sexta-feira, 12 de abril de 2013

Arthur Zanetti e Jogos Olímpicos: Os (des) investimentos na Ginástica Artística



Caros colegas, segue abaixo mais uma análise da mídia feita por estudantes da disciplina de Mídia e Educação Física da UFSJ.

 Arthur Zanetti e Jogos Olímpicos: Os (des) investimentos na Ginástica Artística

Por: Giselle Resende, Isabela Flausino, Marcos Vinícius Ávila, Scheila Albano, Diego Henrique

Nos Jogos Olímpicos de 2012, realizado em Londres, o Brasil se destacou em algumas modalidades. Uma grande surpresa foi a medalha de ouro ganha por Arthur Zanetti, na modalidade de Ginástica Artística, nas argolas. Assim, o atleta entrou para a história brasileira por tratar-se da primeira medalha de ouro ganha nessa modalidade.


Na época, Arthur Zanetti, que antes era um desconhecido, passou a ter espaço em vários veículos midiáticos. Seu histórico de ginasta, sua rotina de treinos, fatos sobre seu treinador foram evidenciados durante várias semanas em programas de TV, internet, revistas, etc. Ficaram claras questões como as condições precárias de treinamento de Zanetti, muitas vezes por falta de investimento. Enfatizaram também a grande capacidade de superação por parte do atleta e seu técnico dos limites impostos. Em meio a isso deveria ser (?) esperado que as condições de Zanetti melhorassem, seja no sentido de valorização do próprio atleta e da modalidade no Brasil.
Agora no ano 2013 o ginasta não figura mais nos meios de comunicação como antes. No mês de Janeiro do mesmo ano foi divulgado no site da UOL uma matéria intitulada: Arthur Zanetti reclama de condições ruins de trabalho e ameaça deixar seleção se técnico não renovar”.  Na matéria é relatado que após as olimpíadas as condições do atleta continuam idênticas, além da falta de patrocinadores e de melhorias na infraestrutura nos locais de treinamento e, ainda, o contrato de seu treinador (Marcos Goto, que o treina há 15 anos) até então não havia sido renovado pela Confederação Brasileira de Ginástica. Vale ressaltar que ainda no ano de 2012 o treinador Marcos Goto foi eleito, juntamente com o técnico José Roberto Guimarães, o melhor técnico de 2012 pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro). (veja notícia aqui)
O blogueiro Alberto Murray Olímpico (do blog sobre o Movimento Olímpico) em uma das publicações direcionadas a essa matéria do site UOL, afirma que: O melhor que Arthur Zanetti e seu técnico teriam a fazer seria ir embora do Brasil, viver em algum lugar aonde pudessem encontrar excelentes condições de treinamento e concentrados em manter o bom trabalho que vêm fazendo”.
Nesse contexto, Arthur Zanetti é apenas um exemplo dos inúmeros casos de desvalorização dos esportes que não possuem caráter hegemônico no Brasil pela mídia, esportes que sem o mesmo reconhecimento são marcados pela falta de investimento e destaque.
Percebemos uma mudança expressiva na divulgação midiática a respeito desse atleta, que, primeiramente foi colocado em foco com sua vitória e a medalha olímpica inédita na categoria. Num segundo instante, o atleta entra em esquecimento nos grandes veículos midiáticos, até que é feito uma pequena reportagem na TV e, posteriormente, publicada em site da internet (UOL), informando as condições atuais do campeão olímpico sem apoio financeiro e estrutural.
Percebemos o poder das mídias em difundir noticias, definindo para o público o que é ou não importante segundo seus critérios e interesses.
A partir dessas reflexões e constatações surgem inúmeras indagações a respeito do investimento em atletas por parte da mídia, do valor de uma medalha olímpica e da própria ginástica e sua difusão no Brasil.

2 comentários:

Dimas disse...

Parabéns ao grupo pela postagem.Muito boa a percepção do grupo e levanta pontos interessantes para pensarmos.Realmente é lamentável a falta de interesse do governo em investir no esporte e não só investimento com objetivo de se obter resultados, mas um investimento pensando no bem estar da população.Por isso,discordo um pouco do grupo quando questiona o valor de uma medalha olimpica.Por exemplo:Vamos cobrar o tênis para as crianças, apenas se algum atleta brasileiro tiver um grande resultado neste esporte?
Acredito que a ginástica, bem como vários outros esportes menos televisionado, necessitam de um maior investimento, independente dos resultados em competições.
Muito bom o texto e a colocação que o grupo faz a respeito de como a mídia aborda ou deixa de abordar determinado assunto.

Silvan Menezes disse...

Pois é turma e Diegão,
Lamentável ver um "raro" campeão olímpico brasileiro em modalidades individuais com dificuldades para continuar o seu trabalho. O discurso esportivo da superação física, econômica e social para se tornar um vencedor vem forte da mesma maneira que em seguida, como num virar de páginas, leva embora um ícone. Já que estamos falando de ginástica é fácil e contemporâneo lembrar da Danielle Hipolito, da Daiane dos Santos, da Jade Barbosa, do Diego Hipolito, todos atletas que em algum momento dispontaram nos mundiais, foram expostos pelas marcas patrocinadoras, que por sinal se vangloriam por pagar um salário mínimo para estes atletas em troca de uma abonada isenção fiscal, e em seguida foram ridicularizados como incapazes de manter o rendimento de outrora, definhando até o esquecimento. Essa é a realidade do esporte no Brasil e, não se assustem, no Mundo. Mas essa capacidade de abandonar ícones do esporte que não trazem retorno para a indústria cultural do fenômeno esportivo se destaca no Brasil, muito pela fraqueza das políticas públicas de esporte. A privatização do esporte amador brasileiro foi maquiada pela criação de um Ministério que na verdade deixa a sua gestão burocrática e financeira nas mãos dos empresários do COB. Enfim... há muito para falar, refletir, criticar e até para os mais românticos, chorar!
Abraço,
Seguimos!