domingo, 3 de fevereiro de 2013

O que importa?

Na oportunidade de utilizar o blog do Observatório da Mídia Esportiva como espaço de formação de futuros professores de Educação Física, conforme inciativa do Prof. Cristano Mezzaroba da UFS, iniciaremos essa semana uma sequencia de postagens produzidas por alunos do curso de Licenciatura em Educação Física da UFSJ matriculados na disciplina Mídia e Educação Física, em suas primeiras análises sobre a mídia esportiva.
Vejamos o primeiro texto, de autoria dos acadêmicos: Cristiane Rezende Silva, Ohanys Santos Felippe, Tales Fidelis Falque Vieira, Talita Resende de Andrade e Vinicius Eduardo Leite Batista. 

Boa Leitura... e deixe seu comentário a seguir!

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Título: Mas o que importa?

Em uma publicação que circulou no facebook, realizada pela Pagina da Tv Esporte Interativo, havia uma imagem com a seguinte legenda: “Será que ele é?” (ao lado). A frase foi retirada de um vídeo em que dois jogadores peruanos se acariciavam no local de treinamento do clube. A publicação, além da imagem, continha um breve texto informando que um dos jogadores acabara de ser contratado pelo Vasco da Gama e um link para o vídeocom a matéria completa. Os envolvidos são os jogadores Giancarlo Casas e Yoshimar Yotún, esse último destacado na matéria por sua contratação como lateral esquerdo pelo Vasco da Gama.
Sabemos que a mídia, de forma geral, busca lucros e, para tal, tenta chamar a atenção do público com estratégias premeditadas. Porém, quando nos deparamos com a foto e a legenda da matéria citada, vemos um apelo a opção sexual dos jogadores em maior relevância do que o seu futebol. Um portal que trata de assuntos esportivos substitui o seu papel que seria o de retratar o esporte e passa a dar um grau de importância maior às questões pessoais na busca da atenção do leitor.
Para Pedrinho A. Guareschi, autor do livro "Mídia, Educação e Cidadania", a mídia distorce o conceito de público e privado. O autor destaca que assuntos da esfera privada, por passarem a ser visível e midiatizado, ganham conotação de assuntos públicos, que dizem respeito ao bem comum da sociedade. Dessa maneira, mesmo sendo as cenas do vídeo gravadas em um ambiente público, é discutível se a imprensa esportiva deve retratar algo pessoal do atleta, visto que a função primária deste seria cobrir apenas os acontecimentos esportivos. 
Não é a primeira vez que se polemizam casos de homossexualidade no futebol, podemos citar o jogador Richarlyson que já sofreu inúmeros preconceitos, chegando ao ponto de não ser contratado por um clube devido a homossexualidade. Em outras modalidades esportivas também já houve precedentes, o jogador do Vôlei Futuro, Michel, foi insultado pela torcida adversária, sendo chamado de “bicha” durante a partida, o que repercutiu bastante na imprensa, mas nem sempre com uma avaliação crítica a respeito da homofobia.
 Diante dos fatos, perguntamos: Essa discussão sobre homossexualidade é realmente valiosa quando se refere ao futebol? A mídia necessita usar os pequenos detalhes/descuidos/vida privada dos atletas, para vender o seu material de consumo, que a sociedade absorve, comenta e descarta, sem maiores reflexões. O que importa é o que gera lucro, e as notícias são atualizadas a qualquer custo.
Diante de todos esses fatos deixamos alguns questionamentos: A opção sexual é um pré-requisito para ser jogador de futebol? Quanto a sua carreira profissional esses discursos veiculados pela mídia podem o atrapalhar em sua carreira, assim como o exemplo do Richarlyson? Afinal, o que realmente importa?

9 comentários:

Wyllder Nascimento disse...

Primeiramente quero parabenizar o grupo pela postagem. Na sociedade contemporânea, mesmo havendo inúmeras campanhas contra o preconceito e a discriminação, o fator de impacto dos atos preconceituosos e discriminatórios ainda é grande. De modo geral, podemos dizer que o ponto de partida do preconceito é uma generalização superficial, conhecida com estereótipo. Então se observa que, pela superficialidade ou pela estereotipia, o preconceito é um erro. “Triste época! Onde parece ser mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito.”

