quinta-feira, 14 de março de 2013

A IMPORTÂNCIA DOS PROFESSORES E PAIS NA EDUCAÇÃO

Olá pessoas, segue abaixo o texto do Professor Zé Costa, formado em Ed. Física pela UFS e desde que conheço vejo como um Professor preocupado com a Educação. Podemos discordar de vários aspectos, mas, na essencia, o que se quer é ver um mundo melhor, um reconhecimento da educação e valorização dos professores... valeu professor.

A IMPORTÂNCIA DOS PROFESSORES E PAIS NA EDUCAÇÃO
Há algum tempo, a imprensa nacional apresentou uma mãe revoltada com a professora que obrigou seu filho a pintar uma parede por ele pinchada e de tê-lo constrangido perante os colegas e por isto, não estava querendo ir mais à escola. A escola tinha sido pintada por um mutirão de pais, professores e alunos durante um final de semana e a professora ao ver o que o aluno tinha feito, tomou a decisão correta de mandar o aluno pintar; decisão esta, que foi errada na opinião da mãe e de 2% dos internautas que responderam a enquete no site da Rede Globo; a maioria usou o bom senso e concordou com a professora.

Esta mãe deveria era agradecer a professora por ter ensinando ao seu filho respeito e responsabilidade com o patrimônio público e impondo-lhe regras e limites, o que ele provavelmente não recebe em casa. Alguns pais não educam seus filhos em casa, onde deve ser a base para a educação, e quando o professor tenta fazer o que eles não fazem, é criticado, agredido e até  processado. Este é um dos milhares de casos que ocorrem diariamente nas escolas de todo o país e que a maioria do povo não fica sabendo. Professores, alunos e pais se confrontam dentro e fora das salas de aula pelas inversões de valores que a sociedade impõe a todos, como se fossem normais. Professores são xingados, ameaçados e agredidos física e moralmente por alguns alunos e pais que não compreendem o verdadeiro papel dos mesmos na escola. O professor não é apenas um transmissor de conteúdos, mas que também contribui na formação integral do aluno, ensinando-o valores morais e sociais, que muitas vezes não são ensinados em casa. Esses valores fazem com que o cidadão seja consciente de seus deveres e direitos perante a sociedade. O que esta acontecendo na escola é um reflexo de casa, os filhos não respeitam os pais e automaticamente não respeitam os professores na escola.

Algumas décadas atrás, o professor era considerado um segundo pai. Na escola, era uma autoridade, tinha o respeito dos alunos e da sociedade. Alguns pais chegavam a autorizar ao professor de ser rígido com seu filho quando o mesmo não se comportasse, faltasse com o respeito ou não quisesse estudar. Atualmente, estamos vendo o contrário: o professor não pode repreender o aluno na frente dos demais; se falar em cidadania, é “chato”; quando disciplina, é “autoritário”; se não enrola nas aulas, explica todo o conteúdo é, “certinho demais”; se não falta, não chega atrasado ou não termina a aula antes do horário é, “Caxias”; se não deixa o aluno gazear a aula, é “moralista”, se não permite as conversas paralelas em sala de aula, é “enjoado”, ou seja, o professor que ensina e tem compromisso com a educação é para alguns alunos um professor ruim, é a inversão dos valores; aindabem que a maioria quer alguma coisa, mas os que não querem atrapalham e prejudicam o bom andamento de uma aula.

Alguns pais querem passar a responsabilidade de educar seu filho a escola,porque eles não têm tempo de educá-lo em casa, estão sempre muito ocupados ou trabalhando e ficam ausentes da educação dele. Em casa, dão tudo que o filho pede, não sabem dizer não no momento certo e por isto, não impõe limites. Quando o filho chega à escola, o professor faz tudo ao contrário dos pais: aplica regras, faz cobranças, impõe limites e ai, há o confronto de valores. É quando alguns alunos se rebelam contra o professor e a escola se transforma em campo de batalha, eles se tornam indisciplinados e até agressivos. É lamentável que alguns pais apoiem os filhos e fiquem contra os professores, mesmo sabendo que eles estão errados. Como afirmou Coelho Neto: “É na educação dos filhos que se revelam as virtudes dos pais.”

