domingo, 24 de novembro de 2013

Da série menos 10 kg em 7 dias: Você precisa mesmo disso?

Colegas que acompanham o blog:
A partir de agora, segue a estratégia dos acadêmicos e acadêmicas que cursam a disciplina "Educação Física, Esporte e Mídia" do Curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade Federal de Sergipe em expandir as discussões para além da sala de aula aqui, virtualmente e extrapolando as fronteiras das paredes universitárias.
O texto abaixo se trata das reflexões dos acadêmicos Rhuan, Maria Beatriz e Samara (do curso de Jornalismo/UFS) e de Camila (do curso de Serviço Social).
Aguardamos os comentários, sintam-se convidados ao debate.


Da série menos 10 kg em 7 dias: Você precisa mesmo disso?

               Ou menos 4 em 5 dias. Três dicas para alcançar barriga negativa! Linda e magra: a dieta que vai mudar a sua vida! Os chás verdes que você precisa tomar agora! Se você possui o mínimo de acesso a meios de comunicação, com certeza já se deparou com pelo menos uma das frases acima. Nas capas de revista, nos programas de televisão ou na infinita internet, o papo ultimamente é quase sempre o mesmo: você, logo a priori, precisa emagrecer. Mas será que precisa mesmo?
               Em tempos de comunicação velocíssima e uma cada vez mais democrática propagação de discursos, o culto a um corpo tido como perfeito nunca esteve tão em alta. A tal ditadura que há muito se fala, não quer saber de liberdade. Não importa se você seja linda com uns quilinhos a mais, venda saúde e se exercite com frequência – se não for igualzinha às capas de revistas e aos artistas da Globo, nada feito. É feio, é out, é ruim. Então trabalhe nisso!
E é tudo muito simples. Pegue qualquer dieta, faça, mude do nada, evite médicos e siga os conselhos que te dão. Como se todo mundo tivesse o mesmo organismo, metabolismo e fosse igualzinho. Só que é isso mesmo: o discurso é feito para que todos sejamos iguais. E claro, aceitos. Para que todos possamos ser felizes, ser maravilhosas “GiselesBundchens”, magérrimas, com filhos, carreiras e maridos belíssimos. Porém, (e sempre existe um porém) não somos todos “Giseles”. E temos que no mínimo começar a entender isso.
               O corpo por si mesmo sempre esteve em debate. E não é de hoje não. A busca incessante pelo "corpo perfeito" vem desde a Grécia Antiga, há cerca de 2.500 anos a.C. Nesta época os gregos primavam por um corpo escultural, esteticamente harmônico, e este corpo era radicalmente idealizado, treinado e exposto. Sim, exposto. Eles construíam seus corpos através de muito esforço e suor, os esculpiam e modelavam em ginásios, então exibi-los era quase que uma recompensa. Toda essa atividade é que acabou formalizando a expressão "Deus grego", empregada até hoje para exemplificar uma pessoa exageradamente bonita.
Já na Idade Média, seios fartos e quadris largos eram o sonho de consumo de qualquer mulher. No século VIII, uma barriguinha maior era sinônimo de culto e adoração: algumas  chegavam (acredite!) a colocar enchimento embaixo da roupa, já que a ideia de ventre saliente era associado à Virgem Maria e sua gravidez imaculada. As gordinhas também eram a preferência durante o Renascimento. Nesta época, as gordurinhas localizadas – hoje inimigas declaradíssimas de toda e qualquer mulher – eram sinônimo de saúde, visto que a “Peste Negra” havia eliminado quase dois terços da população.
               Independente da época, a sociedade e seu discurso homogêneo de beleza sempre levaram as mulheres a almejarem corpos perfeitos, esculturais e quase sempre irreais. Os padrões estéticos se modificaram durante os anos, mas a busca incessante por um corpo esteticamente perfeito e aceito, considerando os padrões impostos, sempre fizeram parte da vida de todo e qualquer ser humano no mundo. Porém, quando a fixação por um corpo escultural foge do convencional e da vaidade aceitável, é preciso abrir o olho.
               Nos últimos anos houve um boom de blogs, perfis no Facebook, Twitter e Instagram, dedicados desde a busca por um corpo perfeito e um ''lifestyle'' tido como saudável. Com esse discurso cada vez mais forte, enraizado e amplamente disseminado pela mídia, alguns indivíduos acabam extrapolando os limites da vaidade e colocam a própria vida em risco, em nome de um ideal que às vezes nem lhe é próprio. É algo que é visto, dito, influenciado, mas muito pouco de fato, sentido. Até agora falamos muito sobre beleza. Entretanto, o que é ser belo? Se a beleza não possui exatamente uma fórmula, pelo quê está se lutando? No quê, no final das contas, queremos nos transformar?
               É uma busca que terminam sendo muito cara, principalmente no quesito psicológico. Doenças como anorexia, bulimia e até mesmo a depressão, considerada o “mal do século”, de uma forma cada vez mais frequente atuam sobre fatores em comum: o peso, o corpo e autoestima. Muitas pessoas, não satisfeitas com sua aparência e consideradas fora do padrão, acabam entrando em um estado complicado de neurose, e até de obsessão, que podem acarretar em consequências sérias, como o suicídio.
               Para os que efetivamente buscam uma mudança corporal, é preciso entender que não existe milagre. E ao se deparar com as famosas soluções drásticas e efetivas, é necessário desconfiar dos resultados que, muitas vezes, chegam a ser fisiologicamente impossíveis. Para se fazer dieta com base em experiências de outras pessoas, por exemplo, é preciso ter em mente que elas têm que ter hábitos e necessidades semelhantes aos seus. Para que essa mudança não prejudique o organismo e seu sucesso não seja apenas momentâneo, há de se adotar um estilo de vida que seja compatível, não só com o que você quer, mas com o que você pode e precisa. Na equação da aparência e da beleza, a saúde tem que começar a vir em primeiro lugar: saúde física não existe sem saúde mental.
               Também há outro fator importante nesta conversa: você. A beleza e seus ideais sempre vão existir. E sempre serão subjetivos, diferentes, e sim, inalcançáveis. Todos somos diferentes, reais, imperfeitos, iguais à moça da padaria e o carteiro. E por que não, mesmo assim, bonitos?

4 comentários:

ADRIANA NASCIMENTO DOS SANTOS disse...

Esse assunto sobre corpo perfeito ou emagrecer para ter um "corpo ideal" é muito interessante e importante.Esse tema que o grupo escolheu tem muito haver comigo. A pouco tempo passei por vários problemas de saúde, tendo como principal causador, a busca para perder peso.Texto perfeito.

terezinha disse...

Não existe padrão de beleza melhor do que você amar a si mesmo do jeito que é. É uma loucura sacrificar seu corpo por uma medida perfeita inexistente.

Prof Paula disse...

Assunto muito pertinente! Texto muito bom! Me deparo sempre com esse tema na escola, o que transparece na vida de muitos alunos e não se restringe ao sexo feminino, abrange muitas pessoas do sexo masculino, principalmente no que se refere a uso de anabolizantes. Alguns alunos, mesmo após intervenções preventivas na escola, foram parar no hospital e viveram por sorte! Parabéns ao grupo pela ideia que sempre deve ser revisitada e debatida!

Prof Paula disse...
Este comentário foi removido pelo autor.