domingo, 16 de junho de 2013

Os tigres desdentados, mas sempre tigres!

A propósito da mensagem anterior, do Diego, alertando para o processo violento e repressor que o Estado nacional vem promovendo nas ultimas semanas, incluídos aí os protestos contra os gastos publicos com a Copa (discordar é proibido?), transcrevo abaixo um artigo do Marcos Rolim, publicado na Zero Hora (acesso não disponível).
Giovani



ZH, 16 de junho de 2013 | N° 17463
ARTIGOS
A democracia e os tigres, por Marcos Rolim*
O Brasil vive seu mais longo período democrático. Desde a Constituição de 1988, são 25 anos ininterruptos de liberdade política. Antes disto, tivemos a ditadura e uma sucessão de golpes e crises políticas que acompanharam todo o percurso republicano. Com a régua da história, 25 anos é um piscar de olhos. Tempo muito curto para que uma tradição de tolerância se firme e os valores da paz se disseminem. Também por isso, não temos cultura democrática.

A democracia não é o “regime da maioria”, mas o regime das diferenças e do seu contraste público. O que faz a ordem democrática são os debates criteriosos e as manifestações. A lógica das liberdades, afinal, é aquela fundada na divergência, não no consenso. Aliás, quanto mais completa for a dominação e quanto mais totalitário for o regime político, maior será o “consenso” aparente entre os dominados. Nestes casos, medo e alienação se somam, consagrando a postura dos súditos (como na Coreia do Norte, por exemplo). As Repúblicas democráticas, pelo contrário, produzem cidadãos.

Nelas, o soberano não é o rei, o “Generalíssimo” ou o “Guia Infalível dos Povos”, mas o povo. Por isso, a primeira divergência que instaura a democracia é aquela das minorias diante da lei ou das opções políticas dos governantes. Afinal, um povo que não se dispõe a lutar pelo que entenda ser o seu direito é pouco mais que um ajuntamento, uma reticência, uma perplexidade em si.

No Brasil, é comum que os tigres comecem a rugir quando os de baixo se movem. Eles pedem que o Estado reprima os movimentos sociais porque, afinal, as coisas “já estão demais”. O Estado que temos – avesso da experiência democrática – é sensível a esse tipo de apelo e não lhe faltam jagunços para ordenar o espancamento, a humilhação ou o disparo contra pessoas desarmadas como acabamos de ver em São Paulo. Entre os manifestantes, por seu turno, há pequenos grupos irresponsáveis que se imaginam “revolucionários” quando quebram vidraças. Eles não são os movimentos, entretanto, e não representam mais do que seus próprios pesadelos.

Um regime democrático não deve tolerar jagunços, nem irresponsáveis. O primeiro passo para isto é não confundir os policiais com os violadores, nem os manifestantes com os vândalos. Uma polícia profissional e cidadã protege o direito público à manifestação e intervém criteriosamente para assegurar os direitos de todos, inclusive daqueles que não estão na manifestação. Manifestantes comprometidos com a democracia, por seu turno, devem isolar os que se aproveitam dos movimentos sociais e que, por ausência de pensamento, portam-se como agentes provocadores.

É a carência de cultura democrática – não o “excesso de democracia” – o que explica os absurdos que se repetem, o que não significa falta de novidades, vide as prisões por “porte de vinagre” em SP. No Brasil, quando a violência se instaura, só os tigres são felizes. É preciso estar alerta para identificar seus sorrisos desdentados.

*Jornalista, Advogado e Professor

sábado, 15 de junho de 2013

Protestos e presos: Começa a Copa da Confederações no Brasil

Neste exato momento, 13:00h, menos de duas horas para iniciar a primeira partida das Copas das Confederações no Brasil, em frente ao Mané Garrincha, em Brasília, manifestantes protestam contra os gastos públicos com estádios. Ontem, segundo blog do Juca, os primeiros presos da Copa foram contabilizados, também em Brasília, após manifesto promovido por integrantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) que protestam contra as desapropriações ocasionadas em todo país em função das obras para Copa, financiadas quase que exclusivamente pela iniciativa pública. Observemos agora como nossos policiais e políticos lidarão com os manifestos, como a mídia(local e internacional) noticiará ou silenciará tais ações populares e, por fim, quais serão os gritos e ordens da Fifa aos nossos governantes. É Brasil, já dizia a canção: "Mostra tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim. Qual é o teu negócio? Qual o nome do teu sócio?"