Durante o ano letivo, todos os pais são convidados a participarem das reuniões de pais e mestres para serem informados sobre a vida escolar de seus filhos, mas alguns nunca comparecem. Quando o filho é reprovado, eles procuram a direção, coordenação ou o professor para questionar, reclamar e culpá-los pelo fato.

Alguns professores estão sendo desestimulados a continuar na profissão pela falta de interessedos alunos pelo estudo, pela pouca valorização da sociedade, por ter a menor remuneração entre os profissionais com formação equivalente e pela falta de compromisso dos políticos com a educação, mesmo com a campanha do MEC mostrando a importância do professor no desenvolvimento de um país.

Os pais precisam refletir melhor sobre a importância deles na educação do seu filho, acompanhando-o na escola, participando das reuniões para saber sobre o seu desempenho e comportamento nos estudos; conversando com os professores, coordenadores e direção para saber se ele está assistindo às aulas, se gosta de estudar, se é bem comportado. As respostas logo aparecerão e os problemas com a indisciplina poderão ser solucionados a tempo. Os professores querem que seus alunos sejam bem educados e tenham sucesso na vida, porque apesar dos percalços da profissão, a sua formação é de educador. Dessa forma, a educação das crianças deve ser conduzida pelas duas maiores instituições da sociedade: família e escola. Como afirmou Pitágoras: “Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens.”

                                                                                                  José Costa

5 comentários:

Eduardo Carvalho disse...

Opá! Legal o texto!
Valeu Sérgio por veicular esse texto do José Costa, quero parabenizá-lo pelas questões trazidas.

Contudo penso exatamente em como encontrar possibilidades de ação. Verificamos que se trata de um problema comum esse descaso dos pais na educação do filho, a transferência de responsabilidade para o professor e a culpa que é atribuída ao professor pelos pais de alunos "mal educados". Não podemos cometer o equivoco de um discurso saudosista de que antigamente se tinha respeito pelos professores, mas podemos sim, a partir dessa verificação de que os papeis sociais foram invertidos, e com isso, a representação de professor também foi modificada, pensar em estratégias de atuação para solucionar esses problemas.
No entanto, entendo que não temos estrutura para atuar dessa forma, mas podemos cobrar estratégias do poder público para fazer com que os pais compreendam a importância de participar da educação dos seus filhos.
O professor não dará conta disso sozinho, sei que o papel social do professor é com o aluno. Porém, isso não quer dizer que este não pode se estender para a família. Até poderia ser assim, se os professores tivessem condições de trabalho, se o Governo investisse nessa classe, respeitando esses dignos profissionais.
Outro ponto importante nessa discussão é que com a inversão de valores na sociedade, os pais de hoje não são mais aqueles rígidos pais de antigamente. Considero que tanto anteriormente, quanto hoje, há um equivoco na educação dos filhos. Mas acredito que hoje isso é mais problemático,não sei se por causa do modelo em que a sociedade se encontra, ou se pelo verdadeiro "descompromisso social" das mais variadas áreas de estudo, instituições, poder público etc.
O que percebo é que deveriamos primeiramente compreender se as pessoas tem capacidade de discernir qual é o seu papel na educação de seus filhos. Considero que hoje as pessoas não conseguem enxergar isso. Anteriormente valorizava-se o respeito aos mais velhos, a religião e a família acima de tudo, hoje vemos que isso não ocorre mais. Sendo assim, acho que tantos os pais quantos os filhos não conseguem perceber a dimensão do problema que acabam "causando?" com as posturas que assumem no contexto social.
Não quero aqui eximi-los do seu papel como cidadão, mas também não podemos culpá-los pelos problemas que estamos vivendo com a educação de alunos hoje. Talvez precisaremos primeiro educar os pais para a educação dos filhos, mas esse não seria um papel destinado de forma direta ao professor, mas o professor poderá estar contribuindo para isso. Conscientizando o poder público desse problema presente na nossa realidade atual. "As vezes os pais nem sabem o que é ser cidadão, não sabem nem qual é o seu papel na educação". Os discursos, podem até convencer os país que a educação é função somente do estado, já que são investidos muitos recursos públicos nela, e o eles nem ao menos conseguem enxergar os resultados disso. Então, se os pais compreendem as coisas dessa forma, é claro que eles vão atribuir a culpa pelo fracasso dos seus filhos ao professor, que seria para eles o principal responsável no serviço público por dar educação para os seus filhos.

