Esporte e Defesa (?) - a gente pode esperar qualquer coisa mesmo. No do Esporte, como sabemos, além da adesão incondicional do PC do B à máfia do esporte nacional (COB/CBF), que vem de longe, o objetivo é outro, tem a ver com convenio$, transferencia$, negociaçõe$... Na Defesa, a lógica do espírito militar garante obediência servil, portanto, abrir os quartéis para realizar disputas de atletismo não tem nada de excepcional.
Mas o Ministério da Educação, que já teve à frente um Cristóvão Buarque, embrenhar-se nessa palhaçada de detecção de talentos na escola, sob o argumento que isso será o legado que os megaeventos deixarão à cultura esportiva do país, é de doer! É a re-esportivização da Educação Física escolar em marcha...batida! Nos anos 70, com o argumento de que era preciso provar sermos uma potência mundial (na verdade, para abafar a resistência estudantil ao governo militar), a ditadura militar também usou esse discurso do esporte, por atos, decretos e ações. É impressionante como, nessa área, o governo Lula/Dilma segue tão  fielmente os passos da ditadura. Tornaram-se "eles" e ainda acham que são originais!    

Que cheiro de naftalina! Ou: eu nunca pensei que "voces" virariam "eles"! - Parte I

Uma série de notícias divulgadas na mídia nesta última semana me trouxe um misto de sentimentos, como incredulidade, "déjà vu", tristeza, etc. Na verdade, seria até risível não fosse trágico. Vou comenta-las em duas mensagens.

O primeiro é o lançamento da campanha institucional do Ministério do Esporte visando a Copa do Mundo, com o slogan A Pátria de Chuteiras, inspiração óbvia na obra do imortal (e conservador) Nelson Rodrigues. Para completar o cheiro da naftalina, a trilha da vinheta da campanha é o célebre "que bonito é!" (Na cadência do samba, de Waldir Calmon e Luiz Bandeira), também imortalizado, nos anos 70-80,pelo cinejornal  especializado em futebol (mas não só!), o Canal 100. 
Essa lógica saudosista, que sugere o resgate de um "tempo bom" para o futebol brasileiro, já tinha começado com a convocação dos dois técnicos campeões do mundo pela seleção (Parreira, 1994, para coordenador; Felipão, 2002, para treinador). Na demissão de Mano Menezes, responsável pela renovação (inacabada) da seleção, Marin, o deputado da ditadura dos anos 70, preferiu o pensamento mágico. 
Para completar, nessa semana, Felipão visitou a Escola de Educação Física do Exército, na Urca/RJ, afirmando que a primeira parte da preparação da seleção para a Copa das Confederações poderia ser lá. Nada mais anos 70! As instalações da ESEFEx foram a base da "seleção do tri", aquela dos "90 milhões em ação" e do "Ame-o ou Deixe-o!" Naquele tempo, futebol era questão de estado...militar! Nada mais normal para um cara que já disse que talvez Pinochet tivesse razão em fazer o que fez no Chile! Como o Parreira, que já estava lá, continua, só falta mesmo ressuscitarem o capitão Claudio Coutinho! E tudo isso num governo PT-PCdoB, com uma presidenta torturada... por "eles"! Por isso, nunca pensei que voces virariam eles! 

sábado, 11 de maio de 2013

Sobre o tempo (Memórias de uma mesa redonda)


Quando recebi o e-mail convite para participar da mesa redonda sobre Mídia-educação no I Lincom[1], não hesitei um segundo em aceitar a tarefa e nem cinco minutos, em meio ao (dito) instantâneo retorno da correspondência digital (um pequeno ritual que envolve abrir a caixa para a resposta, escrever a mensagem, ler, reler, conferir com a ferramenta de correção, confirmar o destinatário e, ufa!, enviar a mensagem) para replicar a solicitação. Mas demorei alguns dias para entender o porquê desta rapidez. E após longas e perniciosas indagações, algumas noites de insônia e uma coleta intensa de opiniões sobre “como participar de uma mesa redonda”, a resposta que tanto procurava apareceu em um instante.

