sexta-feira, 2 de outubro de 2009

AS OLIMPÍADAS RIO 2016 COMEÇARAM... E A PRESSÃO À EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR TAMBÉM!


Como é de praxe, quando os assuntos esportivos vêm à tona, principalmente agora com realização de Copa do Mundo e Olimpíadas futuramente aqui no Brasil, vem também a velha cobrança sobre a escola e sobre a Educação Física Escolar, como as responsáveis pela massificação do sistema esportivo.

Estive há pouco vendo um programa ao vivo na SporTV em que o apresentador Cléber Machado, em meio às comemorações da conquista da candidatura da cidade do RJ à sede dos Jogos Olímpicos apontava problemas na cidade, méritos pela escolha, questões urbanísticas, de segurança, transporte, políticas e também, como não devia deixar de ser, esportivas. Até a ministra-chefe da casa civil,Dilma Rusself participou do programa, vestida com a camiseta do evento (será que ela já respondia como possível presidenta?). Um doutor participou falando rapidamente sobre sua tese de doutorado, em que estudou a questão das cidades e os mega-eventos esportivos. Também teve a participação de um economista, já que é a economia que movimenta o mundo e tudo está sob seus ditames!

O que mais me chamou atenção, entre outras coisas, foi a parte final, em que o ex-técnico de basquete da seleção feminina, Miguel Ângelo Da Luz, deu seu depoimento rapidamente afirmando que se o Brasil pretende ter bom desempenho nas Olimpíadas que sediará, o trabalho deve ser fortalecido nas escolas, mais especificamente na Educação Física. Corroboraram à sua opinião o jornalista e comentarista esportivo Paulo César Vasconcelos, que também acredita que é na escola que se formam atletas - citando até as Olimpíadas Escolares como um bom exemplo disso - e por último, o último a falar, o jornalista Lédio Carmona, também reafirmou que na massificação do esporte pelo Brasil a escola tem sim seu papel.

Disso tudo, para não me alongar, e apenas colocar em questão - e provocar para o debate - penso que essa parte nos toca: mais do que nunca, a Educação Física Escolar passará a ser cobrada, a partir de então, como a formadora de atletas. Todos esses ransos históricos voltarão mais forte do que já eram e com um teor de senso comum ainda maior, em meio à emoção/comoção nacional com essa "conquista brasileira" (vamos lembrar que a palavra "emoção" foi a tônica dessa escolha...).

Como diz a letra de "Realidade Virtual" dos Engenheiros do Hawaii:
"olhos atentos a qualquer momento: é preciso acreditar
tudo bem, eu acredito: tudo já foi dito
olhos atentos a todo movimento: é preciso duvidar
viver não é preciso e nem sempre faz sentido
é preciso muito mais fé cega e pé atrás"

Como bons observadores, olhos atentos a qualquer momento... é preciso acreditar (em quê mesmo?)!

9 comentários:

Giovani disse...

Oi Cris,

Excelente postagem, muito apropriada e oportuna, porque a pressão sobre a Educação Física escolar vai vir com tudo mesmo!
E como a mídia será a porta-voz desse discurso da formação de atletas na escola, precisamos estar atentos a ela, para identificar possibilidades de construir o esclarecimento a partir da nossa área.

Giovani disse...

A propósito, lembrei da entrevista do compadre Laercio Pereira ao Juca Kfouri, na ESPN, que o Savio comentou também na mesa dele, no CONBRACE.
Quando o Juca perguntou o que ele achava se o RJ levasse os Jogos de 2016, o Laercio disse: acho que vai faltar bola pros meninos das escolas do interior do Maranhão!
Sabedoria de matuto!!!

Daniel Minuzzi de Souza disse...

Grande postagem Cris. relamente algumas coisas a escola como base da pirâmide esportiva vai ressurgir mais forte do que nunca, acredito. temos uma dupla tarefa, tanto na observação quanto na formação profissional. como diz o barbudo "nunca na história desse país"... a mediação do professor de EF será tão necessária.
Abraço

André 40 disse...

É interessante este discurso, onde parece que a escola tem essa "necessidade" de adequação ao esporte (mercadológico)...

