sexta-feira, 8 de março de 2013

Uma polêmica: a filosofia de treinamento para formação de campeões

Segue mais um texto como exercício reflexivo e produtivo, das acadêmicas da Turma B, da disciplina de Educação Física, Esporte e Mìdia/UFS. O grupo é composto pelas acadêmicas: Anne Thairiny, Beatrice Wanders, Jéssica Del' Neves, Tamires Menezes e Tammy Rocha Costa.
Estão convidados a refletirem conosco e continuar o debate!


Uma polêmica: a filosofia de treinamento para formação de campeões

O presente texto está baseado em uma entrevista transmitida no Esporte Espetacular, da emissora Rede Globo, no dia 24 de fevereiro de 2013, na qual foi mostrada uma filosofia de treinamento adotada por Nick Bollettieri, cujo lema é: “Só a vitória importa”.
Bollettieri, aos seus 80 anos, é conhecido como a lenda do tênis, pois já formou mais de 20 atletas que se tornaram numero 1 no ranking mundial, entre eles André Agassi, Maria Sharapova, Venus e Serena Willians, Monica Seles, entre outros. Devido a esse grande sucesso de formar campeões, milhares de crianças e adolescentes de mais de 60 países, procuram sua academia, considerada como uma “Universidade do tênis”.
O seu centro de treinamento está exclusivamente voltada para a formação de campeões, como afirma Bollettieri: “Só interessa a vitória. Não quero ver vocês dizendo que vão jogar o melhor que pode, assim vocês irão para o cantinho dos perdedores.”. A sua forma de treinamento chega a ser criticada pelo fato de enfatizar fervorosamente a competição, em que as crianças e adolescentes são privados da vida social e do ambiente familiar, “respirando” o tênis 24 horas por dia. Além dos seus treinamentos em quadra, as crianças e adolescentes passam por atividades para um melhoramento no desempenho físico e mental, através de treinamentos visuais (tempo de reação) como também aprimoramento da concentração, sempre ressaltando a competição entre os alunos.
De tanto enfatizar a competitividade e rivalidade, dentro e fora de quadra, o convivo social é reduzido e interferido entre os alunos, seja em relação ao âmbito familiar, bem como na construção de amizades.
Jhon McEnroe, ex-tenista e número 1 (um) no ranking mundial na década de 80, é um dos maiores críticos do método de treinamento de Bollettieri. Ele é oposto à ideia de incentivar a concorrência dos alunos, afirmando que ele é uma prova viva de que para se tornar um campeão não é necessário viver somente em função do tênis, podendo viver uma vida normal.
Assim, mediante o que foi explanado em relação aos tipos e formas de treinamento, podemos questionar: O que é necessário para se tornar o numero 1 (um) no ranking? É preciso se abdicar da vida social e do convívio familiar, para se tornar um campeão? É possível, como professores de Educação Física, trabalhar com um olhar crítico para todas essas questões, já que a própria mídia nos traz esses elementos da atualidade?

11 comentários:

Elder Correia disse...

Meninas, parabéns pelo texto, simples e objetivo (vou procurar ser assim no meu comentário rs). Vou procurar não entrar na discussão até que ponto essa filosofia de treinamento é válida ou não, mas é indiscutível a eficácia da mesma em formar campeões, basta ver os atletas formados por ela, como foi citado no texto. Mas nos perguntemos que campeões são esses??
Não sei se é porque meu objeto de estudos é o corpo, mas vejo que o corpo destes atletas é o lócus o qual podemos perceber/analisar que campeões são esses. O esporte de alto rendimento tem sua práxis fundada em uma visão mecanicista, onde o atleta/corpo é visto como uma máquina, o qual é reduzido pela sua capacidade de performance. A metáfora da máquina fortalece ainda mais ideia de rendimento, ou seja, “só a vitória importa”. Neste sentido, o corpo é um objeto maleável.
Ao trazer o esporte para a escola, não é a mesma que deve se adequar ao esporte, mas sim ele que deve ser descontextualizado e recontextualizado, afinal, não é objetivo da escola formar atletas. Porém não sejamos ingênuos e dizer que a competição deve ser tirada da escola, não é isso! Afinal, a própria sociedade também é fundada em uma práxis mecanicista, onde o rendimento e a competição está em seu cerne. No mundo acadêmico, por exemplo, devemos sempre tirar notas altas ajudam a ganhar bolsas, várias disciplinas para darmos conta, horários a cumprir, artigos para produzir e ser publicados, pesquisas, enfim, devemos ser sempre mais.
Penso que o que devemos fazer enquanto professores de Educação Física é estar prudentes para que os hábitos que surgem do esporte de alto rendimento não virem obsessões, o qual deve ser feito qualquer coisa para se chegar o objetivo. Devemos, portanto, pensar em uma corporeidade, fundada em bases éticas para que não só a performance e a vitória sejam vistas como fins e único objetivo.

