domingo, 21 de novembro de 2010

“Uma Paródia Lamentável”

“Uma Paródia Lamentável”

No dia 5 de novembro sai para assistir a final de um concurso de paródias organizado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe, que faz parte de um Projeto Eleitor do Futuro 2010.
O principal objetivo deste concurso era, através da música e da arte, conscientizar os jovens que o “voto não tem preço, tem conseqüências” e para isto, cada candidato deveria elaborar uma paródia, a partir de uma música de conhecimento de grande público, com teor cômico ou irônico.
O Regulamento do concurso foi encaminhado às escolas e disponível no site do TER-SE (www.tre-se.gov.br) e no final, de 17 escolas inscritas, foram classificadas 5 (cinco) finalistas.
O TRE disponibilizou ônibus para as escolas participantes, em torno de três por escola, divulgou na mídia a grande final e tudo se constituía numa grande festa.
Considero que toda iniciativa do TER-SE foi corajosa e, sobretudo, importante para provocar um espanto nos jovens – futuros - eleitores de amanhã/hoje sobre o tema eleição/corrupção/compra de votos entre tantas mazelas que ocorrem no período de sufrágio “universal”. No entanto, assisti cenas lamentáveis. Obviamente que, pelo Regulamento, a Comissão Julgadora escolheria 03 (três) finalistas, portanto fazia “parte do jogo” dois não ganharem nada. Assim, ficaram distribuídos os prêmios: 1º lugar: um computador e uma impressora multifuncional; 2º lugar: um notebook; 3º lugar: uma TV LCD e prêmio Revelação: um notebook.
Chama-me a atenção um (a) das finalistas que nada ganhara, mas não por isso e sim, pelo fato de, pela primeira vez na vida daquela adolescente, ela estava diante de um público enorme, no palco grandioso, com todos os holofotes em sua direção e naturalmente, seu estado emocional, como dos demais, deveria está muito abalado. Não ganhar nada, não foi o problema, a meu ver, não sair de lá com uma bela premiação também não foi nenhum problema, mas, não receber nem cumprimentos, nem um incentivo da Comissão, ou dos organizadores, isto foi lamentável. Por várias vezes, ela se perguntava ”eles nem falaram comigo” se referindo aos organizadores.
Este fato fez-me relembrar os tempos de jogos estudantis em que as crianças competiam e ainda não sabia lidar com a derrota nem a vitória, pois a sua volta estavam parentes, pais, irmãos, amigos entre outros e a dor, o fracasso estava mais pelo fato de estar diante deles do que pela derrota em si.
Talvez, o TER-SE precise rever tal premiação. Já que ficaram 5 finalistas, por que não premiar a todos? Qual o objetivo disso então? Seria um Festival de Música Brasileira aos tempos dos anos 60 e 70? Qual o sentido dessa jovem, ainda no processo de formação, passar por um constrangimento desses? Que estímulo esta garota – que não ganhou nada e nem os cumprimentos – terá para continuar sendo criativa e crítica diante dos problemas brasileiros?
Penso que as escolas participantes deveriam sim, elaborar um festival de paródias sobre esta atitude do TER-SE. Bem, eu estou a publicar no blog do Labomídia/UFSC/UFS, para saber o que meus colegas acham disso!

5 comentários:

Diego S. Mendes disse...

Que baita relato e reflexão, Sergião.
Isso é que é "estreia".

Aguardamos mais de tuas (sempre críticas) contribuições por aqui!

Abraço

Giovani disse...

Pois é, Camarada, quem não é do ramo não deveria se meter de pato a ganso!
Deixar um tribunal eleitoral organizar um evento estudantil (pedagógico?) só podia dar nisso.
Na lógica da "justa", tudo bem que seja assim; afinal, sob a perspectiva liberal que rege a democracia burguesa (e a justiça idem), todos partem do mesmo patamar e que mal teria premiar uns e deixar outros (no caso, outro!) sem qualquer consideração.
Valeu pela postagem que revela o olhar vigilante e crítico de sempre.

Cristiano Mezzaroba disse...

Opa... seja-bem vindo,mais novo "postador" Sérgio!!!

Muito legal a reflexão, a análise e a denúncia.

Vendo tua postagem, e depois o comentário do Giovani, lembrei dessa questão do campo jurídico cada vez mais "adentrando"o campo escolar/pedagógico: a família não deu conta, a escola tb não, a psicologia/psicologização na educação tampouco, agora é a tentativa do campo jurídico tentar "ajudar"... daqui a pouco, é a vez da instituição policial (que em alguns casos, já começou a agir, vide casos de agressões a professores em várias partes do Brasil e tb a violência entre os muros da escola)... mas é isso mesmo, uma pena!

Davi disse...

Participei como professor orientador de uma das escolas premiadas e gostaria de informar que todos os cinco finalistas receberam premiação. A aluna citada em seu artigo recebeu como premiação uma máquina fotográfica digital. Essa informação me foi passada por uma das organizadoras do evento no dia da premiação. É bom verificar para não cometer nenhuma injustiça.

Sergio Dorenski disse...

Obrigado Davi pela sua informação. Estou ciente disto. Antes de postar no blog eu enviei a ouvidoria do TRE-SE e eles responderam prontamente, iclusive reconhecendo o equívoco em não premiar todos. Logo depois da final, o TRE, contactou a Escola e premiou a aluna sim. Mas isto não apaga o que presenciei. Não apaga também o momento em si (grande final) e o desconforto de ficar de lado. Reafirmo também que a inciativa do TRE é muito bem vinda para sociedade, principalmente sobre o processo eleitoral. Talvez, este seja o maior ganho...estimular os alunos de modo geral, a refletirem sobre o seu papel na sociedade e a cumplicidade ao eleger um candidato.
Mais uma vez obrigado e continuemos observando.