Sergio Dorenski disse...

Olá Eduardo e demais, valeu pelo comentário, penso muito parecido com você e como Eu disse, podemos discordar de muita coisa no texto e eu certamente discordo, mas, não do sentido. Talvez estejamos querendo o mesmo..., culpar os pais me lembra Renato Russo, né? - "você culpa seus pais por tudo..." Há todo um projeto de regressão do sujeito, como diz Adorno, desde formação (aqui não entenda somente escolar) do homem, voltada para uma lógica do consumismo; formação para o trabalho, para o mercado. As pessoas vivem em velocidade (lembrei agora do Jose Machado Pais, no Conbrace..."dize-me em que velocidade andas que eu te direi quem és...mais ou menos assim) e estão esquecendo de viver, de educar a si e aos outros, pois, educar é sempre educar-se e tudo isso vai gerando uma sociedade com outros valores...mas, o princípio ético que desejamos, seja na antiguidade clássica, seja no século XIX, seja agora se esfuma, pois corremos (a lógica perversa) atrás do dinheiro e não da vida. Obviamente que um projeto para cidadania plena não é responsabilidade somente do professor, acho até que fazem muito, mas sim, de uma sociedade como todo. Mas, será que isso que queremos? Fiz questão de postar aqui o texto do Professor Zé Costa, mesmo discordando de alguns valores estabelecidos, por conhecer ele. Por saber que se preocupa com a formação dos jovens, que fica triste quando ver os jóvens em caminhos tortuosos e sem volta, precisando apenas de um apoio...ai,vale a pena conversar sobre valores, discutir sobre um projeto de educação/formação, pois sei que no fim da história queremos o mesmo...

Artur Alves disse...

Olha fico muito feliz em ver por aqui um texto de um conterrâneo e de um grande ex professor meu... José Costa, Devo concordar com Mezzaroba que a água de Itabaiana tenha algo de diferente... rsrsrs

Ao texto do mesmo, penso que deve ter sido mais um desabafo de um professor que esta a mais de 20 anos na educação básica... Também sou contrário a algumas opiniões colocadas, mas no cerne colocado (professor-aluno-pais) sabemos que é bem isso que acontece.

Obrigado Dorenski em trazer esse texto; e para quem quiser continuar acompanhado as publicações de José Costa, segue o Link do Blog do mesmo... Ele também faz um belíssimo trabalho histórico da Educação Física, esporte e principalmente do Basquete de Itabaiana.

http://professorjosecosta.blogspot.com.br/

Sergio Dorenski disse...

Bem Lembrado Artur, eu sempre estou me valendo das informações históricas que o professor Zé Costa nos presenteia. Segue para aqueles que fazem pesquisas na história - dos esportes - e outras mais...
valeu

Silvan Menezes disse...

Grande Sergião,
Como sempre com intervenções muito boas!
O texto do José Costa também com um objetivo de "tocar", ou melhor, afetar a todos os envolvidos nesse problema social.
Não adianta num é Sérgio, quem se aproxima da "dialética do esclarecimento" em algum momento, nunca mais se afastará e não conseguirá mais olhar para a formação humana dos sujeitos que não seja pela auto-reflexão e pela subversão à racionalidade técnico-instrumental que serve ao sistema do capital e do consumo. No cerne desta discussão está novamente a autonomia e a capacidade de reflexão de cada um, pais, filhos e professores também. O sentimento de coletividade e de trabalho colaborativo são subsumidos ao controle e à disciplinarização dos sujeitos na corrida individual pela sobrevivência no sistema neoliberal. É a consolidação do "cada um por si" no âmbito da formação de crianças e adolescentes. Os pais e os professores de hoje são frutos da fertilização desse sistema e os jovens são "pobres" herdeiros das marcas tatuadas nos corpos dos mais velhos... seria algo parecido com um pitoresco "se vira nos 30".
Seguimos pensando...

Abraço!