Coisas como "para quê serve a escola" nunca está em pauta, o que demonstra que de repente não é fato noticiável para tanto...

Este alerta é de grande importância para continuarmos "observando" todas as movimentações que possam ocorrer para o "arrebento do lado mais fraco", ou seja, a escola e aos professores de Educação Física...

Por que não observar a falta de políticas de incentivo ao esporte nacional para o "desenvolvimento" deste esporte (de rendimento, claro)... Por que a iniciativa privada não se presta para isto (já que é sempre ela a maior beneficiada com evetos desta natureza) como em outros países?

Imagino o esforço que deverá ser feito, como coloca o "Xibas", para que a mediação seja feita na tentativa de ao menos ampliar o discurso que erá veículado de maneira avassalaroda pelos meios de comunicação...

Bem, é isso...

Abração

Fernando G. Bitencourt disse...

Cris, pessoal!
realmente, também penso que o sistema de pressão sobre a Educação Física, especialmente via intermediários culturais midiatizados, deve ser muito mais significativo do que quando dos sucessivos "fracassos olímpicos".
Mas, sem dúvida, como um "acontecimento extremo", os Jogos podem reacender debates importantes e recolocar na pauta das políticas educacionais, da educação física e dos esportes, questões sobre os fundamentos pedagógicos e das práticas em nosso campo (isso pode soar um pouco otimista, uma vez que talvez o debate seja atropelado pela "comoção nacional").
Entendo que entramos em um ciclo no qual, pertinente ao processo histórico, estaremos mais uma vez a pensar "O que Faz o Brasil, Brasil"(DaMatta) - e, quem sabe, o que faz a EDF, EDF -, o que, por fim, como pesquisador, me parece um momento ímpar para a pesquisa e a reflexão.
Mas não me perguntem o que penso como "cidadão", para não deixar de remexer nesse lado "esquiso" do problema.
Abçs, F.

Priscilla disse...

Chegando agora por aqui... lendo postagem do meu amigo Cris e os comentários que seguiram... o único pensamento que me vem, de imediato é:
"pronto, está dada largada à ferrenha/escancarada esportivização precoce, busca de talentos esportivos etc! PREPAREM-SE PROFESSORES de Educação Física!!" hehe...

Silvan - EF Lic. UFS disse...

Estou me aproximando agora desta temática aqui na UFS com o Sergio e com o Diego, mas já da para perceber a dimensão e a responsabilidade que é direcionada a EDF pelo instrumento público que é a Mídia. Sem contar que teremos que debater com a "comoção nacional" como falou o Fernando no comentário acima. Portanto, penso que nós estudantes ainda em início de formação devemos levantar a cabeça e "enxergar" o horizonte de possibilidades e problemáticas que temos para trabalhar.

Cristiano Mezzaroba disse...

Voltando porque achei muito interessante os comentários de todos/as vocês aqui... e apenas responder ao Fernando, que compartilho da mesma opinião: é isso mesmo, como pesquisadores, devemos pensar nas possibilidades não só de trato pedagógico mas também de material de pesquisa que teremos com este mega evento sendo realizado no Rio de Janeiro. Pensando "o que faz a EF ser a EF", o esporte não pode deixar de ser mencionado.
Ao Silvan, seja bem vindo às discussões! Sinta-se em casa... que bom que vc já iniciou esse processo de levantar a cabeça e olhar para as possibilidades que o horizonte nos oferece com relação a tudo isso que estamos vendo e vivendo. Vejo no blog esse espaço de discussão, dos mais variados pontos de vistas, para pensarmos no que uma Copa do Mundo (em 2014) e uma Olimpíada (em 2016) repercute de forma direta e indireta em nossas atuações e pesquisas. Abraços!!!

Diego S. Mendes disse...

Grande Silvan e Priscila....que bom vê-los por aqui. Participem sempre, a contribuição de vcs é imensa. Temos mesmo é que reforçar nossa possibilidade de exercício da cidadania cobrando publicamente nossos interesses e apresentando nossas críticas, o que é bem potencializado pelo blog. Nos ajudem nesse debate público, quem sabe um dia nossas vozes naufragadas na net não ressurjam desse mar como um belo canto da sereia....mas sem o desejo de afogar ninguém.....hehehhe