sábado, 17 de setembro de 2016

RIO 2016: O LEGADO OCULTO

Pessoas, segue abaixo um texto produzido pelos alunos da Disciplina Educação Física, Esporte e Mídia. Fiquem a vontade para os comentários, pitacos, sugestões...o debate está aberto!
Sérgio Dorenski


RIO 2016: O LEGADO OCULTO

Andreane A. de Lisboa – Comunicação Social (Áudio Visual)
Bruno Augusto M. Cavalvante - Comunicação Social (Jornalismo)
Roanna Nascimento Silva - Comunicação Social (Áudio Visual)
Tácia Suane Martins dos Santos - Serviço Social

Na arena é desfile, fora dela é exploração. No estádio é ouro, mas na favela é chumbo. Na vila é alojamento e na comunidade é remoção!
As Olimpíadas Rio 2016 fora alvo de grande engajamento político e econômico. Os investimentos em infraestrutura e urbanismo para recepção do grande evento foram exorbitantes, chegando a alcançar o valor de R$ 38,26 bilhões, dos quais 57% fora oriundo de recurso público, segundo o Instituto Ethos. O crescimento turístico disparara, a cidade recebera mais de 1,17 milhões de visitantes. De acordo com o balanço realizado pela prefeitura, cada turista desembolsara, em média, R$ 424,00 diários durante a passagem pela cidade maravilhosa. Não casualmente, o setor hoteleiro atingira a margem de 94% de ocupação. Os estabelecimentos comerciais da zona sul atingiram o crescimento de 70% da sua lucratividade, e a concessionária de metrôs municipal, por exemplo, transportara durante os jogos cerca de 13,9 milhões de passageiros (G1, 2016).
Os números da Rio 2016 saltam aos olhos nos diversos setores que a acolhera. Todavia, se o montante financeiro pode ser em números evidenciados, os danos sociais ocasionados pelo grande evento são incalculáveis. As mazelas oriundas desde a gênese do projeto até os últimos dias de competições evidenciaram o lado mais perverso do espírito olímpico.
Desde 2009, quando a cidade foi escolhida para sediar os jogos, mais de 77 mil pessoas perderam suas casas para construção da cidade olímpica e incremento na mobilidade urbana. Neste processo, a gestão pública nunca se propusera a discutir com os afetados, alternativas a estas remoções. A ação, por sua vez, configurou o maior processo de remoções da história do Rio: uma política transvestida pelo megaevento como desculpa para seguir no processo de expulsão das camadas mais pobres da população das áreas cujo interesse é restritamente empresarial.
 Ainda neste período, quando se consolidada o incremento das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPPs), 2.600 pessoas foram mortas por PMs nas zonas periféricas. Isto se deve não por mera casualidade, mas pela lógica da militarização do território, segunda a qual, o objetivo nunca fora a segurança dos moradores e/ou ampliação do acesso a serviços públicos, mas sim o controle dessa população pobre e negra, sempre vista como inimiga aos grandes eventos.
Não obstante, o mês que antecedera a olímpiada, concretizara, segundo a Polícia Federal, o aumento de 43% na quantidade de drogas apreendidas no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). A denúncia sobre o esquema Prostituição Infantil com vista para o Parque Olímpico, também pode ser mencionada como um dos legados olímpicos que poucos têm acesso, uma vez que, a grande mídia se propõe a resguardar a imagem do evento como benfeitor de atos, jamais como percussor infame. 
Se fossemos aqui, salientar a desigualdade social, o desequilíbrio ambiental, a fraudulência nos recursos, entre tantas outras questões pouco evidenciadas nas Olimpíadas, certamente, nos faltariam caracteres, além de corremos o risco de transmitir ao leitor o equívoco da culpa, uma vez que, o esporte apesar de ser centralidade dos jogos, também não passa de um intenso processo mercadológico do capital. Todavia, chamamos atenção às amostras apresentadas no texto.
Faz-se necessário, nos atentarmos ao que, de fato, move o dito “espírito olímpico” através dos nítidos reflexos que este apresenta: o investimento é público, mas lucro é privado; as obras são feitas, mas população não usufrui; a mídia silencia e não explana; a polícia não prende, só espanca; a morte é banalizada e o espetáculo aplaudido; o pobre assiste de fora e ninguém ouve seu grito. Rio 2016, os jogos da exclusão!