Observemos...

Notícia sobre os primeiros presos da Copa http://blogdojuca.uol.com.br/2013/06/o-primeiros-presos-da-copa/

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Atletas na escola a caminho da Copa (e dos Jogos Olímpicos)?



O professor Giovani, em comentário sobre o post anterior que tratava das "amnésias" que pairam sobre os megaeventos esportivos no Brasil, deu a dica de dois elementos importantes que contribuem para a formação de uma consciência mais crítica a respeito deste cenário atual.

O primeiro deles é o vídeo "A caminho da Copa", que trata da remoção das famílias para as obras no Rio. O vídeo pode ser assistido abaixo.




O segundo, são os absurdos do programa do Ministério da Educação chamado "Atleta na Escola". O próprio prof. Giovani refletiu aqui no blog de maneira profunda e indignada quando do lançamento oficial do programa em maio/2013. (Confira o post aqui).

Novamente voltamos às discussões sobre o que é o esporte "na" escola (o modelo da forte instituição esportiva com seus códigos e valores reproduzido nas instituições escolares), proposta retrógrada que cheira a naftalina e é a base do "Atleta na Escola"; e o esporte "da" escola (o esporte como um importante conteúdo cultural que deve ser pedagogizado e caminhar com os propósitos da escola). 

O esporte é um dos importantes conteúdos da Educação Física (e de outras disciplinas). Precisamos pedagogizá-lo considerando suas múltiplas dimensões (e relações). Ensinar e aprender sobre o fenômeno esportivo é praticá-lo, conhecer técnicas, regras, táticas. Mas é também reconhecê-lo como uma possibilidade de lazer, buscar entender suas associações com os discursos de saúde, com interesses políticos, econômicos, ideológicos. É compreendê-lo como produto midiático. É refleti-lo criticamente discutindo, por exemplo, as implicações da organização de um megaevento esportivo que segrega uma considerável parcela da população ao mesmo tempo em que, de forma estrondosa, onera os cofres públicos em benefício de interesses privados.

Atletas são formados com especialização extrema e precoce, com alta tecnologia, com um processo rigoroso de seleção e, consequentemente, exclusão. Que sejam formados nossos atletas futuros heróis nacionais! Mas não nas nossas escolas.


Para nos aprofundarmos nesta discussão sobre o lugar do esporte na escola, vale a pena retomar alguns textos:





quarta-feira, 12 de junho de 2013

As amnésias dos megaeventos esportivos no Brasil: "O Rio esquecido", "Onde está o Mundial?"

Nesta semana de abertura da Copa das Confederações - que também traz a marca dos 365 dias que nos separam do Mundial da FIFA -, dois textos publicados na imprensa nacional são muito oportunos para refletirmos sobre a organização dos megaeventos esportivos no Brasil: seus impactos, legados, efeitos colaterais, absurdos. Em ambos, denúncias de amnésia: a cidade do Rio que tem boa parte da sua população esquecida e posta à margem dos investimentos dos megaeventos; as promessas de um Mundial que não sabemos onde está.

O primeiro texto é a reportagem de capa da Carta Capital: "O Rio Esquecido/Cidade Partida - A vasta porção da metrópole à margem dos investimento da Copa e das Olimpíadas".


A reportagem traz uma análise que aponta o risco iminente (em muito já concretizado) de que os altos investimentos de infraestrutura atendam apenas à parcela da população que mora nas áreas mais ricas da cidade, aprofundando a desigualdade econômica e social do Rio. Por exemplo, a nova linha 4 do metrô, com custo estimado em 8,5 bilhões, ligará a Barra da Tijuca à Zona da Sul. Enquanto isso, a linha 3, que aproximaria o subúrbio da região central da cidade, beneficiando milhões de trabalhadores que gastam até 6 horas por dia em deslocamentos, continua apenas no papel. Nas palavras irônicas de Sérgio Magalhães, presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil, "no Rio, o 4 vem antes do 3". A discrepância continua quando se contrapõem os investimentos feitos pela cidade em saneamento básico, segurança pública, urbanização, moradia, lazer.