O caminho para Caiobá e Matinhos de balsa
Alcançar os detalhes em meio a correria diária e encontrar o Eldorado perdido são, hoje, tarefas análogas. E no ambiente acadêmico (ok, não só nele), falar do tempo virou um “mantra”. Convenhamos, nada mais esquizoide do que um tema ascético para sacralizar um momento de inconformidade coletiva relacionada ao tempo, ou a falta dele. Mas ao (re)converter o sentido, eis que o significado cintila como o sol espelhado no balanço marítimo do canal. Dias de dúvidas e questionamentos resolvidos em um suspiro (o primeiro de muitos). Era o anúncio de que aquele momento prometia agradáveis reflexões.

Logo imagino ter conseguido localizar algumas razões para desconfiar das lamúrias sobre a falta de tempo. Em apenas um dia vivi as descobertas e desalentos de um curioso menino que me convidou a assistir, nas tardes de sua infância, aos seus filmes trash favoritos; dancei, cantei e me entreguei às batidas adornadas pelas imagens dos videoclipes preferidos de um jovem inquieto e festivo, que me escancarou as portas de sua casa, já assoberbada de convidados ilustres (livros, filmes, discos, brinquedos, lembranças, paisagens); e viajei das gélidas sensações de uma madrugada desértica ao topo de cordilheiras nevadas, sensações retratadas e recontadas a cada acesso. Pouca coisa?

Entrada da UFPR Litoral
Também entendi que a acolhida intervém positivamente nos processos (nesses tempos em que executar é mais do que de experienciar, a necessidade de afirmação desfaz a redundância), e retoma seu sentido de arte e arrebatamento. Na tenda, que traz dentro de si o mar que nos envolve, vejo o amparo da plateia contemplativa e por isso mesmo admirada. E o tempo mais uma vez se dilata, tal o vislumbrar do horizonte emoldurado. É o olhar que em um só movimento percebe o andar ladino de um cachorro ambientado, varre expressões e enxerga nelas um agrado, no momento exato que se vê em certa delícia. Naquelas céleres duas horas e meia, a percepção de estar diante do que o sábio professor apontou como o que de melhor existe na academia, que em meio à aceleração do tempo, por vezes esquecemos: o prazer da "gratuidade" do debate[2].

Afinal, acabo por perceber que uma possível relatividade temporal pode estar ligada ao afeto, da qual se referiu o aluno ao questionar a possibilidade afetiva na relação com as mídias. E penso que estar ou sentir-se afetado admite também o sentido de ser atingido. Uma relação que faz o corpo mexer, tal a toada repetida ao infinito, a tremura das mãos no momento da exposição, o aperto no estômago nas intermináveis noites de insônia. Afetação que precede a ação. Na relação com as mídias (ou, dizem alguns, por causa delas) o tempo corre. Mas se ali o tempo incide, também com elas o corpo responde, participa. E só pude percebê-lo porque vivi. E vivendo, senti, conheci.

“À medida que ocorrem alterações no seu corpo, você fica sabendo de sua existência e pode acompanhar continuamente sua evolução. Apercebe-se de mudanças no estado corporal e segue seu desenrolar durante segundos ou minutos. Esse processo de acompanhamento contínuo, essa experiência do que o corpo está fazendo enquanto pensamentos sobre conteúdos específicos continuam a desenrolar-se, é a essência daquilo que chamo sentimento.” (DAMÁSIO, 2012, p. 140)


Uma das "salas" do Messa



[1] Seminário de Linguagens, Mídias e Educação, 6 a 10/05, UFPR Litoral. Mesa realizada no dia 09 com a participação de Lyana de Miranda, Rodrigo Ferrari e Gilson Cruz, sob a acolhida e coordenação de Fábio Messa.

[2] Fala de Paulo Fenterseifer, em aula realizada em abril de 2013, na UFSC.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Dossiê Mídias e Educação - Revista Atos de Pesquisa em Educação/FURB

Aos colegas que acompanham o blog, divulgo a publicação do dossiê "Mídias e Educação", pela Revista Atos de Pesquisa em Educação da FURB, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Educação daquela universidade.
Tratam-se de textos - ensaios, pesquisas e resenhas - que abordam as mídias na educação, a partir das mais diversas perspectivas teóricas e com um conjunto de autores/as das mais diversas regiões brasileiras, com presença de pesquisadora italiana.

Acessem e aproveitem á vontade!
http://proxy.furb.br/ojs/index.php/atosdepesquisa/issue/current/showToc

Os orgnizadores,
Cristiano Mezzaroba
Fabio Zoboli
Sergio Dorenski