Vinicius Santos disse...

Bom primeiramente gostaria de parabenizar as meninas pelo belo texto, e como já foi dito simples e direto em sua proposta de discussão. Acredito que por fazermos parte do mesmo grupo de pesquisa e termos o corpo comoprincipal objeto de pesquisa, partilho do mesmo pensamento que meu companheiro de turma Elder Correia, onde acredito que o esporte de rendimento, a competição não é de todo mal e nem tão pouco pode ser ligado a saúde como muitos alegam erroneamente. Só que os professores de Educação Física devem tentar trabalhar sim questões relacionadas de alguma forma a performance, a competição, a DIFERENÇA está justamente na maneira como se utilizar, pois como Elder disse bem em seu comentário, é necessário que essas questões não sejam trabalhadas como único fim , único objetivo, mas sim como questões que fazem parte das aulas de Educação Fisica, tendo em vista que a competição é algo natural do ser humano, presente em diversas situações do nosso dia e não é diferente nas praticas corporais. O CUIDADO deve ser sim em como utilizar essas questões nas aulas de Educação Física afim de desenvolver a melhor aprendizagem possível ao aluno com aquela prática.

Flavio Sena disse...

Meus parabéns meninas pelo texto acredito que nós profissionais de educação física não devemos demonizar o esporte de rendimento nem muito menos endeusar mas sim apropriar-se dele para que possamos levantar discussões dento das aulas de educação física a respeito dos aspectos positivos e negativos que o mesmo exerce sobre os atletas, e assim podermos deixar bem claro quais as características do esporte de rendimento, deixando-os livre para que possam escolher se querem ou não praticar, quando vocês mencionam toda a situação a que se submetem essas crianças no treinamento com o bollettieri acredito que não passa de uma escolha que elas fazem na busca de alcançar seus sonhos de serem n°1 do ranking .

Evandro Santos de Melo Bomfim disse...

Em primeiro lugar gostaria de parabenizar o grupo pela postagem e debate levantado. Bem em relação aos questionamentos levantados pelo grupo creio que ser o numero 1 do mundo (no tênis, segundo a filosofia de Nick Bollettieri) implica abdicar da "vida", vejamos quais são as pessoas afetaddas por este método? em sua mairia são crianças ou adolescentes que "forçados" por familiares são inseridos em treinamentos (verdadeiras lavagens cerebrais) as crianças são transformadas em máquinas de respostas a estímulos tentando alcançar a perfeição de movimentos, podendo torna-los possíveis adultos transtornados pelo sucesso( ser o numero 1) ou pelo fracasso (não ser o numero 1 depois de tanto sacrifício), até que ponto vale se submeter a este tipo de "treinamento"?

Gabriel Dantas disse...

Meninas, parabéns pelo texto!!
De fato, no contexto escolar, percebemos o quanto a competição está presente durante as aulas de educação física. Boa parte dos colégios oferecem opções aos alunos, de qual desporto irão praticar durante o ano! E muitas vezes, essas "aulas" visam preparar o aluno para competições intra e interescolares. Analisando o lema "só a vitória importa", acredito que esse pensamento seja oposto aos objetivos da educação física ( desde o desenvolvimento motor e cognitivo, estabelecimento de relações interpessoais, auto-estima, até o aprendizado de alguns valores, como o saber perder). Penso que a competição não deve ser banida, até porque, ela está presente em vários segmentos da sociedade, mas, que ela seja trabalhada com cautela, sem exagero!!

Artur Alves disse...

Parabéns meninas pelo texto... curto e objetivo...
(Ps.: já tinha feito o comentário, mas não sei pq cargas d'águas não foi postado...Então quem vai ser objetivo sou eu)

O esporte de alto rendimento é isso e muito mais que foi posto na reportagem. Assisti e confesso que fiquei estarrecido com a falta de humanidade daquele local. Onde pessoas são colocadas e testadas contra as outras.

Para nós professores de EF devemos intrumentalizar nossos alunos sobre esse debate, mostrando a verdadeira realidade do esporte de redimento que muitas vezes as mídias nos passam...