REFERÊNCIAS:
O mapa dos jogos da exclusão. Disponível em: <http://www.cartacapital.com.br/sociedade/o-mapa-dos-jogos-da-exclusao>. Acesso em: 02 de agosto de 2016.
O custo da Olimpíada do Rio é atualizado para R$ 38,26 bilhões. Disponível em: http://www.jogoslimpos.org.br/destaques/custo-da-olimpiada-rio-2016-e-atualizado-para-r-3826-bilhoes/. Acesso em: 02 de agosto de 2016.
 

15 comentários:

Giovani Pires disse...

Olá camarada Dorenski, olá pessoal

De fato, apesar dos benefícios inquestionáveis, tanto materiais quanto imateriais, que os JO/JP trouxeram para a cidade do Rio de Janeiro, há um passivo altamente perverso decorrente da lógica com que os megaeventos são pensandos/impostos por COI e FIFA às cidades e países-sedes. A nós, observadores mas também formadores de opinião, cabe essa importante tarefa de apontar as questões para a discussão, sem a preocupação de caça às bruxas, mas sim visando o esclarecimento da população.

Parabéns pelo texto!

Paloma Yara disse...

Saudações terráqueos!

Na minha humilde opinião, o que tivemos foi uma versão atualizada da reforma urbana, quando os cortiços que se aglomeravam na área central da cidade, pela população mais pobre, foram transferidos para os morros, realocados para deixar a cidade mais bonita.
Agora, imaginem esses 57% de dinheiro público gasto com as olimpíadas, investido em educação, saúde, segurança, transporte... AH, que lindo que seria.

Parabéns pelo texto aos envolvidos, leituras como estas se fazem necessárias para que abramos os olhos para coisas que muitas vezes estão ao nosso redor e não vemos.

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Claudemir Lourenço disse...

Olá!
Gostei muito dos legados abordados no texto, Que esse sim é de interesse da população que na verdade não deveria ser um legado e sim um dever de casa dos nossos governantes.

Parabéns a todos os envolvidos!

paloma dias disse...

Gostei muito da discussão abordada no texto. É de extrema relevância que assuntos como esses sejam trazidos a tona, pois nos possibilita refletir sobre nossa sociedade, nos estingando a estarmos atentos ao fato de existir questões que são tratadas de modo a passarem despercebidas por nós.

Silvan Menezes disse...

Parabéns ao Sergio e ao grupo pelo texto.

Sem dúvidas, há muito o que se desnudar da realização dessa década esportiva no país para que possamos esclarecer aqueles que financiaram grande parte disso, o público, a população, sobretudo, cidadãos. Seguimos exercendo nosso papel educativo/formativo de exercer a cidadania pelo/com/através do esporte.

Abraço,

Silvan

Enderson Santos disse...

Um belo texto, digassi de passagi.
Esta discrepância na cidade do Rio de janeiro não vem de agora, tanto que um comitê popular da Copa e das Olimpíadas no Rio de Janeiro foi criado para analisar os gastos nestes megaeventos e ficou mais que claro quanto a politica de exclusão e violações de direitos humanos praticada por parte da Prefeitura e do Governo.
Este Comitê estima ainda que houve pelo menos 4.120 famílias já removidas e 2.486 permanecem ameaçadas de remoção por razões diretas ou indiretamente ligadas ao projeto olímpico, este dado só reflete o aumento das desigualdades socioespaciais que vem marcando a cidade Maravilhosa desde o Pan de 2007.
A situação das famílias e também dos gastos realizados nos jogos é bastante complicada, diante da falta de transparência por parte dos órgãos responsáveis.
É triste saber que o discurso realizado por Thomas Bach, (presidente do Comitê Olímpico Internacional) alegando que os Jogos Olímpicos de 2016 foram os “mais inclusivos da história” não passou de politicagem barata!