O segundo texto é a coluna do jornalista esportivo Antero Greco, publicada no Estado de São Paulo (impresso e site):


Greco nos lembra que estamos a um ano da abertura da Copa (12 de junho de 2014, em São Paulo, às 17 horas, partida Brasil x A2) e coloca a pergunta: "Onde está o Mundial?". Os legados serão tímidos, as obras de infraestrutura quase não aconteceram, orçamentos foram estourados, novos estádios nascem já candidatos à elefantes brancos, a promessa do ex-presidente da CBF de que o evento seria financiado essencialmente pela iniciativa privada se mostrou "conversa para boi dormir". Greco ainda questiona e explicita em tom de denúncia o perfil das pessoas que estão à frente da organização do evento da Fifa:

"Quem comanda os preparativos? Um político de escola ufanista e estacionada nos anos 1970 que carrega a tiracolo pra todo canto seu pupilo e ungido para a sucessão. Um ministro que exalta as benesses do Mundial e não faz as cobranças que a sociedade exige. Um ex-atleta que acumula cargos de integrante do Comitê Organizador, garoto-propaganda, empresário e comentarista. E um francês que dá pitacos como se aqui fosse a casa da sogra".


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Curta: Copa 2014: Quem ganha com esse jogo?

Olá pessoal,



          Estou realizando minha primeira postagem no blog e trago um vídeo sobre o desalojamento de famílias no Rio de Janeiro e publicado no dia 27/05/2013. Como por exemplo, na Copa do Mundo em 2010, realizada na África do Sul, os despejos também aconteceram: “Nós temos que remover essa gente... Na cidade nós apenas precisamos de pessoas que são aptas para pagar” (Conselheiro municipal de Johanesburgo – África do Sul) [1].
      Contudo, podemos tentar compreendê-lo enquanto um campo de pesquisa da Educação Física e principalmente na representação destes eventos no âmbito educacional e social, com isso, outras questões devem ser pensadas quando o tema do debate são os megaeventos.





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[1] Discurso obtido através da fala do Prof. Gilmar Mascarenhas no XVII CONBRACE – 2011. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=g95_9DBToAg. Acessado em 23/05/2013

Fonte:

Este vídeo foi realizado com partes de vídeos gravados por moradores, videoativistas, mídias independentes e colaboradores da resistência contra a violação de direitos humanos no contexto internacional dos megaeventos.
www.portalpopulardacopa.org.br

terça-feira, 4 de junho de 2013

"vida real"

Intrigado.Ontem a midia televisiva parecia aduzir a ideia de que o “mundo ia parar“ diante da apresentação de Neymar ao barcelona.O poder simbólico, sem sombra de dúvidas,é deveras influente,uma vez que no mesmo momento em que o espetáculo acontecia,quantos anônimos não sucumbiam até mesmo por inanição? De acordo com a FAO(organização das nações unidas para a Agricultura e Alimentação),a cada minuto,12 crianças morrem de fome no mundo. Deve-se ressalvar que pode existir esperança,afinal foram apenas 50 mil espectadores no estadio,ao invés dos 100 mil especulados pela globo.
“Uns preocupados com o concurso mundial de misses.Outros,em tirar os irmãos debaixo das marquizes“.

E aí,com o que se preocupar?

domingo, 2 de junho de 2013

X Semana de Educação Física da UFS - Megaeventos esportivos: tensões e apropriações na Educação Física escolar

Prezados/as colegas que acompanham o blog!

É com satisfação que divulgamos as informações referentes à X Semana de Educação Física da Universidade Federal de Sergipe, com a temática "Megaeventos esportivos: tensões e apropriações na Educação Física escolar".

O evento ocorrerá nas dependências da UFS, campus São Cristóvão/SE, no período de 01 a 04 de julho de 2013, com conferências, mesas redondas, oficinas, lançamento de livros e sessão científica.

Todas as informações sobre o evento poderão ser visualizadas no blog:

http://10semanaedf.blogspot.com.br/

As inscrições são gratuitas e realizadas de maneira on-line. Informações sobre as mesmas na seção "Inscrições" do Blog.