Tiago de Brito disse...

Faces do esporte de rendimento. O mesmo que proporciona um novo significado de vida para pessoas que outrora se encontravam a margem da sociedade, de certa forma é a mesma prática que as deixam a margem de um convívio social.
Vivemos expondo nosso corpo rotineiramente a práticas que exigem um sacrifício pessoal, seja perdendo uns quilinhos para entrar em uma calça, seja lendo um livro com dor de cabeça, seja lá tomando uma infiltração no joelho para suportar a dor em jogo de futebol. Mas o que se evidencia é que no esporte de rendimento tudo fica mais realçado, seja os que criticam ou os defensores.
Particularmente penso que o ponto mais critico de toda essa questão é que geralmente pessoas são levadas a determinadas práticas de alto-rendimento sem uma maturidade pessoal, para mensurar as consequências de tais escolhas. Escolhas essas muitas vezes sendo produto do sonho de pais que não foram bem sucedidos no seu sonho esportivo.
E ai podemos apontar o Educador Físico como um personagem que se encontra ante uma fase critica de formação pessoal de jovens alunos, onde ele pode ser um ponto chave para esclarecer e formar um pensamento crítico do jovem ser humano para suas escolhas futuras.

Suely Moura disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Suely Moura disse...


Primeiramente gostaria de parabenizar o grupo pelo texto produzido. Vejo que o treinamento de alto rendimento possui a visão que o corpo do atleta se resumi em uma maquina, a qual precisa ser aprimorada com as repetições de movimentos mecanizados para atingir o ideal desejado. Alguns desses treinamentos são bastante exagerados ao meu ver, pois para se tornar um campeão será que essas pessoas precisam realmente se afastar do convívio em sociedade, inclusive da família, considero que não, levando em consideração que as pessoas se desenvolvem a partir do convívio com o “outro” e principalmente com o apoio da família, cujo esta instituição é essencial para o desenvolvimento de qualquer pessoa.

Percebemos que atualmente para ser um campeão numero 1 (um) no ranking, os atletas fazem de tudo para chegar nessa posição, o importante para eles é vencer, nesse caso abdicam de sua vida social se afastam da família respirando somente seu “sonho”, ou seja, ser o numero 1, além disso, eles se esforçam para continuar nessa posição, assim tendo que ser o melhor em várias competições para sustenta-la. Isso é bem exposto no texto e refletindo sobre a forma de treinamento vale ressaltar a seguinte questão: será que esse sacrifício todo no final valeu a pena? Se dedicar 24 horas ao esporte seguido regras, treinando exaustamente todos os dias. Não poder ver a família ou ter um momento de lazer. Dependendo da sua trajetória pode valer a pena ou não. Nesse caso, eles só não poderão esquecer que o “tempo não volta atrás”.

Objetivo do meu comentário não é crucificar o esporte de alto rendimento, mas possuir um olhar crítico para esses elementos inerentes a ele. Sendo assim, é essencial refletir sobre essa filosofia de treinamento, já que esta sofreu uma critica partida de um exemplo vivo de Jhon McEnroe, ex-tenista e número 1 (um) no ranking mundial na década de 80, ele simplesmente mostra que é possível ter um convívio social e se tornar um campeão, rompendo totalmente com essa teoria.

Álax disse...

Acho que os excessos vão sempre existir seguindo este exemplo podemos citar também o modo de treinamento dos chineses na ginástica. A busca pela perfeição e rendimento extraordinário é algo que pode ser prejudicial ao jovem atleta, encurtando sua carreira, pois a medida que se exige ao máximo nos primeiros anos de carreira, os dias de carreira vão diminuindo, por causa de possíveis lesões e esgotamento do próprio atleta. E para provar que estes métodos não são necessários, surgem atletas que não são regrados neste modo e se destacam dos demais.

Bruno Pinheiro disse...

Bela postagem meninas...
Acho que o esporte de rendimento sempre vai gerar esses tipos de discussões dentro da EF. As vezes por escolhas, as vezes por obrigação dos familiares, todos estamos cientes do quão duro é o treinamento de rendimento.A busca de "realizações", sejam elas pessoais ou não, nos abdicam de muitas coisas.Não defendo nem banalizo o rendimento, mas todos estamos um pouco situados dos prós e contras.

Nos resta mostrar os pontos de vista e enriquecer esse tema tão polêmico.

Abraço do Terra!