Wyllder Nascimento Gonçalves – UFSJ – Educação Física – 2º Período

Cristiano Mezzaroba disse...

Diego e pessoal da disciplina! Legal com vocês aí fazendo a mesma estratégia. Que surjam boas discussões! E aí vamos ampliando nossa "visão" sobre várias coisas que dizem respeito à nossa formação. Sobre a postagem, em especial, não esqueçamos que esse sensacionalismo barato e essa incursão na esfera privada de todos e de cada um de nós é próprio do péssimo jornalismo atual. Outra coisa que merece ser mencionada é que a própria esfera pública "gosta" desses temas na mídia, há uma retroalimentação entre o que a mídia oferece e o que as pessoas (em geral) querem ver na mídia. O que estranha, em pleno século XXI, é a sexualidade humana ainda assumir traços tão "curiosos" assim. E aí, o que seria uma informação, no atual estilo da "fofocaiada" da mídia, vira mais um entretenimento fútil, carregado de preconceitos, discriminações, suposições etc etc etc. Parabéns pela postagem e gostei bastante da frase do primeiro comentário, se não me engano, do Einstein né? realmente vivemos numa época difícil, mas cheia de oportunidades.

Silvan Menezes disse...

Muito bom! Parabéns ao Diegão e todos os autores da postagem.
No final, tudo o que realmente importa para a indústria midiática é que o seu produto nunca saia de "moda", que esteja sempre na pauta e na agenda diária dos sujeitos/espectadores/consumidores.
Entretenimento preconceituoso confundido com informação.
Seguimos,
Abraço!

Diego S. Mendes disse...

Parabéns ao primeiro grupo da disciplina de Mídia e Educação Física da UFSJ por participar do Blog, que essa seja a primeira de muitas boas experiências no ciberespaço.

Dimas disse...

E nessa onda, segue uma noticia, do mesmo site, do mesmo cunho.E ai,o que importa?
http://br.esporteinterativo.yahoo.com/blogs/melhor-futebol-do-mundo/evra-e-modri-em-clima-valentine-day-181144631.html

Geise disse...

Primeiro parabéns ao grupo pela reportagem. Na minha opinião é impressionante como a mesma mídia que taxa o preconceito como uma coisa ruim é a mesma que nós faz ter o preconceito. O jogador de futebol é um ser humano comum,sua opção sexual não vai mudar sua qualidade de jogador. É uma vergonha em um país como o Brasil,com tanta diversidade ser tão preconceituoso.

Bruna Cândido disse...

Primeiramente quero parabenizar o grupo pela publicação,o tema tratado causa grande discussão, principalmente entre a indústria midiática que trata assuntos como esses como "notícia".Assuntos particulares como o mostrado pelo grupo torna-se uma fonte de lucro para a mídia ,pois ela sabe o que desperta curiosidade nas pessoas, distorcendo assuntos que realmente são importantes para a população.

Mayara Ramalho disse...

Em primeiro lugar quero parabenizar o grupo, pelo ótimo texto, onde foi explorado um tema de grande discussão. A mídia muitas vezes deixa de lado o que é publico, que todos deveriam ter conhecimento, para passar algo privado, simplesmente pelo lucro que essa noticia vai gerar. E nesse tema por exemplo, pode acabar influenciando o aumento de preconceito entre as pessoas.

Mayara France Assis Ramalho 2º Período

Marcus Torres - 6ª Período - UFSJ disse...

Muito boa a observação, rapaziada!
LAMENTÁVEL essa atitude da mídia. O futebol tem essa característica: "Só homens jogam!". E é o que deparamos nas escolas.
Se um aluno não gosta de futebol, ele é gay; se ele é gay, não pode jogar futebol; se é mulher, não pode jogar, ou é lésbica. Onde está o problema para essa tamanha discriminação?
A mídia ao invés de mostrar que essas escolhas/opções não interferem no jogo, já mandam a dúvida (ironicamente) para os telespectadores, que também são jovens (alunos), reforçando essa ideia.