O prazo de envio de trabalhos para a sessão científica é até dia 21 de junho.

Estão todos/as convidados/as!

domingo, 12 de maio de 2013

Seminário “Mapeando Controvérsias Contemporâneas: humanos e não-humanos na antropologia”

Infelizmente é no horário da reunião do LaboMídia/UFSC. Mas fica o registro do evento de amanhã organizado pelo GrupCiber (Antropologia no Ciberespaço).

O Seminário “Mapeando Controvérsias Contemporâneas: humanos e não-humanos na antropologia” será realizado no dia 13 de maio, das 18h às 22h, no auditório do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH), organizado por Theophilos Rifiotis (Departamento de Antropologia da UFSC) e Jean Segata (bolsista de pós-doutorado do CNPq no PPGAS/UFSC).


Para quem quiser se aproximar das discussões, a página do GrupCiber reúne as produções do grupo e uma "biblioteca" com textos sobre a temática. As aproximações mais recentes com as teorias do Bruno Latour, em especial a teoria "Ator-Rede", abre perspectivas (ou pelo menos indica fronteiras) interessantes para a Educação Física.



Que cheiro de naftalina! Ou: eu nunca pensei que "voces" virariam "eles"! - Parte II

Outra notícia que me causou indignação foi o lançamento do programa Atleta na Escola. O factoide promovido pelo governo essa semana reuniu o ministro-maluquinho (aquele que adora um factoide, o Mercadante), o garoto-propaganda da Nike (o comunista - aí! - Aldo Rebelo) e o representante do Ministério da Defesa (?), general Fernando de Azevedo (mas não podia ter outro nome, que não ofendesse o célebre educador?).
Ora, dos dois ministérios - Esporte e Defesa (?) - a gente pode esperar qualquer coisa mesmo. No do Esporte, como sabemos, além da adesão incondicional do PC do B à máfia do esporte nacional (COB/CBF), que vem de longe, o objetivo é outro, tem a ver com convenio$, transferencia$, negociaçõe$... Na Defesa, a lógica do espírito militar garante obediência servil, portanto, abrir os quartéis para realizar disputas de atletismo não tem nada de excepcional.
Mas o Ministério da Educação, que já teve à frente um Cristóvão Buarque, embrenhar-se nessa palhaçada de detecção de talentos na escola, sob o argumento que isso será o legado que os megaeventos deixarão à cultura esportiva do país, é de doer! É a re-esportivização da Educação Física escolar em marcha...batida! Nos anos 70, com o argumento de que era preciso provar sermos uma potência mundial (na verdade, para abafar a resistência estudantil ao governo militar), a ditadura militar também usou esse discurso do esporte, por atos, decretos e ações. É impressionante como, nessa área, o governo Lula/Dilma segue tão  fielmente os passos da ditadura. Tornaram-se "eles" e ainda acham que são originais!    

Que cheiro de naftalina! Ou: eu nunca pensei que "voces" virariam "eles"! - Parte I

Uma série de notícias divulgadas na mídia nesta última semana me trouxe um misto de sentimentos, como incredulidade, "déjà vu", tristeza, etc. Na verdade, seria até risível não fosse trágico. Vou comenta-las em duas mensagens.

