terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

INVICTUS - O filme pra se pensar em esporte, política e sociedade

Em ano de Copa do Mundo de futebol na África do Sul, um filme aparece por aqui pra nos lembrar de certos acontecimentos lá do início da década de 90 naquele país: a tentativa do então presidente eleito Nelson Mandela em superar o regime de apartheid, que dividia negros e brancos - maioria e minoria respectivamente, e os conflitos existentes, de ordem política, econômica, cultural e também, de forma explícita no filme, esportivos, já que o esporte praticado pelos negros era o futebol, enquanto os brancos praticam rugby.

Trata-se do filme intitulado INVICTUS. Dirigido por Clint Eastwood, tendo como principais nomes Morgan Freeman protagonizando Nelson Mandella e Matt Damon no papel do capitão da equipe de rugby.

Penso que é um excelente filme pra se pensar as relações muitas vezes desconsideradas entre esporte e política, e neste caso particularmente, da África do Sul, o quanto se fez (bom) uso desta relação esporte/política, na tentativa de unificar "cores" diferentes que habitavam o mesmo território e assim promover o desenvolvimento sul-africano. O esporte, ou melhor, o rugby, era muito mais que um simples esporte naquele momento: era a chance que os sul-africanos tiveram de se verem e se sentirem "nação".

Pra quem assistiu, também, o filme "Mandela - A Luta pela liberdade", dá a impressão que o filme "Invictus" é a continuação de um grande filme que ainda não terminou, afinal, infelizmente, o racismo é algo latente em todos os lugares...

Fica a dica, afinal, em junho a Copa do Mundo é lá!!! (é o agendamento feito pelo cinema! hehehe)

Ah... mais sobre essa relação entre esporte e política, mas agora no caso brasileiro, a gente encontra nesse link abaixo, uma notícia sobre uma dissertação de mestrado publicada na Revista Filosofia, Ciência e Vida.

3 comentários:

Diego S. Mendes disse...

Belo filme, embora algumas críticas possam ser feitas ao retrato eastwoodiano de Mandela (um homem sem contradições e tormentos frente ao ato de perdoar - prefiro acreditar num lider mais humano) e ao cenário da copa de Rugby, certamente munido de resistências populares à imagem de uma massa de torcedores harmônicos ao final do torneio. De todo modo, o filme mostra o quanto o esporte é aquilo que fazemos dele - rompendo, portanto, com a imagem do esporte "benéfico" em sí. No contexto do filme, o Rugby, sem a intervenção de Mandela, teria sido apenas mais um elemento de segregação da nação. Felizmente, como o lider Africano anunciou, ele preferiu ver no esporte "interesses, digamos, humanos", ao invés de mero negócio.
Vale a pena!

Giovani disse...

Quando passou no circuito comercial (que em Florianopolis se reduz aos shopings, já que o cinema do CIC está em reforma), não fiz muito esforço e terminei não vendo. Tinha a suspeita de que seria mais uma obra hollywoodina, espetacularizada. A observação do Diego, de certa forma, reforça isso.
Mas confesso que agora fiquei curioso. Não pelo filme em si, mas pelas possibilidades de tematiza-lo em nossas ações pedagógicas. Valeu, Cris!

Cristiano Mezzaroba disse...

Saiu na revista "Esporte e Sociedade" uma resenha bem legal sobre o filme. Está no link abaixo:

http://www.uff.br/esportesociedade/pdf/es1408%20.pdf