Meus sinceros parabéns ao grupo pela bela produção.

Anônimo disse...

Opa, legal ver a estratégia de utilização do blog seguindo por aqui! Parabéns ao Sérgio pelo trabalho com a disciplina e aos acadêmicos e acadêmicas que se aventuram a deixar suas importantes contribuições aqui, expandindo a discussão da sala de aula para o espaço virtual!
Concordo com o texto e seu pano de fundo, entretanto, penso que é importante, também, não perdermos de vista, como professores de Educação Física, o objeto esportivo em si. Sim, tudo isso isso desvelado e criticado no texto é verdade e é inegável que essa "limpeza social" procurou encontrar os "selecionados" para serem excluídos...
Todo discurso de legados vai pelos ares, mas é um discurso importante para "convencimento" e adequação do público aos gastos com o megaevento.
Mas me pergunto, para além dessa abordagem crítica que é importante e necessária, sobre a questão do FENÔMENO ESPORTIVO em si:
- o que, de fato, trará de contribuição à esfera esportiva o fato de termos tido os megaeventos por aqui na última década?
- como o esporte realmente se insere no universo social brasileiro depois dessa visibilidade toda?
- como nós, da EF, fizemos uso desses acontecimentos pensando na ampliação do repertório esportivo e cultural de nossos alunos/as?
Enfim, teríamos várias outras, mas fica aí, a discussão...
parabéns pelo texto!

Cristiano Mezzaroba disse...

O "anônimo" acima é o Cristiano!

MATEUS HENRIQUE disse...

Deixo meus parabéns ao grupo pelo excelente texto.
É perceítivel que os Megaeventos como a “RIO 2016” deixam algum impacto seja ele social, econômico ou político.
O governo brasileiro havia prometido que a Copa do Mundo com sua exposição mídiatica contribuiria para impulsionar os investimentos e a economia do pais , lembro-lhes que já estamos em 2016 e o que vemos ainda são obras que eram para o evento na época, ainda paradas e inacabadas.
Sem dúvidas nos deparamos com velhas disparidades que são conseqüências de um processo de embelezamento das cidades e que são fatos preocupantes para nosso Brasil.

Elaine Souza Santos Fontes disse...

Muito orgulho em fazer uma leitura como essa, produzida com muita competência pelos alunos da disciplina de Mídia-Educação.
Realmente esse olhar em relação aos Megaeventos é de total discrepância com a realidade brutal em que vivem a população brasileira. Os valores que são gastos para a realização de um evento como esse é absurdamente alto. Será que todo esse gasto é compensado de alguma forma??
Mas uma vez, parabéns ao grupo pelo belíssimo texto. Excelente produção!!!

Flávio de Oliveira disse...

É uma pena! Pena não termos um texto como este nas mãos de cada cidadão deste país! Pena não fazer parte do discurso e aplicação pratica daqueles que neste momento gritam como loucos por cada canto de “nossas cidades” em busca do voto popular! É uma pena que este seja o retrato fiel, a mídia fiel, do cenário encantado e cheio de ilusões que desgraça nosso povo, que nos aproxima do “Coliseu de Roma” e ofusca a beleza e a própria alma do esporte. Há! Quem dera essa luz se propagasse como o fogo que se propaga em nossas matas e fizesse arder em chamas o coração e a consciência de nossa gente! Obrigado aos autores que nos inspiraram a olhar um pouco além das cortinas. Parabéns!

Luizy Stos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luizy Stos disse...

Meus parabéns ao grupo!!
Torna-se cada vez mais importante que temas como esses sejam discutidos para que tenhamos a possibilidade de refletir e questionar a sociedade em que vivemos. É quase inacreditável o quanto foi gasto e quantas famílias foram prejudicadas para mostrar “a casa bem arrumada”. Mais uma vez parabéns!

Suane Martins disse...

Geeente, segue o link de uma série baseada em 04 episódios que buscam sintetizar em vídeos, tudo e mais um pouco que trabalhamos no texto. Aos interessados: https://www.youtube.com/watch?v=5taPAVOZu8A