quarta-feira, 30 de março de 2016

UM DOMINGO QUALQUER E UMA INSTITUIÇÃO CHAMADA ESPORTE

Olá Pessoas, segue um texto de um aluno que está cursando a Disciplina Educação Física, Esporte e Mídia do DEF/UFS. Ele é do curso de Cinema e trouxe uma reflexão acerca da relação esporte (espetáculo) e Mídia. Fiquem a vontade para os Pitacos, sugestões, críticas...




"UM DOMINGO QUALQUER E UMA INSTITUIÇÃO CHAMADA ESPORTE"
Caio dos Santos e Ribeiro

O esporte de alto nível é sempre visto por seus admiradores como entretenimento e saúde. Este entendimento percorreu e percorre o cotidiano nas diversas camadas sociais, visto que na maioria das vezes os atletas aparecem sempre sorrindo e com um físico invejável.
O que nem sempre mostram (ou tentam esconder) são os bastidores dos esportes onde estão presente também as relações política e econômica. Ao repararmos bem, os estádios, ginásios e pistas de atletismos estão recheados de merchandising e as emissoras sempre travam disputas para transmitir certos eventos com exclusividade. É engraçado que estamos tão acostumados a ver propagandas durante transmissões esportivas que não nos damos conta que estão totalmente ligadas ao “espetáculo” a que assistimos.
            No filme “Um Domingo Qualquer”, de Oliver Stone, podemos refletir um pouco sobre a relação Esporte x Saúde e a relação Jogador/Time x Patrocinador. No qual chegamos a ver negligências médicas, tanto por parte dos profissionais de saúde, que escondem a real situação clínica dos atletas, como por parte dos próprios jogadores que priorizam sempre os prêmios e seus contratos. Também fica nítido que os dirigentes tratam o time e os jogadores como números e pouco se importam se o time vence ou não, desde que sempre renda dinheiro a eles. Torna-se claro que os atletas no filme e também na vida real são tratados como mercadorias e como tal têm prazo de validade.
É muito comum ouvir a frase “esporte é saúde”, embora para quem o pratica profissionalmente essa falácia acaba sendo uma inverdade. A maioria dos esportistas são obrigados a mudar radicalmente de hábitos, tanto na alimentação quanto na administração do seu tempo. A maioria deles são expostos a treinamentos desgastantes e até mutiladores. Muitas vezes passam mais tempo treinando do que aproveitando a sua infância (boa parte dos esportes de rendimento exige dedicação integral – trabalho - desde muito cedo). Esses mesmo atletas abrem mão também de um maior tempo de recuperação, nos casos de contusões, para não perderem competições ou para atender exigências de contratos e/ou patrocinadores.
Ao pararmos para refletir sobre o esporte como um todo, e analisarmos fatos que ocorreram e que ocorrem continuamente perceberemos que a instituição “esporte” é muito mais que um jogo, ou uma disputa por um troféu. As relações de times com governos, de patrocinadores com jogadores e empresários são muito mais complexas do que parecem ser. Os incontáveis números de doping, as contusões não tratadas corretamente, as rotinas desumanas, as desigualdades e escândalos. Tudo isso maquiado de espetáculos esportivos, de estádios, ginásios, pistas de atletismos e academias cheias, de hinos cantados com fervor e de torcidas apaixonadas.



6 comentários:

Manoel Messias Xavier disse...

Parabéns pelo texto Caio, esse filme retrata fortemente como a mídia age diante do grande espetáculo que emerge do Esporte, em decorrência da ganancia do lucro ela acaba esquecendo do ser humano/atleta, pois a única intenção da mídia é a venda do produto.

mateus henrique disse...

Parabéns pela postagem Caio. Parabéns professor Sérgio por incentivar os alunos com essas produções.
Bom, você traz em seu texto uma reflexão acerca da relação Esporte x Saúde e a relação Jogador/Time x Patrocinador do filme "Um Domingo Qualquer".
presenciamos ainda uma ideia de monocausalidade quando nos referimos ao esporte sinônimo de saúde, uma ideia um pouco(muito) contraditória, pois quando falamos em esporte de alto rendimento os atletas estão sempre em seus limites para tentar alcançar a perfeição, e ai encontram no meio(ou no fim da carreira) várias dificuldades, como as lesões.
A Mídia com o grande poder manipulativo e persuasivo (PODER SIMBÓLICO THOMPSON, 1998), não se preocupa com o atleta ou o time, ela centraliza o interesse lucrativo através do esporte.
Para isso a Mídia diante apresenta uma característica marcante no que tange a sua capacidade de induzir as pessoas a acreditarem em algo. Unindo-se o esporte( espetáculo) e a Mídia se viu o interesse para o mercado financeiro, com a transformação dessas em mercadoria para ser vendida e comprada no mercado consumidor.

Sara F. disse...

Parabéns Caio pelo texto! Sempre bom estamos refletindo sobre o esporte enquanto espetáculo e mercadoria. Este filme retrata muito bem as facetas utilizadas pela mídia para obtenção de lucros, as situações que os jogadores são submetidos para tornar o time campeão, e como os princípios éticos e morais são esquecidos dentro desse meio.

Giovani Pires disse...

parabéns ao Caio pelo texto e ao Camarada Dorenski, por sempre estimular seus alunos à reflexão sobre as interconexões do esporte e a mídia. De fato, pensar o esporte de rendimento como saúde só mesmo como fruto de uma "produção de verdade", que é um discurso anterior à propria mídia esportiva mas que foi/é muito bem apropriado por ela. Sigam em frente amigos, continuemos a observar!

Elaine Souza Santos Fontes disse...

Como é bom notar que tem uma galera boa escrevendo excelentes textos acerca da mídia e sua interação com esse fenômeno chamado Esporte. Parabéns ao Sérgio em proporcionar esses momentos de debate e reflexões. E claro, ao Caio pelo belíssimo texto.
Enfim, são essas reflexões teóricas sobre a influência exercida pela mídia no âmbito esportivo que podemos desenvolver também uma discussão sobre esse tema. Atualmente, é comum observarmos espetáculos televisivos oriundos de práticas esportivas, e as influências que sofreram, tendo como grande colaboradora a mídia. Assim, uma imensa necessidade em se discutir melhor sobre essa influência que a mídia, seja falada ou escrita, exerce em nossas vidas.

Manoel Messias Xavier disse...

Acabamos de apreciar o texto do Caio na reunião do Labomídia/UFS numa “Roda de conversa” ao vivo e à cores. Presentes na “Roda” Elaine Fontes, Manoel Messias, Mateus Henrique, Carlos Alexandre, Janisson Santos e Sérgio Dorenski.
Primeiro gostaríamos de parabenizar o Caio pela produção do texto que possibilitou nossas reflexões acerca da Mídia e do Esporte.
Assim, expusemos : Ainda presenciaríamos muito dessas contradições em tempos de Megaeventos em terras Brasilis, principalmente em ano de Olimpíadas em que os valores humanos são substituídos pelas máquinas vorazes, velozes e mais produtivas (os homens-máquinas).