sábado, 3 de abril de 2010

TV Globo no imbroglio Teixeira/Kleber x Koff

A mídia vem trazendo com detalhes, nos últimos dias, o processo de eleição do Clube dos 13, associação dos maiores clubes de futebol do país e responsável pela negociação dos direitos de televisionamento do Campeonato Brasileiro (grupo A).
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, de olho no controle desta única instância do futebol brasileiro em que ele não apita, articulou o lançamento da candidatura do Kleber Leite à sucessão do Fabio Koff, atual presidente do clube dos 13 e candidato a mais uma reeleição (essa moda pega!).
Importante lembrar que Kleber Leite já foi presidente do Flamengo, foi sócio da Traffic e hoje é proprietário da Klefer, empresa de publicidade que tem a CBF entre seus clientes.
Pois bem, no ínicio da campanha o placar indicava 16 x 4 para o Fabio Koff, apesar das ameaças e barganhas do dr. Ricardo (por exemplo, reduzindo e prometendo reduzir ainda mais a pena imposta ao Coritiba).
Atualmente, com certo grau de segurança, o grupo do atual presidente conta mesmo com apenas 11 votos. Os demais já migraram ou podem ainda migrar para o colo do Kleber Leite.
Por que será? Será efeito apenas das articulações do presidente da CBF?
Hoje, os jornais anunciaram a verdade-verdadeira: o sr. Marcelo Campos Pinto, presidente da Globo Esporte, empresa do grupo que negocia os direitos televisivos do esporte, entrou discretamente na jogada, a favor do Kleber Leite.
E aí o jogo fica pesado, afinal tem clube que depende em até 70% das verbas da televisão...
Não será surpresa nenhuma se, na proxima semana, quando acontece a eleição, nem mesmo esses 11 votos pro-Fabio Koff se confirmem.
Alguém já disse que a mídia esportiva mudou a sua forma de operar; não basta mais ter o espetáculo para veicular, ela precisa lucrar ainda mais, ela precisa controlar os controladores do espetáculo esportivo. Não basta mais ter o software, precisa ter também o hardware.
E lá vamos nós, cada vez mais refém da poderosa.
(mais um exemplo? o prefeito Kassab acaba de vetar a lei que determinava que os espetáculos esportivos acabassem até as 23h15 na cidade de São Paulo; a Globo já avisara que não aceitava a medida).
Observemos, pois, o imbroglio do clube dos 13, com olhos e ouvidos muito atentos...

7 comentários:

Giovani disse...

O comentário do PVC, na Folha hoje, mostra o perigo de deixar que CBF e Klefer dominem o "mercado" dos direitos televisivos do futebol brasileiro. Segundo ele, é dar à raposa o privilégio de cuidar do galinheiro...

E mais: estranhamente, esta semana o Ricardo Teixeira deu entrevista ameaçando o São Paulo de não realizar a abertura da Copa no Morumbi. Será mais uma forma de pressão para tentar mudar o voto? Ou não?

Anônimo disse...

Olá Todos e todas, primeiro parabéns a Gio por trazer para a discussão este assunto tão importante, principalmente em nosso "campo". Estou sempre pensando nas formas de subversão e acho que o poder público - governo federal (o não cooptado) - intervir diretamente nisso. Fortalecer a TV pública e as transmissões esportivas por este "canal´".Eu gosto de assistir futebol, mas ultimamente deixo na tecla mudo, pois não aguento os cometários, principalmente do Sir. Gavião Bueno, bem como opera o monopólio das transmissões via Globo (seus horários, o "show já pronto" - essa é do Gio - entre outras sacanagens) e muitas vezes deixo de assistir. Prefiro ver a série A3 do camp Paulista na rede vida (kakaka.). Acredito que só vamos ter mudanças significativas quando a tv pública se qualificar e propor uma transmissão sem negócio.
vamos conversando...o anônimo Sérgio Dorenski

Giovani disse...

Isso mesmo, camarada Dorenski.

A saída está mesmo na existência de uma rede pública de televisão, como autonomia e força política, que possa servir de contraponto ao mercado da TV comercial.
Um dos projetos de lei que discutimos no VerTV é o que autoriza aos canais publicos transmitirem participações de atletas, equipes e seleções nacionais em competições internacionais se nenhum TV aberta estiver passando.
É um pouco, mas é um começo, só que é preciso avançar mais...
Isso só é possível com vontade política e, infelizmente, nossos legisladores (e o Executivo também) temem se indispor com a grande imprensa, já que muitos tem o rabo-preso, além de interesses pessoais, maracutaias, etc.

Fernando G. Bitencourt disse...

Oi Pessoal,
Gio excelente postagem.
Em tempo em que qualquer deslize frente a realeza significar deixar a mesa do jantar, os sistemas de pressão em torno do futebol - e claro, do capital envolvido na "negação do ócio" - vão atacar em todas as frentes. A entrada da Globo na disputa (não podemos esquecer que o Clube dos 13 já recebeu, da Record(?), proposta melhor pelo brasileirão) ajuda a compreender a associação mídia/esporte em uma de suas piores facetas: a do monopólio da informação e do controle privado dos bens públicos - o futebol, patrimônio cultural/imaterial.
Vamos observar!

Giovani disse...

Mais noticias da eleição do Clube dos 13:
1. na assembléia que ratificou a antecipação das eleições para o proximo dia 12, realizada ontem, o Fabio Koff sofreu a primeira derrota. Pretendia que os votos fossem secretos mas a maioria optou pelo voto aberto. O argumento do Koff era de que o voto aberto submeteria os clubes a constrangimentos e medo de represálias por parte da CBF se fossem contrários ao seu preposto, isto é, ao candidato Kleber Leite. Nao colou.
2. "descobriram" (!) que o contrato do Clube dos 13 com a Rede Globo precisa ser renovado em 2011; Koff já avisou que quer um bilhão de reais de proposta para começo de conversa, senão vai ouvir a Record. Será que isso explica o interesse da sócia da CBF na eleição?
Vamos observado...

Giovani disse...

Na sequencia da "campanha" pela direção do Clube dos 13, 4 clubes que haviam assinado manifesto pró-Koff já mudaram de opinião:
- Corinthians e Botafogo, por 8 milhões de reais (a prestações)
- Goiás e Coritiba, por promessa de redução de penas que receberam no Brasileiro de ano passado.
Até amanha, dia da eleição, há possibilidades de novas mudanças...
E assim caminha a humanidade...

Giovani disse...

Apesar de toda a pressão, no mínimo antiética e indecorosa, por parte da CBF e Globo Esporte, não conseguiram fazer de Kleber Leite o novo presidente do Clube dos 13.
O placar da eleição hoje foi de 12 a 8, mostrando que as quatro viradas negociadas, da mensagem anterior, se consolidaram mas não se multiplicaram.
Entre o continuismo (Koff) e a raposa de guarda no galinheiro (Kleber), a opção foi a menos-ruim, eu penso.