Páginas

sábado, 28 de novembro de 2009

Mulheres na luta... de boxe!!

Desde Charlotte Cooper, primeira atleta a ser agraciada com um ouro olímpico, em 1900, nunca se viu tanta mulher reunida em um só local e em busca de um só propósito (seja lá qual for esse propósito) como na Olimpíada de Pequim. Na terra em que, depois de Itu, tudo é grandioso, a participação feminina bateu o recorde em jogos olímpicos, com cerca de 5 mil participantes. (Se bem que, na China, reunir 5 mil mulheres em torno de um só propósito é fácil, fácil...)

Com o objetivo de aumentar, ainda mais, o número de mulheres na corrida pelo ouro, o Comitê Olímpico Internacional (COI) está agraciando os ringues com a presença das damas. Mesmo tendo sua participação vetada nos próximos jogos olímpicos, o Boxe Feminino terá presença garantida na olimpíada de 2012. E o Brasil, claro, já está de olho nesse novo filão de mercado.

A notícia de que a seleção brasileira de boxe feminino foi campeã geral do Campeonato Pan-Americano da modalidade, realizado em outubro na cidade de Guayaquil, no Equador, e, melhor, que todas as boxeadoras do Brasil voltaram para casa com medalhas, não foi lá tão divulgada. Mas, assim, devagar, o boxe feminino brasileiro vai adentrando os noticiários esportivos. E não demorará muito, será apontado, como todos os esportes que são praticados no Brasil, como esperança de medalhas nos Jogos do Rio 2016.

Na edição de setembro da revista Piauí, preferida por dez entre dez jornalistas descolados (e, a julgar pela quantidade de anúncios, pela publicidade de empresas públicas também), foi publicada uma matéria bem bacana sobre o assunto. Começa assim:

"Depois do esfarelamento do Muro de Berlim, em 1989, foi também na capital alemã, no mês passado, que veio abaixo outra barreira aparentemente inamovível. Reunidos na capital da Alemanha em 13 de agosto, os quinze integrantes da comissão executiva do Comitê Olímpico Internacional, o coi, aprovaram em votação secreta a inclusão do boxe feminino entre os esportes olímpicos. Das 26 modalidades que compõem o cardápio dos Jogos, o boxe era o único que permanecia blindado à participação feminina. Agora, já a partir de 2012, em Londres, moças estarão trocando socos.

O anacronismo machista, por andar na contramão do discurso oficial do coi, vinha embrulhado em arrazoados de natureza cultural e pseudomédica: o boxe feminino, assim como a maratona antes de 1984, poderia ser excessivamente lesivo para a saúde de damas e demoiselles."

Exercitando meu lado futuróloga, creio que, já, já, as academias estarão (mais) abarrotadas de meninas em uma trocação frenética (no bom sentido, ou melhor, no sentido esportivo da palavra). Em relação aos incentivos financeiros às atletas... Bem, esse já é outro assunto.

Leia a matéria na íntegra no site da Piauí.

Foto: CB Boxe em www.atletasdobrasil.com
Fontes consultadas: Site De olho em 2016 (Boxe feminino é promessa de ouro); UOL Esporte (COI rejeita inclusão do boxe feminino em Pequim 2008); Revista Piauí (Damas, ao Ringue!)

2 comentários:

Fernando G. Bitencourt disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fernando G. Bitencourt disse...

Oi,
é por demais importante discutir a relação esporte e gênero e, numa modalidade particular, a participação da mulher. Em verdade eu nunca sei se isto, de lutar boxe, é uma conquista feminina ou uma derrota da humanidade. De todo modo, sempre que o problema se desenrola na direção da "dominação masculina" e da luta pela "igualdade" de gênero o problema acaba por balançar tanto a ordem quanto a (des)ordem, pois não se sabe muito bem do que se trata - talvez igualdade na diferença.
Para não passar em branco: talvez, o bastião da dominação masculina esteja não nos esportes que as mulheres praticam, mas justamente naqueles que só elas pratica (e, claro, os homens não disputam): nado sincronizado, ginástica rítmica... "Quem é homem bota o dedo aqui!"
Ferbit