quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Essa é para quem se interessa sobre a relação criança e consumo

A TV Cultura, que também é gestora da TV Rá Tim Bum (canal a cabo), está revendo a decisão, tomada em 2008, que a fez deixar de veicular publicidade infantil em sua grade. Pronta para voltar atrás, segundo o Blue Bus, os anúncios dirigidos ao público da TV começarão a ser (re)veiculados ainda esse ano. Vai dar para pegar as campanhas de Natal...

Olha aí um exemplo de que não adianta ser radical. Nem do lado das empresas e emissoras, que não se sustentam sem o anunciante (e parece que a TV Cultura percebeu isso), nem do lado da criança que, como sabemos, não é um robozinho esperando o comando, como podem crer alguns institutos e associações que promovem cartilhas e documentários com suas ideias apocalípticas sobre tal malévola influência.

O que não significa dar a ela (criança) autonomia total em relação ao consumo, afinal a publicidade é, em sua essência, persuasiva e o objetivo é vender. Seja a mercadoria um produto – uma simples boneca Barbie (se é que existe uma Barbie simples), ou todo um estilo Barbie Girl.

Até hoje, acredito que não há nada mais eficiente do que a mediação dos pais e professores, auxiliando a criança na busca do esclarecimento quanto ao consumo, desde pequeno. Mas isso significará que os 58,3% dos pais que não sabem o que os filhos assistem na TV (Instituto Sensus - 2007 by Portal EcoDebate) terão um trabalho a mais nessa dura rotina de ser pai, e mãe: participar da vida dos filhos.

Enquanto isso, o PL- 5921/2001 que propõe a proibição da publicidade destinada ao público infantil, tramita, tramita e não sai do lugar. Que tal abrir a questão a toda à sociedade? Quem sabe uma pesquisa entre os pais, feita e incentivada pela escola? E melhor, quem sabe o projeto Amigos da Escola, da Rede Globo, poderia abraçar essa causa e ajudar nesse levantamento?!

Hum, acho que não...

6 comentários:

Vinícius Eça disse...

Só por curiosidade, no Canadá, a regulamentação da publicidade é bem rígida, mas não proíbe a publicidade dirigida para crianças, que deve ser informativa (menos vendedora, sujeito à severas multas) - Concordo que deva ser regulamentada sim!

Daniel Minuzzi de Souza disse...

Muito boa a postagem Lyana...
Daniel

Lyana de Miranda disse...

Já está mais que provado que a autorregulamentação, como é o caso do Conar, não adianta, e talvez só piore, como ocorre com a automedicação (já citei isso em um texto publicado no Observatório da Imprensa). É isso mesmo Vinícius, regulamentação sem proibição é a solução! (Até rimou!)

Giovani disse...

Ah, ah, ah!!!

Gostei da ironia, Lyana!!!
Sugerir ao Amigos da Escola para liderar campanha pela aprovação do projeto da publicidade em horário de programação infantil na TV... Essa é muito boa! Ahahahah!

Imagina só a esquizofrenia! Por um lado, seria a "matriz" Rede Globo querendo empurrar produtos pras crianças; por outro, a "fundação" ROberto Marinho querendo proibir a veiculação...

Parece até aquela piada da levitação do gato... bastaria passar manteiga nas costas dele...

Anônimo disse...

Eu tenho um grande problema dentro da minha casa, meu sobrinho quer tudo o que ver na TV, as propagandas enfeitiça o garoto de uma maneira absurda eu já não sei o que faço... o que vocês me aconselham?

Lilian, Sergipe...

Ira disse...

Ótima abordagem Lyana! Também está mais do que na hora de você apresentar para a gente seu tcc no jornalismo para aprofundarmos essas discussões. (E estou aqui imaginando a cara do Giovani dando risada da ironia. Mas, quem sabe um dia né? 2012 talvez... :))