O primeiro é o lançamento da campanha institucional do Ministério do Esporte visando a Copa do Mundo, com o slogan A Pátria de Chuteiras, inspiração óbvia na obra do imortal (e conservador) Nelson Rodrigues. Para completar o cheiro da naftalina, a trilha da vinheta da campanha é o célebre "que bonito é!" (Na cadência do samba, de Waldir Calmon e Luiz Bandeira), também imortalizado, nos anos 70-80,pelo cinejornal  especializado em futebol (mas não só!), o Canal 100. 
Essa lógica saudosista, que sugere o resgate de um "tempo bom" para o futebol brasileiro, já tinha começado com a convocação dos dois técnicos campeões do mundo pela seleção (Parreira, 1994, para coordenador; Felipão, 2002, para treinador). Na demissão de Mano Menezes, responsável pela renovação (inacabada) da seleção, Marin, o deputado da ditadura dos anos 70, preferiu o pensamento mágico. 
Para completar, nessa semana, Felipão visitou a Escola de Educação Física do Exército, na Urca/RJ, afirmando que a primeira parte da preparação da seleção para a Copa das Confederações poderia ser lá. Nada mais anos 70! As instalações da ESEFEx foram a base da "seleção do tri", aquela dos "90 milhões em ação" e do "Ame-o ou Deixe-o!" Naquele tempo, futebol era questão de estado...militar! Nada mais normal para um cara que já disse que talvez Pinochet tivesse razão em fazer o que fez no Chile! Como o Parreira, que já estava lá, continua, só falta mesmo ressuscitarem o capitão Claudio Coutinho! E tudo isso num governo PT-PCdoB, com uma presidenta torturada... por "eles"! Por isso, nunca pensei que voces virariam eles! 

sábado, 11 de maio de 2013

Sobre o tempo (Memórias de uma mesa redonda)


Quando recebi o e-mail convite para participar da mesa redonda sobre Mídia-educação no I Lincom[1], não hesitei um segundo em aceitar a tarefa e nem cinco minutos, em meio ao (dito) instantâneo retorno da correspondência digital (um pequeno ritual que envolve abrir a caixa para a resposta, escrever a mensagem, ler, reler, conferir com a ferramenta de correção, confirmar o destinatário e, ufa!, enviar a mensagem) para replicar a solicitação. Mas demorei alguns dias para entender o porquê desta rapidez. E após longas e perniciosas indagações, algumas noites de insônia e uma coleta intensa de opiniões sobre “como participar de uma mesa redonda”, a resposta que tanto procurava apareceu em um instante.

O caminho para Caiobá e Matinhos de balsa
Alcançar os detalhes em meio a correria diária e encontrar o Eldorado perdido são, hoje, tarefas análogas. E no ambiente acadêmico (ok, não só nele), falar do tempo virou um “mantra”. Convenhamos, nada mais esquizoide do que um tema ascético para sacralizar um momento de inconformidade coletiva relacionada ao tempo, ou a falta dele. Mas ao (re)converter o sentido, eis que o significado cintila como o sol espelhado no balanço marítimo do canal. Dias de dúvidas e questionamentos resolvidos em um suspiro (o primeiro de muitos). Era o anúncio de que aquele momento prometia agradáveis reflexões.

Logo imagino ter conseguido localizar algumas razões para desconfiar das lamúrias sobre a falta de tempo. Em apenas um dia vivi as descobertas e desalentos de um curioso menino que me convidou a assistir, nas tardes de sua infância, aos seus filmes trash favoritos; dancei, cantei e me entreguei às batidas adornadas pelas imagens dos videoclipes preferidos de um jovem inquieto e festivo, que me escancarou as portas de sua casa, já assoberbada de convidados ilustres (livros, filmes, discos, brinquedos, lembranças, paisagens); e viajei das gélidas sensações de uma madrugada desértica ao topo de cordilheiras nevadas, sensações retratadas e recontadas a cada acesso. Pouca coisa?

Entrada da UFPR Litoral
Também entendi que a acolhida intervém positivamente nos processos (nesses tempos em que executar é mais do que de experienciar, a necessidade de afirmação desfaz a redundância), e retoma seu sentido de arte e arrebatamento. Na tenda, que traz dentro de si o mar que nos envolve, vejo o amparo da plateia contemplativa e por isso mesmo admirada. E o tempo mais uma vez se dilata, tal o vislumbrar do horizonte emoldurado. É o olhar que em um só movimento percebe o andar ladino de um cachorro ambientado, varre expressões e enxerga nelas um agrado, no momento exato que se vê em certa delícia. Naquelas céleres duas horas e meia, a percepção de estar diante do que o sábio professor apontou como o que de melhor existe na academia, que em meio à aceleração do tempo, por vezes esquecemos: o prazer da "gratuidade" do debate[2].

Afinal, acabo por perceber que uma possível relatividade temporal pode estar ligada ao afeto, da qual se referiu o aluno ao questionar a possibilidade afetiva na relação com as mídias. E penso que estar ou sentir-se afetado admite também o sentido de ser atingido. Uma relação que faz o corpo mexer, tal a toada repetida ao infinito, a tremura das mãos no momento da exposição, o aperto no estômago nas intermináveis noites de insônia. Afetação que precede a ação. Na relação com as mídias (ou, dizem alguns, por causa delas) o tempo corre. Mas se ali o tempo incide, também com elas o corpo responde, participa. E só pude percebê-lo porque vivi. E vivendo, senti, conheci.

“À medida que ocorrem alterações no seu corpo, você fica sabendo de sua existência e pode acompanhar continuamente sua evolução. Apercebe-se de mudanças no estado corporal e segue seu desenrolar durante segundos ou minutos. Esse processo de acompanhamento contínuo, essa experiência do que o corpo está fazendo enquanto pensamentos sobre conteúdos específicos continuam a desenrolar-se, é a essência daquilo que chamo sentimento.” (DAMÁSIO, 2012, p. 140)


Uma das "salas" do Messa



[1] Seminário de Linguagens, Mídias e Educação, 6 a 10/05, UFPR Litoral. Mesa realizada no dia 09 com a participação de Lyana de Miranda, Rodrigo Ferrari e Gilson Cruz, sob a acolhida e coordenação de Fábio Messa.

[2] Fala de Paulo Fenterseifer, em aula realizada em abril de 2013, na UFSC.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Dossiê Mídias e Educação - Revista Atos de Pesquisa em Educação/FURB

Aos colegas que acompanham o blog, divulgo a publicação do dossiê "Mídias e Educação", pela Revista Atos de Pesquisa em Educação da FURB, vinculado ao Programa de Pós-graduação em Educação daquela universidade.
Tratam-se de textos - ensaios, pesquisas e resenhas - que abordam as mídias na educação, a partir das mais diversas perspectivas teóricas e com um conjunto de autores/as das mais diversas regiões brasileiras, com presença de pesquisadora italiana.

Acessem e aproveitem á vontade!
http://proxy.furb.br/ojs/index.php/atosdepesquisa/issue/current/showToc

Os orgnizadores,
Cristiano Mezzaroba
Fabio Zoboli
Sergio Dorenski

terça-feira, 23 de abril de 2013

Levantamento de publicações de TIC's na Educação

Colegas que acompanham o blog!
Recebi da Profa. Priscilla Kelly Figueiredo - a quem aproveito para agradecer - o e-mail com a indicação de um levantamento  com publicações sobre TIC's na Educação. Trata-se de um blog, de uma doutoranda em Educação pela PUC/RJ, que pesquisou de 2008 até 2013, com as palavras-chave "mídias digitais", "internet", "TIC's" e "literacy".

Vale a pena dar uma olhada!



domingo, 21 de abril de 2013

Primeiro highline de Florianópolis - SC

Linha Baleia Franca - Setor Toca da Baleia / Rafael Bridi - Vinicius Goulart / 20 de abril de 2013.
Operação de câmera - montagem - mixagem - finalização: Rodrigo Ferrari; rodrigoferrari.me
Música: Rafael Pesce - Hora de levantar / Julien Bulier - Espace libre / trilha sonora de Baraka (1992) - John Fricke
Equilibristas: Henrique Ferreira / Vinicius Goulart / Alana Godoy / Rafael Bridi / Ariel Beltramini (Pajé) / Ariel Ferreira


Apoio: LaboMídia / labomidia.ufsc.br 

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Projeto Mídia-Educação na Mídia

Olá moçada labomidiana compartilho com vcs mais uma das divulgações do Projeto PIBID, que coordeno aqui na UFPR Litoral - Mídia-Educação nas Escolas das Ilhas de Guaraqueçaba-PR, nesta matéria estão falando sobre as produções dos curtas-metragens, que tem sido nossa especialidade. Agora estamos em fase de gravação do Pai do Mato (também da Ilha das Peças) e do Piragui (da Ilha de Superagui), um grande abraço. Jaca-Total http://www.gazetadopovo.com.br/blog/educacao-midia/?id=1360105&tit=ilha-tambem-tem-cinema#.UWr3dJNItKQ.facebook